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PIB em alta, dívida também: o balanço da gestão Haddad em 10 gráficos | G1

por Redação
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Pouco mais de três anos após assumir o Ministério da Fazenda, economistas avaliam que Haddad não avançou em reformas importantes para melhorar a economia no longo prazo. O principal problema foi a dificuldade de controlar os gastos públicos, marcada por revisões e mudanças nas metas.

Nesta reportagem, veja o que os números da economia mostram sobre a passagem de Haddad pelo Ministério da Fazenda.

O calcanhar de Aquiles

Embora Haddad tenha conquistado parte do mercado financeiro no início do mandato — com um discurso focado em melhorar as contas públicas e controlar gastos — seus planos acabaram enfrentando resistências dentro do próprio governo.

“Um dos méritos de Haddad é que ele sempre buscou dialogar com o mercado e com analistas, explicando a agenda econômica e os objetivos do governo”, afirma Alessandra Ribeiro, sócia e diretora de macroeconomia da Tendências Consultoria.

A aprovação do arcabouço fiscal, ainda em 2023, foi um passo importante para mostrar o compromisso do ministro com as contas públicas. Mas o resultado fiscal daquele ano — com déficit de R$ 249 bilhões — acabou pesando na avaliação do mercado.

Segundo o economista-chefe da Warren Investimentos e ex-secretário da Fazenda de São Paulo, Felipe Salto, embora Haddad tenha herdado despesas do governo Bolsonaro (PL) que precisaram ser pagas em 2023, o ministro também tem parte da responsabilidade pelo aumento dos gastos naquele ano.

“Ele manteve regras que aumentam despesas automaticamente e não discutiu mudanças em benefícios como aposentadorias, abono salarial, seguro-desemprego e BPC. Isso também aumentou a pressão sobre as contas públicas”, afirma Salto.

No ano seguinte, o déficit caiu para R$ 47,6 bilhões — uma redução de mais de 80% em relação a 2023. Mesmo assim, problemas no orçamento, dificuldade para cortar gastos e a autorização de despesas fora da meta fiscal voltaram a reduzir a confiança do mercado em Haddad.

Contas do Setor Público Consolidado

Em R$ bilhões (sem correção pela inflação)

Fonte: Banco Central

Em abril de 2024, por exemplo, o governo propôs reduzir as metas de superávit primário para os anos seguintes no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Com isso, o superávit que era esperado para 2025 passou a ser previsto apenas para 2026.

A medida abriu espaço para aumento dos gastos públicos e foi duramente criticada pelo mercado financeiro.

“A mudança foi mal recebida pelo mercado, e com razão. Ela mudou o caminho esperado para as contas públicas e reacendeu a percepção de que o governo poderia recorrer a manobras contábeis para ajustar o resultado fiscal”, afirma Salto, da Warren.

Arrecadação em alta – e gastos também

Apesar dos esforços de Haddad para manter a confiança nas contas públicas, especialistas dizem que faltaram medidas concretas para cortar despesas.

O gesto, porém, não foi suficiente para recuperar a confiança do mercado. Isso porque também foi anunciado, no mesmo dia, o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. A promessa de campanha de Lula foi vista imediatamente como um novo gasto.

“O governo também enfrentou dificuldades para reduzir gastos por causa do Congresso. Haddad tentou discutir várias propostas, mas muitas acabaram sendo enfraquecidas pelos próprios parlamentares”, diz André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica.

Peso dos impostos na economia. — Foto: Arte/g1

Arrecadação Federal

Meses de outubro, em R$ trilhões (valores corrigidos pela inflação)

Fonte: Receita Federal

“Ainda que o ministro tenha adotado algumas medidas corretas para aumentar a arrecadação, elas não foram suficientes para mostrar estabilidade da dívida. O ponto mais sensível, que seria controlar o crescimento das despesas obrigatórias, não foi enfrentado”, diz Ribeiro, da Tendências.

Segundo dados do Banco Central, desde o início do mandato de Haddad a dívida bruta do governo em relação ao PIB subiu cerca de sete pontos percentuais, para 78,66%. Para este ano, a previsão do Tesouro Nacional é que a dívida chegue a 83,6%.

“Não chegamos a uma situação fiscal desastrosa, mas o déficit primário do governo ainda não é compatível com uma trajetória sustentável da dívida”, completa Salto.

Tamanho da dívida do governo em relação à economia do país. — Foto: Arte/g1

Dos males, o menor

Apesar das dificuldades para cortar gastos, os especialistas ouvidos pelo g1 reconhecem o mérito de Haddad na defesa e na aprovação da reforma tributária, após três décadas de discussões no Congresso.

“Essa é uma reforma extremamente difícil e que, no início, poucos acreditavam que sairia do papel. Ainda não é o modelo ideal, mas deve gerar efeitos positivos para a economia ao longo do tempo e conta a favor de Haddad”, afirma Ribeiro, da Tendências.

Os especialistas, porém, dizem que ainda há um longo caminho para completar a reforma tributária no país.

Segundo o economista e coordenador do curso de administração pública da Fundação Getulio Vargas (FGV), Nelson Marconi, uma parte importante que ainda precisa ser discutida é a reforma sobre a renda.

“O governo poderia ter feito uma reforma tributária mais ampla, que também incluísse a tributação da renda e a revisão de despesas e desonerações. A taxa de 10% sobre a renda dos mais ricos é um passo, mas ainda é insuficiente”, afirma.

Contra as previsões, crescimento

A dificuldade para implementar um plano de gastos mais alinhado ao que o mercado esperava, porém, não impediu que Haddad entregasse crescimento e inflação melhores do que o previsto.

Durante seu mandato, o PIB cresceu acima das projeções do mercado em todos os anos. A inflação também ficou dentro do intervalo de tolerância da meta em dois dos três anos em que esteve à frente da Fazenda — muito em virtude do rigor do Banco Central em manter juros mais altos, apesar das pressões do governo federal.

“A economia tem apresentado um desempenho positivo, com crescimento elevado. Mesmo com a desaceleração em 2025, a atividade ainda cresceu bastante para o padrão recente do país”, avalia Salto.

Evolução da atividade econômica brasileira (PIB). — Foto: Arte/g1

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB do Brasil cresceu 2,3% em 2025. O resultado representa uma desaceleração em relação ao ano anterior, mas marcou o quinto ano seguido de crescimento da economia.

Parte dessa desaceleração também é reflexo dos juros elevados, que estão em 15% ao ano desde junho de 2025.

“A política monetária restritiva [juros altos] e o alto endividamento das famílias, que bateu recorde no ano passado, têm puxado um pouco o consumo para baixo”, afirmou Rebeca Palis, coordenadora de contas nacionais do instituto, em coletiva de imprensa para falar sobre o resultado do PIB. Segundo ela, o alto nível da Selic foi o “vilão” do PIB no ano passado.

Apesar dos juros elevados, o mercado financeiro avalia que o BC fez bem em não ceder.

“Além disso, o fato de Haddad ter respeitado a autonomia do Banco Central e permitido que a instituição atuasse sem interferência também é um ponto positivo”, afirma Salto.

Nesse ponto, o ministro também ajudou a manter a inflação controlada nos últimos anos — mesmo com uma meta considerada exigente, de 3%.

Comparação entre a inflação acumulada em 12 meses e a evolução da taxa básica de juros. — Foto: Arte/g1

“Hoje vemos as expectativas caminhando para níveis mais baixos, e em nenhum momento houve descontrole da inflação ou sinal de que o governo tenha abandonado o compromisso de mantê-la sob controle”, completa.

Por fim, os especialistas consultados pelo g1 também destacam os bons resultados do mercado de trabalho e da renda como parte do legado de Haddad.

“Esse é um indicador ligado ao crescimento da economia e que também ficou melhor do que o mercado previa. O mercado de trabalho está realmente muito positivo”, avalia Alessandra Ribeiro, da Tendências.

Segundo o IBGE, a taxa média de desemprego no Brasil ficou em 5,6% em 2025 — o menor nível da série histórica, iniciada em 2012.

Já o rendimento médio real das pessoas ocupadas foi estimado em R$ 3.560, alta de 5,7% em relação a 2024.

Dados de desemprego e renda. — Foto: Arte/g1

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