PF corta na própria carne quando necessário, diz diretor-geral sobre investigação que mira agentes ligados ao caso Master

PF corta na própria carne quando necessário, diz diretor-geral sobre investigação que mira agentes ligados ao caso Master


O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse nesta quinta-feira (14) que o fato de a nova fase da Operação Compliance Zero revelar o envolvimento de integrantes da própria corporação com esquemas criminosos do Banco Master é uma demonstração de que a PF “não protege, nem persegue, age com autonomia e corta na própria carne quando necessário”.
“Como sempre tenho dito, a Polícia Federal trabalha de maneira técnica, imparcial e em busca da melhor instrução das suas investigações”, afirmou Andrei ao blog.
“Essa operação de hoje não deixa dúvidas e serve também para valorizar a quase totalidade dos policiais federais, que agem com correção e dedicação, e reafirmar que não há hipótese de transigirmos com desvio de conduta”, disse o diretor da PF.
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A investigação da Polícia Federal aponta que integrantes da própria corporação, entre eles uma delegada e policiais em atividade e aposentados, atuavam para intimidar desafetos, obter informações sigilosas e monitorar adversários de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Os suspeitos participavam do núcleo chamado de “A Turma”, voltado para a prática de ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais a favor dos interesses de Vorcaro.
Este grupo integrava a estrutura paralela de vigilância supostamente comandada pelo banqueiro, que está preso.
Andrei Rodrigues, diretor-geral do PF
Andressa Anholete/Agência Senado
A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a 6ª fase da Compliance Zero, sobre fraudes financeiras ligadas ao Master.
A operação desta quinta prendeu Henrique Vorcaro, pai do dono do Master.
As investigações apontam que Henrique Vorcaro continuou fazendo repasses para financiar “A Turma” e acionando integrantes do grupo para obter informações sigilosas mesmo após as primeiras fases da Compliance Zero, deflagradas em novembro de 2025 e janeiro de 2026.
Pai de Daniel Vorcaro é preso na quinta fase da operação que investiga Caso Master
Segundo os investigadores, o pai de Vorcaro atuava como um dos operadores financeiros do esquema e também, em alguns casos, demandava “A Turma” diretamente.
A defesa de Henrique Vorcaro afirma que a decisão se baseia em fatos cuja licitude e racionalidade econômica ainda não foram comprovadas no processo, porque, segundo os advogados, os esclarecimentos não foram solicitados à defesa nem a ele. A defesa também diz que o ideal seria ouvir as explicações antes de uma medida “tão grave e desnecessária”.
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