Início » OpenAI, do ChatGPT, diz que IA pode adicionar R$ 1 trilhão ao PIB do Brasil em três anos | G1

OpenAI, do ChatGPT, diz que IA pode adicionar R$ 1 trilhão ao PIB do Brasil em três anos | G1

por Gilberto Cruz
openai,-do-chatgpt,-diz-que-ia-pode-adicionar-r$-1-trilhao-ao-pib-do-brasil-em-tres-anos-|-g1

O valor, calculado em termos presentes com desconto pela taxa Selic de 13% ao ano, equivale a cerca de 7,6% do PIB estimado para 2026, de R$ 12,9 trilhões.

O levantamento estima que a IA pode gerar um impacto acumulado equivalente a 2,77% do PIB ao longo dos quatro anos, com uma expansão média de 0,69 ponto porcentual ao ano na economia decorrente da tecnologia.

[bbc] Logo da empresa OpenAI, responsável pelo ChatGPT — Foto: Getty Images

O estudo ressalta, porém, que os ganhos não devem aparecer de uma só vez, mas gradualmente, conforme empresas, trabalhadores e governos adotem as novas ferramentas.

O estudo foi encomendado pela OpenAI e estima o impacto da IA em 12 grandes setores da economia brasileira e separa os efeitos da tecnologia em dois canais:

  • O aumento da produtividade dos trabalhadores; e
  • A maior eficiência de máquinas, equipamentos e estruturas produtivas.

Qual área irá se beneficiar primeiro?

As indústrias de transformação, aquelas que convertem matérias-primas e insumos em novos produtos, concentram o maior impacto, com R$ 264,2 bilhões estimados entre 2027 e 2030. Na sequência aparecem outras atividades de serviços, com R$ 165,4 bilhões, e o comércio, com R$ 131,2 bilhões.

Segundo o estudo, 65% do impacto total da IA viria do aumento da produtividade dos trabalhadores, enquanto os 35% restantes seriam resultado da maior eficiência do capital. A proporção, porém, muda significativamente entre os setores.

“Na agropecuária, 92% do impacto total é capturado via capital”, aponta o estudo. O setor pode acumular R$ 48,2 bilhões em impacto, principalmente pela incorporação de IA a máquinas, equipamentos e infraestrutura produtiva.

Novidades tecnológicas, robôs que impressionam o público na maior feira de inteligência artificial do mundo, em Xangai. — Foto: Reprodução/TV Globo

O efeito do trabalho, por outro lado, é predominante em setores com maior concentração de atividades cognitivas.

Nas atividades financeiras, por exemplo, 87% do impacto estimado decorre do aumento da produtividade dos trabalhadores, o maior percentual entre os 12 setores analisados. Bancos, seguradoras e gestoras de investimentos podem utilizar IA para revisar documentos, avaliar riscos, classificar sinistros e atender clientes.

No setor de informação e comunicação, que inclui desenvolvedores de software, data centers e operadoras de telecomunicações, o impacto estimado é de R$ 49,3 bilhões, sendo 97% relacionado ao fator trabalho.

Impacto econômico da IA na produção setorial

RankingSetorImpacto estimado da IA (R$ bilhões)
1Indústrias de transformação264,24
2Outras atividades de serviços165,38
3Comércio131,15
4Administração, saúde e educação públicas106,09
5Atividades financeiras76,11
6Informação e comunicação49,26
7Agropecuária48,19
8Indústrias extrativas33,54
9Construção33,54
10Eletricidade, água e saneamento28,77
11Transporte e armazenagem27,35
12Atividades imobiliárias23,13
TotalEconomia brasileira986,74

O que importa é como o setor aplica a IA

O estudo destaca que a diferença entre os setores está relacionada à maneira como a IA pode ser incorporada às atividades produtivas. Na agropecuária, por exemplo, apenas 8% do impacto é atribuído ao efeito-trabalhador, porque grande parte das atividades rurais é manual e apresenta menor exposição cognitiva à tecnologia.

A pesquisa também diferencia exposição à IA e substituição de trabalhadores.

Uma ocupação pode ter muitas tarefas expostas à tecnologia sem que isso signifique que a função inteira será automatizada. No cenário central adotado pelo estudo, de cada 100 tarefas cognitivamente expostas à IA, 23 poderiam passar pelo teste de custo-benefício para automação plena, enquanto as outras 77 entrariam no cálculo como complemento à produtividade humana.

“Na prática, as ocupações raramente desaparecem por completo: o que a IA reorganiza é o conjunto de tarefas dentro de cada função”, afirma o estudo. A maior parte do trabalho, portanto, continuaria sendo realizada por pessoas, mas com apoio da tecnologia.

O levantamento cita como exemplo um assistente administrativo, cujas atividades repetitivas e codificáveis – como classificação de documentos, conciliação de agendas e lançamento de dados — podem ser mais suscetíveis à automação.

Já um engenheiro de software pode ter tarefas aceleradas pela IA, como correção de códigos e produção de documentação, enquanto atividades de julgamento, coordenação e definição de projetos continuam dependendo do profissional.

O sistema de “financiamento circular” pode ter um efeito dominó caso a bolha da IA estoure — Foto: Jaque Silva/NurPhoto/picture alliance

O Brasil está em um bom caminho?

A incorporação da tecnologia, entretanto, deve ocorrer de maneira gradual. O estudo considera que a difusão da IA no Brasil tende a ser mais lenta que em economias avançadas devido à heterogeneidade entre empresas, ao custo elevado do crédito, às lacunas de qualificação profissional e às limitações de infraestrutura.

Pelas projeções, até 2030 já terão sido realizados 66,6% dos ganhos potenciais associados ao aumento da produtividade dos trabalhadores e 62,4% dos ganhos relacionados a máquinas, equipamentos e estruturas mais produtivas.

O estudo ressalta que os R$ 986,7 bilhões representam um potencial estimado, e não uma previsão garantida. A materialização dos ganhos dependerá da velocidade de adoção da tecnologia e das condições institucionais, regulatórias e educacionais do país.

As medidas apontadas pelos autores que podem ser adotas por empresas são:

  • Requalificação profissional para trabalhadores de atividades com maior potencial de substituição;
  • Expansão da infraestrutura digital no campo;
  • Incentivos à adoção de IA por empresas de menor produtividade;
  • Implementação de um marco regulatório previsível;
  • Políticas de governança e dados abertos; e
  • A utilização da tecnologia nos serviços públicos.

“Assim, a materialização desses ganhos dependerá não apenas do avanço tecnológico em si, mas também da capacidade de criar condições institucionais, regulatórias e educacionais que favoreçam sua difusão ampla e produtiva”, conclui o estudo.

você pode gostar

SAIBA QUEM SOMOS

Somos um dos maiores portais de noticias de toda nossa região, estamos focados em levar as melhores noticias até você, para que fique sempre atualizado com os acontecimentos do momento.

CONTATOS

noticias recentes

as mais lidas

Jornal de Minas Ltda © Todos direitos reservados CNPJ: 65.412.550/0001-63