Presidentes de partido têm salário de até R$ 52,5 mil por mês; veja valores

Presidentes de partido têm salário de até R$ 52,5 mil por mês; veja valores


Câmara aprova projeto que enfraquece fiscalização e alivia punições a partidos políticos
Os partidos políticos brasileiros pagaram até R$ 630,5 mil por ano a seus presidentes nacionais ao longo de 2025, segundo levantamento feito pelo g1 a partir das prestações de contas apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Isso corresponde a um salário de R$ 52,5 mil por mês. O estudo considerou os 30 partidos registrados no tribunal e buscou despesas feitas pelas direções nacionais em nome de seus atuais presidentes.
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Foram encontrados pagamentos classificados como salários, despesas com pessoal ou serviços técnico-profissionais para dez dirigentes. Juntos, eles receberam R$ 2,95 milhões no ano.
Desse total, o equivalente a 96% foi bancado com recursos do Fundo Partidário. Os outros R$ 117,9 mil saíram de recursos próprios ou de outras fontes das legendas.
🔎 O Fundo Partidário é composto principalmente por dinheiro público do Orçamento da União, além de multas eleitorais, doações e outros recursos previstos em lei. As siglas podem usar os valores para custear suas atividades permanentes, incluindo despesas com pessoal e contratação de serviços.
Agora no g1
O maior valor foi destinado a Ovasco Roma Altimari Resende, do PRD. O partido declarou R$ 630,5 mil em pagamentos ao dirigente durante o ano. Todo o montante foi pago com recursos do Fundo Partidário.
Na sequência aparece José Luiz Penna, presidente do PV. O partido declarou R$ 501,4 mil em despesas com o dirigente durante o ano, também pago inteiramente com o Fundo Partidário.
Segundo Michel Bertoni, advogado especialista em Direito Eleitoral, não há uma lei específica para o pagamento dos presidentes no partido, embora todas as legendas tenham que obedecer aos limites de pagamentos previstos na Lei dos Partidos Políticos.
🔎A Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/1995) é a norma que regulamenta a criação, a organização, o funcionamento e a extinção dos partidos brasileiros.
“Não há na Lei dos Partidos Políticos um teto específico [para pagamento de dirigentes]. Tem partido que, na ausência de um teto específico nessa lei, defende a aplicação do teto constitucional para remuneração de agentes públicos. Embora os dirigentes partidários não sejam agentes públicos, existe essa paridade”, explica Bertoni.
Atualmente, o teto constitucional do funcionalismo público é de R$ 46.366,19 por mês, valor equivalente ao subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Esse limite, porém, não se aplica automaticamente aos dirigentes partidários.
Denise Schlickmann, especialista em Direito Eleitoral e integrante da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), afirma que o Fundo Partidário pode ser usado tanto para despesas com pessoal quanto para a contratação de serviços técnico-profissionais.
Segundo a especialista, a classificação depende da atividade exercida pelo dirigente.
“O serviço técnico-profissional normalmente é uma rubrica utilizada para o pagamento de uma especialidade, como contabilidade, consultoria ou advocacia. Se o dirigente prestar algum tipo de serviço ao partido político, ele pode ser remunerado”, explica.
Schlickmann afirma ainda que a legislação limita as despesas com pessoal das direções nacionais a 50% dos recursos recebidos do Fundo Partidário. Para os diretórios estaduais e municipais, o limite é de 60%.
Sobre o fato de alguns presidentes aparecerem com pagamentos e outros não, a especialista explica que a diferença pode estar relacionada às funções exercidas dentro das legendas.
“Muito possivelmente, alguns exercem funções administrativas dentro do partido político e outros não. Por essa razão, são remunerados ou não”, afirma.
Veja os valores pagos a cada presidente:
Infográfico detalha quanto dez presidentes nacionais de partidos receberam em 2025 e mostra que 96% dos pagamentos vieram do Fundo Partidário.
Editoria de Arte/g1
Os valores nem sempre são classificados como “salário” nas prestações de contas.
Ao todo, os pagamentos se concentram em duas rubricas. “Pessoal” soma R$ 1,54 milhão, o equivalente a 52,3% do total, e cobre itens como salários, 13º e férias. Essa categoria foi usada, entre outros, para os pagamentos a Carlos Lupi (PDT), José Luiz de França Penna (PV) e Ovasco Resende (PRD).
A segunda rubrica é “Serviços técnico-profissionais”, com R$ 1,41 milhão, ou 47,7% dos recursos. Na maioria dos casos, ela remunera o dirigente do partido como prestador de serviço pessoa física. É o caso, por exemplo, de Renata Hellmeister de Abreu (Podemos), Valdemar Costa Neto (PL) e do próprio Ovasco Resende, que também recebeu valores nessa categoria.
A origem desses pagamentos é, em sua maioria, o Fundo Partidário. No entanto, alguns dirigentes receberam a partir da fonte descrita como “outros recursos”, como Leonardo Péricles, do UP.
De acordo com Flávio de Leão Bastos, professor de Direito Eleitoral da Universidade Presbiteriana Mackenzie, há uma conta prevista pela lei eleitoral e que faz referência “às sobras financeiras de campanhas recebidas de candidatos, ou seja, é o saldo positivo entre o que o candidato arrecadou e o que gastou, e que é devolvido ao partido depois da eleição”. Isso é definido como “outros recursos” na prestação de contas anual dos partidos.
Bastos explica que os “outros recursos” também incluem aqueles “decorrentes de alienação ou locação de bens imóveis, produtos próprios do partido político, comercialização de bens e produtos, realização de eventos de arrecadação, ou empréstimos contraídos a bancos, a instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central”.
Presidente do PRD recebeu R$ 630,5 mil no ano
Presidente do PRD, Ovasco Roma Altimari Resende
Reprodução/Instagram
O Partido da Renovação Democrática (PRD) declarou R$ 630,5 mil em pagamentos a Ovasco Roma Altimari Resende em 2025. Dividido pelos 12 meses do ano, isso significa que o dirigente ganhou R$ 52,5 mil por mês.
Imagem mostra registros no SPCA de pagamento a Ovasco (PSD) em 2025.
Reprodução
Presidente nacional da sigla desde a criação dela, em 2023, Ovasco recebeu R$ 288,8 mil classificados como salários e ordenados e outros R$ 341,8 mil registrados como pagamentos por serviços técnico-profissionais.
Todo o valor foi bancado com recursos do Fundo Partidário.
O PRD surgiu da fusão entre o PTB e o Patriota, aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral em novembro de 2023.
Imagem mostra comprovante bancário de pagamento a Ovasco (PRD) em 2025.
Reprodução
O Diretório Nacional do PRD declarou R$ 42,6 milhões em despesas em 2025. Os valores pagos a Ovasco Resende representaram 1,38% desse total.
Ao g1, Ovasco afirmou que atua há 23 anos na direção partidária e que atualmente é responsável pela gestão da estrutura nacional do PRD, da fundação ligada à legenda e do diretório de São Paulo. Segundo ele, o trabalho envolve a coordenação das áreas jurídica, contábil e de comunicação, o acompanhamento dos diretórios estaduais e viagens pelo país.
“É um dinamismo do dia a dia e não tem rotina. Tem um corpo jurídico, contábil, comunicação, enfim, todo um aparato que apoia a administração do partido. E tem o gestor que organiza, representa, cobra e anda o Brasil inteiro”, afirmou.
O dirigente disse ainda que também preside a federação formada pelo PRD e pelo Solidariedade e que administra estruturas herdadas das sucessivas fusões e incorporações que deram origem à legenda. Segundo Ovasco, ele responde atualmente por cerca de 3,6 mil processos relacionados ao partido.
“Como presidente do partido, eu respondo por 3.600 processos. Eu assumo toda a responsabilidade e a organização disso. Então, não tem parada”, disse.
Ovasco afirmou que começou a receber pró-labore em 2008, no valor de R$ 6 mil, após decisão da Executiva Nacional do então PRP. Segundo ele, o pagamento foi instituído depois que deixou outras atividades para se dedicar à administração partidária e continuou sendo feito ao longo das mudanças na estrutura da legenda.
“Eu abdiquei da minha posição e de tudo mais para poder cuidar do partido. Então, isso foi decidido pela Executiva Nacional. É um pró-labore para a gente poder, pelo menos, se manter nas organizações”, afirmou.
As duas legendas que deram origem ao PRD em 2023, o PTB e o Patriota, não haviam atingido individualmente a cláusula de desempenho nas eleições de 2022, que condiciona o acesso ao Fundo Partidário e ao tempo gratuito de rádio e televisão.
Na Câmara dos Deputados, o PRD tem atualmente três parlamentares em exercício: Fernando Rodolfo, de Pernambuco; Fred Costa, de Minas Gerais; e Marreca Filho, do Maranhão.
No Rio de Janeiro, a legenda é representada na Assembleia Legislativa por Val Ceasa, nome político de Roosevelt Barreto Barcelos. Comerciante ligado à Ceasa, ele foi vereador da capital fluminense e está no segundo mandato como deputado estadual, após ser eleito em 2018 pelo Patriota e reeleito em 2022. Em junho de 2026, foi alvo de uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio que investiga suspeitas de ligação de agentes públicos com a facção Terceiro Comando Puro. O deputado afirmou ser vítima de perseguição política.
Em Goiás, quando o PRD começou a atuar após a fusão, a bancada estadual era formada por Veter Martins e Cristóvão Tormin. Veter Martins, eleito pelo Patriota, posteriormente deixou o PRD e passou para o PSB. Cristóvão Tormin, advogado e produtor rural, foi eleito pelo Patriota em 2022 e permaneceu no PRD após a fusão.
Para as eleições de 2026, Ovasco afirma que a prioridade da federação entre PRD e Solidariedade é superar a cláusula de desempenho, além de ampliar o tempo de televisão, os recursos disponíveis e a representação parlamentar.
Segundo ele, a federação dividiu o país entre seus dirigentes para intensificar as articulações nos estados e atrair novos candidatos.
“Hoje nós temos chances reais de cumprir essa cláusula de barreira tranquilamente. Vamos crescer muito nessas eleições e estamos sendo muito procurados em nível nacional”, afirmou.
Em 2025, Penna recebeu R$ 501,4 mil pagos com o Fundo Partidário
José Luiz Penna, presidente do PV
Guilherme Mazui/G1
O Partido Verde pagou o montante de R$ 501,4 mil ao presidente nacional da legenda, José Luiz Penna, em 2025.
Imagem mostra registros no SPCA a Penna (PV) em 2025.
Reprodução
Foram declarados 16 pagamentos ao líder do partido, todos com origem no Fundo Partidário. As despesas variaram entre R$ 10 mil e R$ 47,8 mil por mês durante o ano de 2025, classificados como despesas de salário, 13º e férias.
Imagem mostra comprovante bancário de pagamento a Penna (PV) em 2025.
Reprodução
Em nota, o PV informou que submete “à apreciação de sua Executiva Nacional os valores pagos ao presidente da legenda, José Luiz Penna. A medida integra os procedimentos internos de transparência e governança adotados pelo PV”.
O Diretório Nacional do PV declarou R$ 12,9 milhões em despesas em 2025. Os valores pagos a José Luiz Penna representaram 4,65% desse total.
Valdemar recebeu R$ 404,7 mil por serviços profissionais
Presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto
Beto Barata/PL/Divulgação
No PL, Valdemar Costa Neto recebeu R$ 404,7 mil por serviços técnico-profissionais prestados ao partido.
Foram 12 pagamentos ao longo do ano, com valores mensais entre R$ 32,1 mil e R$ 33,9 mil. Todo o dinheiro saiu do Fundo Partidário.
Imagem mostra registros no SPCA e comprovante bancário de pagamento a Valdemar (PL) em 2025.
Reprodução
O PL não registrou os repasses na categoria de salários, mas como “outros serviços técnicos e profissionais”.
O Diretório Nacional do PL declarou R$ 155 milhões em despesas em 2025. Os valores pagos a Valdemar Costa Neto representaram 0,41% desse total.
No mesmo período, o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu R$ 460,2 mil, equivalentes a 0,46% das despesas da legenda, enquanto Michelle Bolsonaro recebeu R$ 411 mil, ou 0,41% do total.
Procurado pelo g1, o PL não respondeu até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.
Novo pagou R$ 337 mil em salários
Eduardo Ribeiro, presidente do partido Novo.
Divulgação/Novo
O Novo declarou R$ 337 mil em salários e ordenados para Eduardo Ribeiro em 2025.
Imagem mostra registros no SPCA a Eduardo (Novo) em 2025.
Reprodução
Os pagamentos foram feitos entre janeiro e outubro e ficaram, em geral, próximos de R$ 33,9 mil por mês. Todo o valor também saiu do Fundo Partidário.
Imagem mostra comprovante bancário de pagamento a Eduardo (Novo) em 2025.
Reprodução
A prestação de contas registra ainda uma devolução de R$ 200 em nome de Eduardo Ribeiro, paga com outros recursos. Como o lançamento foi classificado como receita devolvida, ele não foi incluído no valor de remuneração.
Ao todo, o Diretório Nacional do Novo declarou R$ 34,2 milhões em despesas em 2025. Os R$ 337 mil pagos a Eduardo Ribeiro representaram 1,56% desse total.
Em nota, o Novo afirmou que passou a exigir dedicação exclusiva de seus dirigentes em 2023, substituindo o modelo voluntário adotado anteriormente. Segundo o partido, a remuneração da direção nacional é prevista e aprovada pela Convenção Nacional.
A legenda atribuiu à profissionalização da gestão o crescimento do número de filiados e da representação eleitoral do partido.
“O Novo mais que dobrou o número de filiados, ampliou em mais de dez vezes sua representação eletiva e chega às eleições de 2026 com suas maiores nominatas e candidatura própria à Presidência da República”, diz nota do partido.
Renata Abreu recebeu R$ 322,1 mil
Deputada Renata Abreu (Pode-SP).
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
A presidente do Podemos, Renata Abreu, recebeu R$ 322,1 mil em pagamentos classificados como serviços técnico-profissionais.
Os repasses foram feitos ao longo de 2025 e começaram em R$ 25 mil mensais, chegando a R$ 32,3 mil nos últimos meses do ano.
Imagem mostra registros no SPCA e comprovante bancário de pagamento a Renata (Podemos) em 2025.
Reprodução
Todo o montante veio do Fundo Partidário.
O Diretório Nacional do Podemos declarou R$ 58,6 milhões em despesas em 2025. Os R$ 322,1 mil pagos a Renata Abreu representaram 0,69% desse total.
Procurado pelo g1, o Podemos não respondeu até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
PDT pagou R$ 270 mil a Carlos Lupi
Lula (PT) durante coletiva com Carlos Lupi, presidente do PDT
Reprodução
Carlos Lupi recebeu R$ 270 mil do PDT entre maio e dezembro.
Os pagamentos foram classificados como “outras despesas com pessoal” e bancados integralmente com recursos do Fundo Partidário.
Os repasses foram, em geral, de R$ 30 mil por mês. Em agosto, o partido declarou um pagamento de R$ 45 mil. Em dezembro, foram registrados dois repasses, de R$ 15 mil e R$ 30 mil.
Além da remuneração, o PDT declarou R$ 6,2 mil em despesas de transporte e viagens no nome de Lupi. Como esses valores não correspondem necessariamente a pagamentos pelo trabalho do dirigente, eles não foram incluídos no ranking.
Ao todo, o Diretório Nacional do PDT declarou R$ 39,1 milhões em despesas em 2025. Os valores pagos a Carlos Lupi representaram 0,73% desse total.
Em nota, a sigla afirmou que a remuneração de Carlos Lupi é definida pela Executiva Nacional da legenda, conforme o estatuto partidário e as atividades inerentes ao cargo.
“A Executiva Nacional do PDT estabelece a remuneração conforme o estatuto, no artigo 31, e as atividades inerentes aos cargos”, diz nota do partido.
Edinho teve pagamentos e despesas com imóvel e alimentação
Edinho Silva, presidente nacional do PT
Reprodução/ TV Globo
No caso do presidente do PT, Edinho Silva, a prestação de contas registrou R$ 239,4 mil em diferentes despesas no nome do dirigente entre agosto e dezembro de 2025. Neste período, ele recebeu entre R$ 30 a R$ 38 mil mensais. Edinho foi eleito presidente da legenda em julho do ano passado.
Desse total, R$ 191 mil foram classificados como serviços técnico-profissionais, e R$ 10 mil, como despesas com pessoal.
Os R$ 201 mil foram considerados no levantamento como pagamentos relacionados ao trabalho prestado ao partido.
Do total, R$ 122,4 mil foram pagos com recursos do Fundo Partidário. Os outros R$ 78,6 mil saíram de outras fontes do PT.
Imagem mostra registros no SPCA e comprovante de pagamento a Edson Antonio da Silva em 2025.
Reprodução
A prestação de contas também registra R$ 38,4 mil em outras despesas no nome de Edinho, incluindo:
R$ 26,8 mil com aluguel de imóvel;
R$ 5,6 mil com condomínio;
R$ 3,4 mil com alimentação;
R$ 2,1 mil com IPTU;
R$ 484 com seguro.
Esses R$ 38,4 mil foram pagos com outros recursos do partido e não foram incluídos no ranking, pois não representam necessariamente remuneração pessoal.
Em nota, o PT afirmou que os pagamentos e reembolsos feitos a Edinho Silva seguem as normas da Justiça Eleitoral. Segundo o partido, o presidente nacional exerce atividades institucionais no Brasil e no exterior, e as despesas relacionadas a essas atribuições são registradas na prestação de contas anual da legenda.
“Os reembolsos referem-se às despesas realizadas no exercício dessas atribuições e são efetuados de forma regular, transparente e devidamente registrados na prestação de contas anual do partido”, diz nota do PT.
Ao todo, o Diretório Nacional do PT declarou R$ 182 milhões em despesas em 2025. Os valores pagos a Edinho Silva representaram 0,19% desse total.
PSOL pagou R$ 146,8 mil a Paula Coradi
Paula Coradi, presidente nacional do PSOL, e o ministro Alexandre Padilha tirando foto com apoiador de Guilherme Boulos (PSOL)
Renata Bitar/g1
A presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, recebeu R$ 146,8 mil durante o ano. Foram declarados doze pagamentos para a dirigente, sendo onze de R$ 11,3 mil e um de R$ 22,6 mil em dezembro.
Os pagamentos foram registrados como serviços técnico-profissionais e bancados integralmente pelo Fundo Partidário.
Imagem mostra registros no SPCA e recibo de pagamento a Paula Coradi em 2025.
Reprodução
Em nota, o PSOL afirmou que Paula Coradi é remunerada por sua atuação em tempo integral como presidente da legenda. Segundo o partido, o pagamento é feito como autônoma para permitir a retenção do Imposto de Renda e o recolhimento previdenciário.
A sigla disse ainda que os valores são lançados na categoria de serviços técnico-profissionais porque o sistema do TSE não teria uma classificação específica para a remuneração de dirigentes partidários.
“Como não há vínculo trabalhista regido pela CLT para dirigentes partidários, também não é adequado classificar essas remunerações como despesas com pessoal”, diz nota da sigla.
Ao todo, o Diretório Nacional do PSOL declarou R$ 48,9 milhões em despesas em 2025. Os R$ 146,8 mil pagos a Paula Coradi representaram 0,43% desse total.
Rede e UP registraram despesas com pessoal
Paulo Lamac, presidente da Rede
Guilherme Bergamini/ALMG
A Rede declarou R$ 95,5 mil em salários e ordenados pagos ao presidente nacional da legenda, Paulo Lamac em 2025, R$ 15 mil por mês. Todo o valor veio do Fundo Partidário.
Em nota, a Rede Sustentabilidade afirmou que a remuneração decorre de funções executivas exercidas pelos dirigentes em favor do partido. Segundo a legenda, os valores e critérios foram aprovados pela Executiva Nacional na gestão anterior e mantidos pela atual direção.
“A atual gestão manteve os mesmos critérios e valores anteriormente estabelecidos, não tendo promovido qualquer ampliação ou alteração dos parâmetros remuneratórios então aprovados”, diz nota da Rede.
O Diretório Nacional da Rede declarou R$ 13,8 milhões em despesas em 2025. Os R$ 95,5 mil pagos a Paulo Lamac representaram 0,82% desse total.
Imagem mostra registros no SPCA e comprovante bancário de pagamento a Paulo Lamac em 2025.
Reprodução
Já a Unidade Popular registrou R$ 39,3 mil em outras despesas com pessoal para Leonardo Péricles.
No caso da UP, os pagamentos foram feitos integralmente com outros recursos do partido, sem uso do Fundo Partidário. Os valores variaram de R$ 99 a R$ 3.300 por mês.
O Diretório Nacional da Unidade Popular declarou R$ 112,4 mil em despesas em 2025. Os R$ 39,3 mil pagos a Leonardo Péricles representaram 35% desse total.
Imagem mostra registros no SPCA e ata descrevendo pagamentos a Leonardo Péricles em 2025.
Reprodução
Em nota, a Unidade Popular explicou que os filiados contribuem com os diretórios estaduais, que repassam à direção nacional um valor calculado de acordo com o número de filiados de cada estado. O Diretório Nacional administra esses recursos para custear as despesas da legenda.
“Contamos com muito orgulho com o apoio do povo e de nossos filiados para existirmos. São contribuições e doações de pessoas físicas, comprometidas com nosso programa e nossas lutas”, diz nota da UP.
Leonardo Péricles, presidente do partido Unidade Popular
Manu Coelho/Divulgação
Reembolsos e pagamentos a escritório ficaram fora do ranking
O levantamento também encontrou R$ 725 em despesas no nome do presidente do Avante, Luis Henrique Resende.
Os valores, bancados pelo Fundo Partidário, foram destinados ao reembolso de gastos com combustíveis. Por isso, não foram classificados como remuneração.
O Diretório Nacional do Avante declarou R$ 19,7 milhões em despesas em 2025. Os R$ 725 registrados em nome de Luis Henrique Resende representaram 0% desse total.
Procurado pelo g1, o Avante não respondeu até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.
No Agir, foram identificados R$ 249,2 mil pagos à Daniel Tourinho Sociedade Individual de Advocacia, empresa ligada ao presidente nacional da sigla, Daniel Tourinho.
Os pagamentos foram registrados como adiantamentos a fornecedores e bancados com outros recursos do partido.
O Diretório Nacional do Agir declarou R$ 826 mil em despesas em 2025. Os R$ 249,2 mil pagos à Daniel Tourinho Sociedade Individual de Advocacia representaram 30,47% desse total e colocaram o escritório no topo da lista de despesas da legenda.
Como o dinheiro foi destinado a uma pessoa jurídica e a prestação de contas não permite afirmar que os valores correspondem à remuneração pessoal do presidente, o montante também não foi incluído no ranking.
Em nota, o Agir afirmou que os valores pagos ao escritório Daniel Tourinho Sociedade Individual de Advocacia correspondem exclusivamente à prestação de serviços advocatícios e de assessoria jurídica especializada, regularmente contratados e registrados na prestação de contas.
“Os honorários advocatícios foram integralmente pagos com recursos privados, provenientes de doações e contribuições destinadas ao partido, em estrita observância à legislação eleitoral e às normas de prestação de contas”, diz nota da sigla.
Como o levantamento foi feito
O g1 consultou as prestações de contas anuais de 2025 das direções nacionais dos 30 partidos registrados no TSE.
A busca foi feita pelos nomes completos dos atuais presidentes nacionais e considerou os valores efetivamente pagos, e não apenas despesas contratadas ou declaradas.
Para o ranking, foram somados pagamentos classificados como salários, férias, 13º salário, outras despesas com pessoal e serviços técnico-profissionais prestados diretamente pelos dirigentes.
Reembolsos de viagens, combustíveis, alimentação, aluguel, condomínio, tributos, seguros e outros gastos foram apresentados separadamente e não entraram no ranking.
Também não foram incluídos pagamentos a pessoas jurídicas ligadas aos dirigentes quando a prestação de contas não permitia afirmar que o dinheiro correspondia à remuneração pessoal do presidente.
Para 18 dos 30 presidentes nacionais, o g1 não encontrou pagamentos diretamente associados aos nomes pesquisados nas contas das direções nacionais.
A ausência do nome na base, porém, não significa necessariamente que os dirigentes não tenham recebido recursos. Despesas podem ter sido registradas em nome de empresas, escritórios ou outros fornecedores vinculados a eles.

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