Quem é o fundador da Evergrande condenado à prisão perpétua | G1

Quem é o fundador da Evergrande condenado à prisão perpétua | G1

O empresário saiu de uma vila rural, trabalhou como técnico em uma siderúrgica e construiu uma das maiores empresas imobiliárias da China. No auge, chegou a ser o homem mais rico da Ásia.

Fundador da Evergrande é condenado a prisão perpétua por fraude financeira na China

A condenação encerra a trajetória de um empresário que chegou a acumular uma fortuna de US$ 45,3 bilhões em 2017, segundo a Forbes, mas viu seu patrimônio despencar depois que a Evergrande entrou em crise.

Quem é Hui Ka Yan?

Hui nasceu na província de Henan, no centro da China. Ele foi criado pela avó em uma área rural e começou a carreira trabalhando como técnico em uma siderúrgica.

Hui fundou a Evergrande e apostou em um modelo de crescimento acelerado: a empresa tomava dinheiro emprestado para comprar terrenos e construir imóveis. Os apartamentos eram vendidos com margens menores, o que ajudava a empresa a vender rapidamente e continuar expandindo.

A estratégia funcionou durante o período de forte crescimento do mercado imobiliário chinês.

A Evergrande se tornou uma das maiores incorporadoras do país. Em 2020, chegou a registrar 700 bilhões de yuans em vendas anuais, o equivalente a cerca de US$ 100 bilhões.

Como Hui ficou tão rico?

O crescimento da Evergrande fez Hui Ka Yan acumular uma fortuna bilionária.

Em 2017, ele tinha um patrimônio estimado em US$ 45,3 bilhões e se tornou o homem mais rico da Ásia, segundo a Forbes.

Hui também ganhou espaço entre empresários próximos ao poder chinês. Em 2021, por exemplo, participou das comemorações do centenário do Partido Comunista Chinês em Pequim.

Naquele momento, porém, a Evergrande já enfrentava dificuldades financeiras.

O que aconteceu com a Evergrande?

Para crescer rapidamente, a empresa havia acumulado uma enorme quantidade de dívidas.

Em 2021, a Evergrande deixou de pagar dívidas no exterior. O episódio se tornou um dos principais símbolos da crise do mercado imobiliário chinês.

A lógica é relativamente simples: a empresa pegava dinheiro emprestado para comprar terrenos e construir imóveis, mas precisava continuar vendendo apartamentos para gerar dinheiro e pagar suas dívidas.

Quando o mercado imobiliário perdeu força, esse modelo começou a desmoronar.

A Evergrande não conseguiu honrar seus compromissos e acabou entrando em liquidação.

O problema não ficou restrito à empresa. O colapso da incorporadora ajudou a aprofundar uma crise no setor imobiliário chinês que continua pesando sobre a economia do país.

E o que aconteceu com a fortuna de Hui?

A queda da Evergrande também destruiu grande parte da riqueza de seu fundador.

A fortuna de Hui, que havia chegado a US$ 45,3 bilhões em 2017, caiu para cerca de US$ 3 bilhões em 2023, segundo a Reuters.

Nesta quinta-feira, além da prisão perpétua, o tribunal de Shenzhen determinou o confisco de todos os seus bens pessoais.

Por que ele foi condenado?

Hui estava detido havia três anos quando se declarou culpado, em abril, de oito acusações.

Entre elas estavam uso indevido de fundos, fraude na arrecadação de recursos e tomada ilegal de depósitos públicos.

Aos 67 anos, o empresário que já foi o homem mais rico da Ásia agora cumpre uma sentença de prisão perpétua — enquanto a empresa que ajudou a construir se tornou um dos maiores símbolos da crise imobiliária chinesa.

*Com informações da Reuters

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