“Temos óleo de boa qualidade, como vem sendo de praxe no poço Morpho”, afirmou Chambriard. “Tal como anunciamos na descoberta de agosto e como estou mostrando para vocês neste tubinho”, acrescentou, exibindo uma amostra da substância coletada há pouco mais de um mês.
Infográfico mostra o local em que a Petrobras atua para explorar petróleo na bacia da Foz do Amazonas. — Foto: Arte/g1
Chambriard explicou que um mesmo poço pode produzir petróleo em mais de uma camada de solo e que, conforme a perfuração avança, podem ser encontradas novas camadas, com substâncias de características distintas. “Elas podem ter petróleo, inclusive de qualidades diferentes”, disse.
“O que nós temos no poço Morpho é algo semelhante a isso. Nós temos, até agora, petróleo em duas profundidades diferentes”, afirmou Chambriard, referindo-se à nova descoberta e à camada encontrada em agosto.
A executiva não descartou novas descobertas no poço. “Ainda há resultados possíveis de acontecer. Eu não posso dizer que não vai haver e também não posso dizer que vai haver”, declarou.
A nova área com petróleo identificada pela Petrobras fica em águas ultraprofundas, sob uma lâmina d’água de cerca de 2,9 quilômetros de profundidade. O achado, porém, ainda não garante a extração do recurso. A empresa terá de avaliar o volume existente e a viabilidade comercial da exploração.
A presidente da empresa afirmou que informações técnicas sobre profundidade, espessura dos reservatórios e características do óleo permanecem sob sigilo.
“Profundidade, API do óleo [indicador da qualidade e da densidade do petróleo] e espessura do reservatório estão protegidos por sigilo regulatório pelos próximos dois anos”, declarou Chambriard.
Ainda segundo a executiva, a previsão é que os trabalhos no Morpho sigam até o fim deste mês. “Acreditamos que, até o final de outubro, vamos desmobilizar a sonda [de perfuração] e mandar para o litoral do Rio Grande do Norte, onde ela vai perfurar o prospecto Mãe de Ouro“, afirmou.
Magda Chambriard, presidente da Petrobras, durante coletiva de imprensa sobre os resultados financeiros de 2024 — Foto: Rafa Pereira / Petrobras
Exploração pela Petrobras
A exploração da área é estratégica para a petroleira porque a produção do pré-sal, hoje uma das principais fontes de petróleo da companhia, deve atingir o pico entre 2034 e 2035 e começar a recuar depois disso. Assim, a busca por novas fronteiras exploratórias pode repor parte da produção futura.
A Petrobras confirmou a descoberta no poço Morpho em agosto, após identificar indícios de hidrocarbonetos durante a perfuração. Na ocasião, a empresa ainda precisava realizar análises adicionais para confirmar a presença de petróleo e avaliar o potencial da área.
A próxima etapa é determinar o tamanho da possível reserva. Para isso, a Petrobras precisa concluir a perfuração e realizar estudos adicionais para estimar quanto petróleo existe no local e se a exploração comercial é viável.
O avanço da exploração também depende do licenciamento ambiental. A Petrobras pediu autorização ao Ibama para perfurar novos poços na Margem Equatorial.
No bloco FZA-M-59, o processo prevê um poço principal e três contingentes. A licença concedida em outubro de 2025 autoriza a perfuração do Morpho, enquanto os demais ainda dependem da análise do órgão ambiental.
A exploração da região é alvo de debate ambiental. Cientistas, organizações não governamentais e entidades ambientalistas apontam possíveis impactos sobre ecossistemas como recifes e manguezais, além de riscos para a pesca artesanal e comunidades tradicionais.
Também há debate sobre como novos investimentos em petróleo se relacionam com a transição para fontes de energia com menor emissão de carbono.
Assim, embora a descoberta amplie as perspectivas de novas reservas para a Petrobras, o avanço da exploração na região continua condicionado às avaliações técnicas e ao cumprimento das exigências do licenciamento ambiental.