Início » Presidente da Nissan defende taxa para carros chineses no Brasil | G1

Presidente da Nissan defende taxa para carros chineses no Brasil | G1

por Redação
presidente-da-nissan-defende-taxa-para-carros-chineses-no-brasil-|-g1

“No fim das contas, o governo brasileiro precisa proteger a indústria no Brasil, as pessoas que trabalham no Brasil e a cadeia de suprimentos no Brasil”, disse Meunier, em entrevista a um grupo de jornalistas brasileiros do qual o g1 fez parte.

“Não faz sentido permitir que carros importados sejam despejados no Brasil e compitam com os carros produzidos localmente.”

A medida não impacta as relações mexicanas para o Brasil no setor automotivo. Os produtos seguem isentos de taxas, conforme o acordo ACE-55, firmado em 2002 entre o México e o Mercosul.

Para os demais, as tarifas variam conforme o tipo de produto e vão de 5% a 50%, atingindo 1.463 itens de 17 setores. Entre eles estão carros e autopeças, vestuário, plásticos, produtos siderúrgicos e eletrodomésticos, com foco em países com os quais o México não tem acordos comerciais firmados.

“Há a necessidade de eles [o México] reagirem a isso: ‘Ok, se você produzir um certo volume de carros no México, então estará isento para alguns carros que importar da China; mas, se não produzir no México, terá de pagar uma tarifa de 50%’. E eu acho que o Brasil deveria fazer o mesmo”, disse o executivo.

Fábrica da Nissan em Resende (RJ) — Foto: Divulgação/Nissan

Meunier afirma que a localização da produção é parte importante do negócio da Nissan. Ele relembrou a experiência anterior na Stellantis, onde foi presidente global da Jeep e integrou o comitê executivo do grupo, que também reúne a Fiat.

“A força da Fiat e da Jeep é ser local. É isso que estamos fazendo sob a minha liderança: localizar o máximo possível. E localizar não significa apenas produzir, mas também ter peças fabricadas no Brasil. Esse é o segredo para ser bem-sucedido aqui”, afirma Meunier.

A Nissan mantém uma fábrica no Brasil desde 2014, em Resende (RJ). No complexo industrial, a marca produz modelos como os SUVs Kicks e Kait.

Os sedãs Versa e Sentra, além da picape Frontier, continuam sendo importados do México. Ainda assim, a Nissan enxerga a fábrica de Resende como um polo de exportação, com foco em países vizinhos. Para isso, investiu recentemente R$ 2,8 bilhões na planta brasileira.

Parte desse investimento foi destinada ao desenvolvimento e à produção do novo Nissan Kait. Além de abastecer o mercado brasileiro, a Nissan também produz o SUV para mais de 20 países da América Latina.

Nissan Kait é um Kicks Play evoluído para peitar VW Tera, Fiat Pulse e Renault Kardian

Nissan Kait é um Kicks Play evoluído para peitar VW Tera, Fiat Pulse e Renault Kardian

Expansão local ocorre em meio a cortes profundos

A Nissan passa por uma reestruturação profunda, que incluiu a troca da equipe de diretores globais. Segundo Meunier, a mudança busca resgatar o “espírito de luta” da marca.

“Basicamente, toda a equipe executiva mudou, e isso era necessário. Era necessário porque eu acho que a empresa se perdeu por um período, e uma nova energia era exigida para recuperar a força e o espírito de luta da Nissan”, disse o presidente.

Segundo o executivo, o plano tem foco em eficiência, redução de custos fixos e variáveis e melhor aproveitamento dos mercados estratégicos.

Na região das Américas, a empresa conseguiu reduzir US$ 1 bilhão em custos fixos e outros US$ 1 bilhão em custos variáveis entre os anos fiscais de 2024 e 2025.

Os custos fixos incluem despesas com fábricas, pessoal, programas e publicidade, enquanto os custos variáveis estão diretamente ligados à produção dos veículos, como peças e insumos.

De acordo com Meunier, a redução de custos ocorreu a partir de alguns pontos-chave:

  • Redução do volume global de produção: o executivo afirma que a fabricação anual caiu de 5,5 milhões para 3,2 milhões de veículos nos últimos seis anos;
  • Redução no tempo de desenvolvimento de veículos: a Nissan vem encurtando o ciclo de criação de novos produtos de seis anos para 38 meses, o que reduz significativamente os custos de engenharia e de mão de obra;
  • Localização da produção: conhecida como “produzir onde se vende”, a estratégia foi essencial para reduzir riscos ligados a tarifas e variações cambiais, além de melhorar a logística. Nos EUA, por exemplo, a produção local passou de 44% para 65% em apenas um ano.

Nissan sofre para crescer no Brasil

A Nissan mantém desempenho praticamente estável desde 2020, quando respondeu por 3,13% dos emplacamentos de veículos zero km no Brasil. Em 2025, a participação da marca fechou em 3,05%. Os dados são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

O cenário poderia ser considerado positivo, não fosse o fato de a Nissan ter sido superada por Honda e BYD em 2024 — movimento que se manteve nos dados de janeiro deste ano, com os seguintes números de emplacamentos:

  • BYD: 6,03% das vendas, com 9.801 emplacamentos;
  • Honda: 4,14% das vendas, com 6.722 emplacamentos;
  • Nissan: 2,81% das vendas, com 4.559 emplacamentos.
  1. Volkswagen T-Cross: 92.837 emplacamentos;
  2. Hyundai Creta: 76.156 emplacamentos;
  3. Jeep Compass: 61.227 emplacamentos;
  4. Honda HR-V: 61.227 emplacamentos;
  5. Chevrolet Tracker: 60.867 emplacamentos;
  6. Toyota Corolla Cross: 59.674 emplacamentos;
  7. Nissan Kicks: 58.388 emplacamentos.

Novo Nissan Kicks: saiba o que há de bom e ruim no lançamento

Novo Nissan Kicks: saiba o que há de bom e ruim no lançamento

você pode gostar

SAIBA QUEM SOMOS

Somos um dos maiores portais de noticias de toda nossa região, estamos focados em levar as melhores noticias até você, para que fique sempre atualizado com os acontecimentos do momento.

CONTATOS

noticias recentes

as mais lidas

Jornal de Minas © Todos direitos reservados à Tv Betim Ltda®