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Por que setor fez alerta para risco de falta de diesel no Brasil — e o que o governo está fazendo | G1

por Gilberto Cruz
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A nota é assinada pela Fecombustíveis e pelo Sincopetro, que representam o varejo, pela Abicom, que reúne importadoras de petróleo, pela Refina Brasil, que representa refinarias, e pelo Sindicom e BrasilCom, que representam distribuidoras.

No documento, as entidades reconhecem um esforço inicial do governo federal para amenizar a forte alta do diesel, mas afirmam que as medidas anunciadas têm efeito limitado no preço final ao consumidor.

Na semana passada, o presidente Lula anunciou a isenção de impostos federais e uma ajuda financeira (a chamada subvenção) a produtores e importadores de diesel. A previsão é gastar R$ 30 bilhões para reduzir em R$ 0,64 por litro o preço na bomba. Em contrapartida, passou a ser aplicado um imposto sobre a exportação de petróleo.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta que o governo tem uma “série de medidas” que podem ser adotadas, a depender da evolução dos preços dos combustíveis com o desenrolar da guerra. (veja abaixo)

Veja abaixo os principais pontos.

  • 1️⃣ Desconto não chega totalmente ao consumidor

O governo anunciou corte de impostos e ajuda financeira para baratear o diesel. Mas isso vale para o diesel “A” (vendido pelas refinarias). O consumidor compra o diesel “B”, que é uma mistura de 85% diesel A e 15% biodiesel.

Resultado: O desconto não é repassado de forma completa para o preço na bomba.

  • 2️⃣ Aumento da Petrobras reduz o efeito das medidas

A Petrobras aumentou o diesel A em R$ 0,38 por litro na venda para as refinarias. Considerando a mistura, isso gera impacto de cerca de R$ 0,32 por litro no diesel vendido ao consumidor.

Resultado: Parte do alívio dado pelo governo é anulada por esse aumento.

  • 3️⃣ Preços continuam altos em outras vendas

Nos leilões da Petrobras, o diesel está sendo vendido acima do preço de referência das próprias refinarias da empresa.

Resultado: Isso pressiona os custos em toda a cadeia.

  • 4️⃣ Outros custos também pesam no preço final

O valor do diesel não depende só das medidas do governo. Também entram na conta o preço do biodiesel, impostos estaduais (ICMS), custo do transporte, despesas operacionais e origem do combustível (nacional ou importado).

Resultado: o impacto das isenções de impostos federais é limitado.

  • 5️⃣ Parte do mercado segue preços internacionais

Uma parcela importante do diesel vem de refinarias privadas e importadores. Essas empresas seguem os preços do mercado internacional.

Resultado: mesmo com ações do governo, os preços continuam pressionados quando o petróleo sobe no exterior.

  • 6️⃣ Risco de falta de diesel

O setor vê um risco crescente de desabastecimento, principalmente se a Petrobras não alinhar seus preços ao mercado internacional e houver redução ainda maior na oferta de combustível.

Resultado: com menos produto disponível e preços desalinhados, o preço pode ficar ainda mais pressionado.

Corrida contra o tempo

Em meio a uma severa alta dos preços do petróleo por conta da guerra no Oriente Médio, o governo corre contra o tempo para evitar um problema em ano de eleição: um repique da inflação.

A disparada da matéria-prima pressiona diretamente a Petrobras, que é responsável por cerca de 45% do preço final do diesel no Brasil. Com o petróleo mais caro, a empresa precisa decidir entre repassar esse aumento — o que encarece o combustível para o consumidor — ou segurar os preços e reduzir suas margens de lucro.

O governo, então, apelou aos governadores para que cortassem os impostos estaduais sobre os combustíveis. No caso do diesel, o ICMS representa quase 20% do valor final. Seria um desconto extra de cerca de R$ 1,20.

Mas os governadores disseram “não”. O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) afirmou que isentar o ICMS prejudicaria o financiamento de políticas públicas e que cortes no imposto “não costumam ser repassados ao consumidor final”.

“Eu sigo muito confiante que a gente possa avançar, e não avançando, o que seria uma lástima, uma falta de compromisso, a gente iria para outros caminhos para não deixar a população desguarnecida”, disse Dario Durigan, novo ministro da Fazenda.

A preocupação do governo não é à toa. O diesel é um combustível fundamental para a logística da economia brasileira. Quando o preço sobe, o impacto vai dos caminhoneiros ao valor dos alimentos, de produtos industriais e de serviços.

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