Candidata do Agir ao governo de SP, Edjane Lima defende segurança e valorização de policiais em entrevista
Reprodução/TV Vanguarda
Policial Edjane não é mais candidata ao Governo do Estado. O partido Agir, em São Paulo, desistiu da corrida eleitoral sob a justificativa de não ter dinheiro para arcar com a campanha. Edjane nega ter desistido, mas a Justiça Eleitoral indeferiu sua chapa nesta sexta-feira (18) após sua vice apresentar pedido de renúncia e parte da documentação não ser aceita.
Com isso, a candidatura do Agir para o Executivo paulista será cancelada. Cabe recurso ao TSE, mas o partido não recorrerá.
Na última pesquisa Datafolha, de 11 de setembro, Edjane estava com 3% de intenções de voto. Na pesquisa Quaest de 8 de setembro, com 1%. “O que posso afirmar é que me mantive firme em minha decisão, não renunciei, eu tenho princípios e valores”, disse Edjane.
De acordo com as informações prestadas à Justiça Eleitoral, o Agir de São Paulo não recebeu repasses de verbas para a campanha da policial. Segundo a assessoria de Edjane, o Diretório Nacional do partido optou por direcionar os recursos para as campanhas no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. A falta de financiamento é o principal motivo apontado pelo partido para a desistência da candidatura.
“Apesar de na última pesquisa Datafolha (…) termos alcançado 3% (três), sabemos que ganhar a eleição é impossível. Esse projeto é financiado através do esforço coletivo de filiados do Agir. Não foi investido nenhum valor do Fefec (Fundo Especial de Financiamento de Campanha), já que a Direção Nacional do Agir decidiu por investir em campanhas majoritárias em outros estados, em especial Rio de Janeiro e Minas Gerais”, informou a campanha, em nota.
A reportagem procurou o diretório nacional do partido, mas não obteve retorno até o momento.
Desistência de vice e ausência de documentação
Diante da falta de recursos ao financiamento, a vice na chapa de Edjane, Professora Nayr Duarte, apresentou à Justiça Eleitoral um pedido de renúncia, para poder concorrer a deputada. O mesmo expediente já tinha sido adotado pela primeira vice da chapa, Renata Bolsonaro, que agora disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados.
“Oferecemos a opção da Policial Edjane participar da eleição como candidata a deputada federal e a vice Professora Nayr Duarte como candidata a deputada estadual. Somente a Professora Nayr aceitou, renunciando imediatamente para que o mais rápido possível seja legalizada perante ao TRE a sua candidatura a deputada estadual. Já a Policial Edjane recusou a nossa proposta e de forma individual, sem o apoio da direção estadual e nacional, mantém até a presente data a sua candidatura”, informou o diretório paulista.
A renúncia de Nayr foi homologada na última segunda-feira (14) e julgada pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) na tarde desta sexta-feira (18). De acordo com a legislação eleitoral, uma nova substituição só poderia ser feita com pedido até 20 dias antes das eleições, prazo já vencido. O TRE, portanto, sacramentou o indeferimento da candidatura.
Além disso, no mesmo processo, o Ministério Público Federal pediu o indeferimento da candidatura devido à falta de dois documentos obrigatórios, a prova de desincompatibilização da Polícia Militar e a certidão criminal para fins eleitorais. A documentação apresentada foi considerada insuficiente pelo TRE.
Eleições 2026: Confira as propostas da Policial Edjane, do Agir, caso seja eleita
Quem é Edjane
Edjane Lima de Sousa, 49 anos, veio aos 2 anos de Surubim, em Pernambuco, para São Paulo, com seus pais e sete irmãos. Policial Militar, reside em Poá, na região metropolitana de SP. Em 2020, tentou a candidatura de vice-prefeita de São Paulo, mas, após a convenção partidária, foi candidata a vereadora pelo PTB.
Em 2022, Edjane foi candidata a deputada federal pelo PROS e, em 2024, candidata a vereadora pelo PL, em Poá. Leia
A agora ex-candidata atua como policial militar no 32º Batalhão de SP, em Suzano, responsável também pelo patrulhamento de Poá e Ferraz de Vasconcelos. Ela é cabo, a segunda patente na corporação, e está próxima à aposentadoria.
Partido já elegeu Presidente da República
O Agir tem esse nome desde 2022. A legenda foi fundada em 1985 como Partido da Juventude e, durante a maior parte de sua existência, operou sob o nome de PTC (Partido Trabalhista Cristão), entre 2000 e 2021.
Seu período de maior relevância, porém, foi como PRN (Partido da Reconstrução Nacional), pelo qual Fernando Collor se elegeu presidente da República em 1989.
Leia a nota do Agir SP na íntegra:
O Partido AGIR, aqui representado por seu bastante procurador MARCIO BORGES, representante legal do Presidente Estadual JOÃO VITOR DOS REIS SILVA vem esclarecer:
Esta direção, em comum acordo com os demais membros responsáveis pela CONVENÇÃO PARTIDÁRIA realizada em 05/08/2026, decidiu pelo NÃO PROCESSEGUIMENTO da campanha para governadora da POLICIAL EDJANE pelos seguintes motivos:
Quando um partido político do tamanho e representatividade do AGIR e que principalmente, não conta com HORÁRIO ELEITORAL GRATUITO e RECURSOS LIMITADOS, lança uma candidatura majoritária, é para o crescimento do PARTIDO COMO COLETIVO, e não com interesses INDIVIDUAIS.
Apesar de na última pesquisa DATAFOLHA, que serve como base para a maioria dos veículos de comunicação, termos alcançado 3% (três), sabemos que ganhar a eleição é impossível.
Esse projeto é financiado através do esforço coletivo de filiados do AGIR. Não foi investido nenhum valor do FEFEC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha), já que a Direção Nacional do AGIR decidiu por investir em campanhas majoritárias em outros estados, em especial RIO DE JANEIRO e MINAS GERAIS.
Ao decidirmos “abortar” a campanha majoritária, oferecemos a opção da POLICIAL EDJANE participar da eleição como candidata a DEPUTADA FEDERAL e a vice PROFESSORA NAYR DUARTE como candidata a DEPUTADA ESTADUAL. Somente a Professora Nayr aceitou renunciando imediatamente para que o mais rápido possível seja legalizada perante ao TRE a sua candidatura a Deputada Estadual.
Já a POLICIAL EDJANE recusou a nossa proposta e de forma INDIVIDUAL, sem o apoio da direção ESTADUAL e NACIONAL, mantém até a presente data a sua candidatura, buscando apoio entre os candidatos e filiados do AGIR e o que é mais grave, busca APOIO FINANCEIRO através pedido de doação em suas em suas redes sociais, o que caracteriza ESTELIONATO, já que ela sabe que com a RENÚNCIA já HOMOLOGADA pelo TRE-SP, o DRAP DA CAMPANHA MAJORITÁRIA ESTÁ INDEFERIDO.
A POLICIAL EDJANE não é FILIADA ao AGIR, já que na condição de militar, não pode ser filiada a partido político. Por outro lado, não COMUNGA com o pensamento político do AGIR de São Paulo e com isso, as PROPOSTAS DO AGIR para o avanço do Estado de São Paulo não é divulgado por ela em sua campanha. Ela divulga as suas próprias pautas já que é INDIVIDUALISTA.
Assim, sem recursos financeiros, sem um projeto DE GRUPO já que a POLICIAL EDJANE é INDIVIDUALISTA e por não haver tempo legal para a indicação de um novo nome para VICE-GOVERNADOR, a candidatura da POLICIAL EDJANE está inviabilizada e abortada.
São Paulo, 18 de Setembro de 2026
MAIQUEL SANTOS ASSIS
Secretário Geral
MARCIO BORGES
AGIR 36
Policial Edjane deixa corrida ao governo de SP após TRE indeferir chapa por renúncia de vice
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