Prejuízo da Americanas quase triplica no 2º tri para R$ 274 milhões | G1

Prejuízo da Americanas quase triplica no 2º tri para R$ 274 milhões | G1

O resultado representa uma melhora em relação aos primeiros três meses do ano, quando a companhia reportou perdas de R$ 329 milhões. Mas ainda é mais do que o dobro — quase o triplo — do prejuízo apresentado no mesmo trimestre de 2025, de R$ 98 milhões.

Em relatório divulgado na véspera, a varejista afirmou que entrou em um “novo ciclo estratégico”.

“Estamos construindo uma nova Americanas, com mais clareza sobre o futuro, o papel que desejamos ocupar na vida dos milhões de clientes e o que vai nos levar até lá: disciplina financeira a partir do resultado operacional”, afirmou a administração da empresa no documento.

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O resultado operacional, medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (conhecido no jargão do mercado como Ebitda), foi de R$ 145 milhões no segundo trimestre do período, valor 51,5% menor do que os R$ 299 milhões vistos no mesmo período do ano passado.

Já a receita líquida somou R$ 3,3 bilhões no segundo trimestre, uma queda de 1,7% na mesma base de comparação.

As vendas em mesmas lojas (SSS) caíram 0,6% no segundo trimestre, segundo os dados divulgados pela companhia.

O recuo veio mesmo com os eventos sazonais dos últimos meses, como a Páscoa, a Copa do Mundo e as vendas de produtos de inverno.

Relembre o caso

Segundo a companhia, os valores referentes aos primeiros nove meses de 2022 e a exercícios anteriores não haviam sido registrados de forma adequada.

À época, o então presidente Sergio Rial deixou o cargo apenas nove dias após assumir a função, assim como o diretor financeiro André Covre.

Na ocasião, a empresa informou que havia detectado operações de financiamento de compras em valores da mesma ordem de grandeza, nas quais era devedora perante instituições financeiras, mas que não estavam adequadamente refletidas nas demonstrações financeiras.

Ao final do pregão, as ações acumulavam queda de 77,33%, uma das maiores perdas diárias já registradas por uma empresa de capital aberto no Brasil.

Naquele momento, Sergio Rial afirmou que o problema não se referia a valores inexistentes, mas sim a registros contábeis feitos de forma inadequada ao longo dos anos. Ele também explicou que a origem das inconsistências estava nas operações de risco sacado.

  • 🔎 O risco sacado é uma modalidade comum no varejo em que uma instituição financeira antecipa o pagamento devido a fornecedores e passa a ser credora da empresa. No caso das Americanas essas obrigações não apareciam corretamente nos balanços, o que fazia reduzir artificialmente o endividamento da companhia.

As investigações também apontam irregularidades envolvendo verbas de propaganda cooperada (VPCs), incentivos comerciais concedidos por fornecedores ao varejo.

A decisão buscava impedir que credores esgotassem rapidamente os ativos da companhia e preservasse sua atividade econômica.

Na mesma época, também vieram à tona informações de que executivos haviam vendido aproximadamente R$ 212 milhões em ações da empresa durante o segundo semestre de 2022, levantando suspeitas de uso de informação privilegiada.

Posteriormente, a recuperação judicial tornou-se uma das maiores da história empresarial brasileira, envolvendo dívidas superiores a R$ 50 bilhões.

Em março de 2026, a companhia informou que havia cumprido as obrigações previstas no plano de recuperação judicial com vencimento até dois anos após sua homologação e protocolou o pedido de encerramento do processo. A Justiça aceitou o encerramento, marcando a saída formal da empresa da recuperação judicial.

*Com informações da agência de notícias Reuters.

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