“A gente entende perfeitamente o movimento de política monetária do Banco Central, mas a taxa de juros está bem elevada […] e, quando olhamos para a inflação, vemos espaço para reduzir essa taxa”, afirmou em entrevista ao Radar GloboNews.
Segundo Noronha, os economistas do Bradesco trabalham com a possibilidade de uma nova redução de 0,25 ponto percentual (p.p.) por parte do Comitê de Política Monetária (Copom) já na próxima reunião do colegiado, em setembro. O executivo destaca, no entanto, que acredita que novos cortes podem ocorrer posteriormente.
“Já vemos sinais de desaceleração da economia brasileira. Nossos economistas trabalham com [uma redução de] 0,25 p.p., mas eu acredito que podemos ver novos cortes”, completou.
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- 🔎Quando a economia perde força, o consumo e os investimentos tendem a crescer em ritmo mais lento, o que reduz pressões sobre os preços e pode abrir espaço para cortes nos juros.
Apesar do tom mais otimista, Noronha reconhece que ainda existem fatores que podem dificultar a trajetória de queda dos juros, como as eleições, os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e os impactos do El Niño, fenômeno climático pode afetar a produção agrícola e pressionar os preços dos alimentos.
“Temos um cenário ainda incerto e uma guerra sem desfecho definido, que afeta os preços do petróleo e pode pressionar a inflação por aqui”, disse o presidente do Bradesco. Ele destacou que, embora o histórico mostre que as eleições costumam provocar volatilidade no câmbio, esse efeito tende a se concentrar no curto prazo.
“Temos, de fato, uma volatilidade maior, mas concentrada em um período mais curto. Então continuo trabalhando com a expectativa de que os juros precisem permanecer acima da inflação, mas não em um patamar tão elevado quanto o atual”, acrescentou Noronha.
No documento, divulgado nesta terça-feira, o BC alertou para os possíveis impactos da alta dos preços do petróleo e dos eventos climáticos sobre a inflação brasileira. Segundo a instituição, caso esses riscos se concretizem, poderá ser necessária uma “reação firme” da política monetária.
O BC também demonstrou preocupação com o possível impacto inflacionário das medidas de estímulo adotadas pelo governo federal. “O Comitê continuará acompanhando os dados para calibrar e refinar os impactos das medidas de estímulo à demanda e dos choques de oferta”.
Endividamento das famílias ainda preocupa
O presidente do Bradesco também afirmou que o endividamento das famílias e o comprometimento da renda seguem sendo motivo de preocupação. Segundo ele, embora o Desenrola — programa de renegociação de dívidas do governo federal — tenha produzido efeitos positivos, ainda há um longo caminho para garantir um crescimento sustentável da economia.
“[O Desenrola] vem evoluindo e surtindo efeito, mas tudo tem seu limite. O que esperamos é um Brasil capaz de crescer acima de 3% ao ano e manter uma política fiscal equilibrada, evitando uma trajetória persistente de aumento da dívida pública”, afirmou.
Segundo Noronha, o equilíbrio das contas públicas é fundamental para manter a inflação sob controle e permitir juros mais baixos por mais tempo.
“É isso que pode trazer mais tranquilidade para empresas e consumidores ao preservar empregos e renda. O pior inimigo da renda é a inflação. Com os preços sob controle e o país crescendo, temos condições de construir uma economia mais saudável do que a atual”, disse.
Noronha também afirmou que os candidatos à Presidência da República deveriam ser mais transparentes sobre seus planos para as contas públicas.
“O Brasil já sabe o que precisa fazer para equilibrar as contas públicas. Mas, independentemente de qual governo assuma, será necessária vontade política para colocar essas medidas em prática. Acredito que o Congresso apoiará medidas responsáveis que ajudem o país a construir uma política fiscal mais equilibrada”, concluiu.