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“Após o término do meu mandato como presidente, continuarei a atuar como diretor por um período a ser determinado”, afirmou, acrescentando que pretende manter “um perfil discreto” no cargo.
Esta foi a última reunião em que o Fed definiu os juros com Powell à frente da instituição, após oito anos no cargo.
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A expectativa é que o economista Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump, esteja no comando do Fed já na próxima reunião, marcada para os dias 16 e 17 de junho.
O nome de Warsh foi aprovado por um comitê do Senado nesta quarta, antes de seguir para votação no plenário.
“Só existe um presidente do conselho do Federal Reserve. Quando Kevin Warsh for confirmado e tomar posse, ele será o presidente”, afirmou Powell, reforçando que a intenção dele não é “interferir” na liderança.
A afirmação tem um contexto: é praxe que presidentes do Fed também deixem o cargo de diretor ao fim do mandato. Neste caso, a decisão de Powell foge ao padrão.
O atual presidente do BC tem mandato na instituição até 2028 e, portanto, pode seguir na diretoria até o término do governo Trump.
Ao longo dos últimos anos, o presidente dos EUA elevou o tom das críticas a Powell, com xingamentos frequentes como “mula”, “cabeça oca” e “estúpido”.
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Oito anos à frente do Fed
O mandato de Powell na presidência se encerra oficialmente em 15 de maio, após oito anos no cargo.
Sua trajetória foi marcada por grandes choques econômicos, como a pandemia de Covid-19 — que, além das perdas humanitárias, desorganizou a economia global e provocou uma disparada nos preços ao redor do mundo.
Em comum, esses episódios sustentam um ambiente de inflação persistente — dor de cabeça constante para os chefes dos bancos centrais.
- 🔎 O Fed tem um mandato duplo: controlar a inflação e sustentar o mercado de trabalho. Sua principal ferramenta é a taxa de juros. Quando os preços aceleram, o banco central sobe os juros para conter o consumo e o crédito. Quando a economia perde força, a estratégia é reduzir as taxas para estimular a atividade.
Ofensivas de Trump
É nesse contexto que Donald Trump passou a disparar críticas contra Powell. O presidente dos EUA fez sucessivas investidas e pressões públicas para que o Fed reduzisse os juros.
A lógica é simples: juros mais altos encarecem o crédito e reduzem o consumo, o que tende a esfriar a atividade econômica — efeito que pode se traduzir em maior insatisfação dos consumidores e impacto político na popularidade do governo.
Como mostrou o g1, críticas a presidentes de bancos centrais não são exclusividade de Trump. No Brasil, o presidente Lula (PT) também se posicionou contra o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto — ainda que sem o tom de ofensas adotado pelo republicano.
Fim da investigação sobre Powell
A decisão, anunciada pela procuradora federal Jeanine Pirro, elimina um dos fatores que vinham sendo usados como justificativa para travar a confirmação, no Senado, de Kevin Warsh para o comando do banco central.
O senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, chegou a prometer bloquear todas as nomeações para o Fed enquanto o inquérito não fosse encerrado, classificando-o como infundado.
A investigação foi iniciada pelo governo Trump justamente em um momento de escalada da pressão do republicano por cortes nos juros.
Nesta quarta-feira, a previsão é de que o Fed mantenha a taxa básica na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, segundo estimativas do mercado financeiro. A expectativa, agora, se volta aos rumos da política monetária americana após a saída de Powell do comando da instituição.