Petróleo sobe a US$ 97 e bate maior valor em seis semanas | G1

Petróleo sobe a US$ 97 e bate maior valor em seis semanas | G1

A escalada aumentou o temor de que o conflito provoque novas interrupções no fornecimento da commodity.

O petróleo Brent, referência internacional, avançou US$ 1,03, ou 1,1%, e fechou a US$ 97,31 por barril. Durante o dia, chegou a US$ 98,06, maior cotação desde 24 de julho.

  • 🔎 Por que o petróleo importa? O petróleo é matéria-prima para combustíveis e diversos produtos, por isso sua cotação afeta a economia. Quando fica mais caro, pode elevar custos de transporte e produção e pressionar a inflação. No Brasil, a alta também aumenta a receita de empresas produtoras e do governo.

Nos Estados Unidos, o contrato do petróleo WTI, referência no mercado americano, subia 1,3%, para US$ 92,65 por barril, às 14h45 (horário de Brasília).

O WTI chegou a US$ 93,29 durante a sessão, também o maior valor desde 24 de julho. O contrato não teve liquidação nesta segunda-feira por causa do feriado do Dia do Trabalho nos EUA.

Escalada do conflito

A alta ocorre após uma nova troca de ataques entre Estados Unidos e Irã. No fim de semana, os dois países atingiram petroleiros e navios de guerra, segundo a empresa de inteligência marítima Marisks.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou nesta segunda que o país responderá caso seus ativos sejam atacados.

A declaração veio depois de o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, dizer que a frota petrolífera iraniana estava “indefesa”.

Segundo a Marisks, o uso de navios comerciais como instrumento de pressão econômica aumenta o risco para o transporte marítimo de petróleo. A empresa afirmou que a fronteira entre o confronto militar e o comércio marítimo ficou mais difícil de distinguir.

A guerra entre os EUA e o Irã começou em 28 de fevereiro, quando os dois países e Israel iniciaram uma série de ataques. A nova escalada já teve impacto sobre o abastecimento global da commodity.

Na semana passada, o Brent acumulou alta de quase 8%, enquanto o WTI subiu cerca de 10%.

Estoques em baixa

O mercado também acompanha os níveis de estoques de combustíveis nos Estados Unidos, maior produtor e consumidor de petróleo do mundo.

Os estoques de gasolina e de combustíveis destilados estão abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano passado e também das médias sazonais dos últimos cinco anos, segundo analistas da PVM Energy.

Para a consultoria, o cenário atual é mais preocupante do que o observado algumas semanas atrás.

Petróleo pode passar de US$ 100

O aumento da tensão elevou as projeções para os preços da commodity. O Goldman Sachs avalia que o petróleo pode chegar a US$ 120 por barril caso os ataques contra navios comerciais se intensifiquem.

O risco está relacionado principalmente à possibilidade de novos problemas no transporte de petróleo e derivados pelo Oriente Médio, uma das principais regiões produtoras de energia do mundo.

Os Emirados Árabes Unidos já trabalham na criação de rotas alternativas para suas exportações de energia e outras operações comerciais. Segundo Anwar Gargash, assessor presidencial dos Emirados, a intenção é evitar que o país fique vulnerável aos efeitos da guerra entre EUA e Irã.

Opep+ mantém produção

Apesar da alta dos preços, a Opep+ manteve no domingo sua política de produção de petróleo para outubro.

O grupo, que reúne grandes produtores da commodity, informou em comunicado que não haverá mudança na estratégia de produção definida anteriormente.

*Contém informações da Agência Reuters

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