Empresa estuda reajuste da gasolina e monitora queda do etanol para não perder mercado para o biocombustível, que ficou mais competitivo com o início da safra de cana e a redução dos preços nas bombas.
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Petrobras avalia aumentar em breve o preço da gasolina vendida às distribuidoras, mas quer evitar que o reajuste reduza sua participação no mercado.
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Magda Chambriard afirmou que a decisão está sendo tomada com atenção à concorrência com o etanol, que ficou mais barato com o avanço da safra de cana-de-açúcar.
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Com o etanol em queda, motoristas podem optar pelo biocombustível caso a diferença de preços em relação à gasolina se torne mais vantajosa.
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse na véspera que a Petrobras precisa reavaliar continuamente os preços diante da alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio.
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Segundo cálculos da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis citados no texto, a defasagem em relação aos preços internacionais é de cerca de 30% no diesel e 65% na gasolina.
Presidente da Petrobras, Magda Chambriard na refinaria da Petrobras Gabriel Passos (REGAP) — Foto: Washington Alves/Reuters
A Petrobras avalia elevar “já, já” o preço da gasolina vendida às distribuidoras, mas quer ter segurança de que o reajuste não comprometerá sua participação no mercado diante da concorrência com o etanol, afirmou nesta terça-feira (12) a presidente da estatal, Magda Chambriard.
“Nós estamos agora tratando desse aumento de gasolina, mas sempre de olho no nosso ‘market share’ e na evolução do mercado do etanol”, disse a executiva, em videoconferência com analistas de mercado.
Isso porque a preocupação da empresa é evitar que um aumento mais forte da gasolina torne o etanol competitivo para o consumidor, reduzindo as vendas do combustível fóssil nos postos.
“Nós estamos tratando disso, vai acontecer já um aumento de preço da gasolina, mas nós temos que ter certeza que esse mercado almejado continua nosso.”
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Segundo Chambriard, essa análise se tornou ainda mais importante porque o preço do etanol recuou nos últimos 15 duas, impulsionado pelo avanço da produção e pelo início da safra de cana-de-açúcar.
Com o biocombustível mais barato, muitos motoristas podem optar por abastecer com etanol em vez de gasolina, dependendo da diferença de preços entre os dois combustíveis.
A declaração foi dada após encontro em Brasília com a presidente da empresa, Magda Chambriard. O governo é o controlador da Petrobras, que também tem ações negociadas na Bolsa de Valores.
Questionado se seria possível a estatal segurar por mais tempo a defasagem de 30% no diesel e de 65% na gasolina em relação aos preços internacionais dos produtos, conforme cálculo da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), Durigan afirmou que esse é um “tema da Petrobras”.
“Eu não discuto isso com a Petrobras. O que eu tenho sentido é que há uma necessidade da Petrobras ir reavaliando esses preços. […] E o que Estado tem que fazer é, na medida em que a gente vê a guerra aumentando o custo no país, aumentando os preços, tem que se preparar, porque o Brasil não quer ser sócio da guerra”, declarou o ministro da Fazenda.
*Com informações da agência de notícias Reuters