Relator diz que cabe ao Conselho do MPF analisar representações sobre eventual crime atribuído a Gonet

Relator diz que cabe ao Conselho do MPF analisar representações sobre eventual crime atribuído a Gonet


O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) deu início nesta sexta-feira (25) à sessão que deve decidir sobre a abertura ou não uma investigação sobre a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em episódios relacionados ao caso do extinto Banco Master.
➡️A sessão é presidida pelo vice-presidente do colegiado, subprocurador-geral Nicolao Dino. Embora seja o presidente nato do Conselho, Gonet não participa da reunião por figurar como alvo do procedimento.
A deliberação é inédita na história do órgão e tem como base referências ao chefe do Ministério Público Federal (MPF) encontradas em relatórios da Polícia Federal.
🔎O Conselho Superior do MPF é um órgão composto pelos nove integrantes da cúpula da instituição, isto é, os nove chefes do ministério.
No momento, o relator do processo, subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino, apresenta seu parecer.
Até o momento, ele rejeitou analisar, no Conselho, eventual impedimento ou suspeição de Gonet nos processos que estão no STF.
“Portanto, não conheço a alegação de impedimento ou suspeição do procurador-geral da República.”
O relator afirmou, porém, que cabe ao Conselho fazer uma análise inicial das representações que tratam de eventual crime comum atribuído ao procurador-geral da República.
Segundo Sanseverino, o colegiado deve avaliar se há elementos mínimos de materialidade e autoria.
Caso entenda que esses requisitos estão presentes, poderá receber o procedimento e designar um subprocurador-geral da República para analisar o caso.
Ao analisar o caso concreto, Sanseverino votou pelo indeferimento do pedido de designação de um subprocurador-geral da República para analisar a documentação das representações.
“Desde logo, eu voto pelo indeferimento do pedido de designação de subprocurador-geral da República para conhecer da documentação antes mencionada”, afirmou. O relator passou, então, a apresentar os fundamentos da decisão.
– Esta reportagem está em atualização
Conselho do MPF decide se abre investigação sobre Gonet no caso Master
Na pauta desta sexta, os conselheiros discutem se as referências ao nome de Paulo Gonet contêm elementos suficientes para justificar o aprofundamento de uma investigação criminal e disciplinar ou se o procedimento deve ser arquivado.
A análise abrange a conduta do procurador-geral sob três eixos principais:
a condução de investigações sobre a instituição financeira — que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025;
a atuação em relação à prisão preventiva do ex-banqueiro Daniel Vorcaro;
a condução geral das apurações do caso Banco Master no âmbito do MPF.
Delegados da PF pedem que Paulo Gonet se declare impedido de atuar em apuração sobre mensagens de Daniel Vorcaro
Jornal Nacional/ Reprodução
O rito da sessão
Presidência: a reunião é comandada pelo vice-presidente do Conselho, subprocurador-geral da República Nicolao Dino.
Votação do vice-PGR: o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, participa normalmente das deliberações e do voto.
Relatoria: o relator do procedimento, subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino, abre os trabalhos apresentando seu parecer.
Ordem dos votos: após o voto do relator, a votação segue a ordem de antiguidade no conselho, votando primeiro o conselheiro mais novo até o mais antigo.
Daniel Vorcaro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em Londres
Reprodução/Jornal O Globo
Próximos passos em caso de abertura de investigação
Se a maioria dos conselheiros votar pela abertura de investigação, um subprocurador-geral da República será designado para conduzir a apuração de forma independente. O designado analisará os dados e apresentará um relatório final ao próprio Conselho.
Caso sejam identificados indícios de crime, os fatos serão encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF), foro competente para decidir sobre a eventual abertura de inquérito contra o chefe do MPF.
Citações a Paulo Gonet no caso Master
A análise no Conselho do MPF ocorre após a divulgação de relatórios da Polícia Federal produzidos a partir da extração de dados do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, apreendido durante a Operação Compliance Zero.
As mensagens recuperadas pela perícia da PF indicam a existência de interlocução entre o banqueiro e o procurador-geral, realizada majoritariamente por meio do advogado Ciro Soares. Entre os pontos mapeados nos relatórios estão:
Viagem a Londres: registros de mensagens apontam que Daniel Vorcaro autorizou o custeio de despesas de viagem a Londres para Pedro Gonet, filho do procurador-geral, em abril de 2025.
Foto em confraternização: a divulgação de uma fotografia tirada em 2024 em Londres, na qual Vorcaro aparece sentado próximo a Paulo Gonet — que segura um charuto em frente a uma mesa com copos de uísque —, motivou manifestações internas no Ministério Público.
Articulação no CNPG: aiálogos de abril de 2024 mostram o advogado Ciro Soares afirmando a Vorcaro que pediu a intervenção de Gonet para convencer o procurador Georges Seigneur a desistir da disputa pela presidência do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG). Três dias após os diálogos, Seigneur retirou a candidatura, e Jarbas Soares foi eleito por aclamação.
Mensagens sobre interlocução institucional: em mensagens de outubro de 2025, Vorcaro citou o procurador-geral ao pedir a um interlocutor que reforçasse conversas com autoridades para evitar medidas do Banco Central contra a instituição financeira.
O posicionamento de Paulo Gonet e as avaliações no colegiado
Em manifestações anteriores, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, declarou não ter relacionamento de proximidade com Daniel Vorcaro e afirmou que o contato mantido com o banqueiro foi “brevíssima e banal”.
Paralelamente, a Procuradoria-Geral da República apresentou manifestação ao STF defendendo a anulação do relatório elaborado pela Polícia Federal sob a relatoria do ministro André Mendonça.
Gonet argumentou que o ministro relator extrapolou suas competências ao determinar apurações sem pedido prévio do Ministério Público.
Nos bastidores do Ministério Público Federal, a sessão divide opiniões. Aliados da gestão do PGR avaliam que a maioria do Conselho deve votar pelo arquivamento da apuração.
Por outro lado, conselheiros críticos sustentam que os fatos trazidos a público exigem esclarecimentos formais.
Resumo do caso Banco Master e os desdobramentos no Judiciário
A crise do Banco Master começou com apurações da Polícia Federal e do Banco Central sobre supostas fraudes na cessão de carteiras de crédito estimadas em R$ 12 bilhões, culminando na decretação de liquidação extrajudicial da instituição em novembro de 2025.
O ex-dono do banco Master Daniel Vorcaro foi preso preventivamente no aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar para o exterior.
A derrubada do sigilo de relatórios da PF pelo relator no STF, ministro André Mendonça, expôs trocas de mensagens e registros de encontros de Vorcaro com diferentes autoridades da República.
Além das referências a Paulo Gonet, o documento detalhou interações do ex-banqueiro com o ministro Alexandre de Moraes e a existência de contratos de prestação de serviços com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

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