Representante dos EUA é convocada a dar explicações ao governo brasileiro sobre pedido para que delegado da PF deixe EUA
A encarregada de Negócios interina da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, Kimberly Kelly, foi convocada a dar explicações nesta terça-feira (21) ao Ministério das Relações Exteriores (MRE) a respeito do pedido do governo de Donald Trump para que o delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho deixe o país.
Na segunda-feira (20), o governo dos Estados Unidos anunciou que pediram que Marcelo Ivo de Carvalho deixe o país, ele atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos, conhecido como ICE.
A medida foi divulgada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano.
De acordo com relatos obtidos pela GloboNews, o encontro durou cerca de uma hora, e Kimberly Kelly se reuniu com Christiano Figueiroa, atual diretor do Departamento de América do Norte do MRE.
“A encarregada de Negócios da Embaixada dos EUA Kimberly Kelly reuniu-se com autoridades do Ministério das Relações Exteriores. Não comentamos conversas diplomáticas privadas”, informou a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil nesta terça.
Fontes na diplomacia brasileira confirmaram a informação.
Marcelo Ivo de Carvalho, da PF
TV Cabo Branco/Reprodução
Brasil cogita reciprocidade
Mais cedo, nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi questionado sobre o tema durante viagem à Europa. Lula disse que o governo brasileira iria entender o que aconteceu para decidir como reagir.
Ele chegou a citar a possibilidade do princípio da reciprocidade, isto é, quando um país adota uma medida equivalente em relação a outro.
“Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil”, disse Lula.
O presidente afirmou ainda que não aceitará “essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas pessoas americanas querem ter com relação ao Brasil”. Em seguida, o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira também falou sobre o assunto.
“Essa notícia não tem fundamento. Estamos aguardando esclarecimentos das autoridades americanas”, disse o ministro.
Vieira ressaltou que o delegado trabalha em conjunto com as autoridades americanas em Miami e que “todos sabiam” dessa função.
O pedido
Sem citar nomes, o governo americano afirmou em uma rede social que uma autoridade brasileira tentou “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas” no país.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso”, diz o texto.
Carvalho foi nomeado para atuar em Miami em março de 2023, em uma missão junto ao ICE com duração de dois anos. Entre as funções está a identificação e a prisão de foragidos da Justiça brasileira nos EUA.
Em março de 2025, o governo publicou uma portaria que prorrogou a permanência dele na missão até agosto deste ano.
Ramagem foi detido pelo ICE no dia 13 de abril em Orlando, na Flórida. Naquele dia, a PF informou que ele havia sido preso por questões migratórias e levado a um centro de detenção. O ex-deputado foi solto dois dias depois.
Após sair da cadeia, Ramagem publicou um vídeo agradecendo à cúpula do governo Donald Trump pela soltura. Na gravação, ele afirmou que a liberação dele foi administrativa, sem que fosse realizado um procedimento judicial ou pagamento de fiança.
Delegado foi substituído
A PF já havia nomeado uma substituta para Marcelo Ivo de Carvalho antes mesmo da declaração do governo norte-americano. A delegada Tatiana Alves Torres irá assumir a função de oficial de ligação junto ao ICE, em Miami.
A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 17 de março, no mês passado. Marcelo Ivo de Carvalho ocupava o cargo desde 2023.
Delegada da Polícia Federal desde 2002, Tatiana Alves Torres é formada em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e tem pós-graduação em Ciências Penais e Segurança Pública.
Ao longo da carreira, atuou principalmente nas áreas de crimes ambientais, crimes financeiros, crime organizado e migração.
Delegada Tatiana Alves Torres
Reprodução
Atualmente, ocupa o cargo de delegada de classe especial e exerce a função de coordenadora-geral de Gestão de Processos da Polícia Federal.
Tatiana também participou de formações internacionais, como curso na National Defense University, em Washington, em 2022, e o Programa de Treinamento Policial da Interpol, em Lyon, em 2008.
Em 2023, foi superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais. Ela é fluente em inglês e francês e tem conhecimento intermediário de espanhol.
Representante dos EUA é convocada a dar explicações ao governo brasileiro sobre pedido para que delegado da PF deixe EUA
Representante dos EUA é convocada a dar explicações ao governo brasileiro sobre pedido para que delegado da PF deixe EUA