Polilaminina é aplicada em morador de Unaí que perdeu movimentos após acidente

Polilaminina é aplicada em morador de Unaí que perdeu movimentos após acidente


Edson Júnior
Arquivo Pessoal
Um morador de Unaí, no Noroeste de Minas Gerais, foi o 102º paciente a receber a polilaminina. A aplicação ocorreu no Hospital Santa Helena.
Edson Júnior, de 43 anos, ficou paraplégico após sofrer um acidente em 4 de junho deste ano na BR-251. A aplicação da substância foi realizada na última quarta-feira (8).
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➡️ A polilaminina é uma proteína derivada da placenta que busca estimular a regeneração de nervos lesionados. O tratamento ganhou notoriedade no Brasil após resultados promissores em estudos com animais e a divulgação de um estudo preliminar, em 2024, promovido pela farmacêutica Cristália, que adquiriu a patente da tecnologia e vem fazendo investimentos milionários. A Cristália investiu mais de R$ 110 milhões no desenvolvimento da polilaminina.
Polilaminina: a esperança no centro de uma corrida na Justiça
“É um paciente com lesão medular grave, com uma paraplegia total. Essa aplicação foi feita sem nenhuma intercorrência. A partir deste momento, o que vamos fazer é o acompanhamento desse paciente para ver se ele vai ter a reversão motora que a gente espera”, disse o pesquisador Arthur Luiz Freitas Forte.
O especialista integra a equipe da pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), criadora da substância.
De acordo com Michele Gross, esposa de Edson, ele teve uma fratura na vértebra 8 da coluna. Ela já conhecia a polilaminina e sabia que o ideal seria que a aplicação fosse realizada em até 72 horas após o acidente, mas como o marido precisou passar por outra cirurgia, eles priorizaram esse procedimento.
“Logo após a cirurgia, a gente entrou com a solicitação do uso compassivo da medicação e, desde então, fomos encaminhando relatórios médicos para a Anvisa, UFRJ e Cristália.”
No Brasil, existe uma lei que permite o uso compassivo de uma substância. Por essa via, pacientes que têm uma doença para a qual não há outra opção de tratamento podem pedir à Anvisa o uso.
Equipe que atuou no procedimento
Michele Gross
Para conseguir acesso à substância, a família acionou a Justiça. Informações sobre como fazer a solicitação para aplicação podem ser obtidas junto ao laboratório.
“O resultado vai ocorrer progressivamente, vão ser percebidas algumas alterações de sensibilidade, alguma alteração na parte motora; é o que esperamos que aconteça. Esse resultado não ocorre em todos os pacientes, isso é um estudo. Cada paciente que a gente acompanha é um teste para avaliar até onde ele pode evoluir. Esperamos que a melhora ocorra de forma rápida e o mais eficaz possível”, explicou o pesquisador Arthur Luiz Freitas Forte.
O especialista afirmou que as aplicações realizadas demonstram resultados considerados satisfatórios e que, em breve, devem ser divulgados. De acordo com ele, 75% dos pacientes estão tendo reversão parcial do quadro de paralisia.
“A gente espera que ele possa recuperar o máximo de função possível dentro das limitações. Sabemos que é uma lesão grave, temos a expectativa de qualquer ganho, claro, esperando os melhores ganhos possíveis. Sabemos que qualquer ganho que a gente tiver já será muito positivo para ele”, afirmou Michele Gross.
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