O que é a vantagem social cumulativa e por que ela protege sua saúde

O que é a vantagem social cumulativa e por que ela protege sua saúde


Esse blog já abordou, em diversas ocasiões, a importância dos relacionamentos para a saúde física e mental. Cada nova pesquisa divulgada só reforça essa visão, mostrando, inclusive, como a qualidade da nossa rede de contados afeta o envelhecimento em nível celular. A bola da vez é a chamada vantagem social cumulativa, termo que se refere à soma das conexões sociais robustas ao longo da existência: dos laços significativos com familiares e amigos ao envolvimento em grupos religiosos e comunitários.
Relacionamentos fortes representam uma vantagem social cumulativa que se traduz em melhor saúde física e mental
Mariza Tavares
O que chama a atenção dos pesquisadores é o poder dessas relações de longa data, capazes de reduzir o estresse e estimular a liberação de hormônios e substâncias químicas cerebrais que trazem benefícios biológicos. Os efeitos benéficos da vantagem social cumulativa no envelhecimento biológico permaneciam pouco compreendidos. Em um artigo recente na revista Brain, Behavior, & Immunity, Anthony D. Ong, Frank D. Mann e Laura Kubzansky analisaram dados de mais de dois mil adultos no estudo “Midlife in the United States” (“Meia-idade nos Estados Unidos) e documentaram algo extraordinário.
Pessoas que permaneceram conectadas e engajadas envelheceram mais lentamente em nível celular. Especificamente, seu DNA mostrou menos alterações ligadas ao envelhecimento e seus corpos apresentaram níveis mais baixos de inflamação crônica.
“Nossas descobertas se somam às crescentes evidências de que a conexão social é tão importante para a longevidade quanto muitos fatores de risco biomédicos tradicionais”, escreveu Ong, professor de psicologia da Universidade Cornell, complementando: “Para a saúde e a medicina, isso sugere que avaliar e fortalecer a conexão social deve ser visto como uma prática preventiva central, no mesmo nível do monitoramento da pressão arterial ou do colesterol, e que o contexto social precisa fazer parte da previsão de riscos, do planejamento de tratamentos e de estratégias para promover a longevidade saudável”.
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A expressão teve origem em estudos dos sociólogos Harriet Zuckerman e Robert K. Merton. Na década de 1960, eles exploraram como as primeiras conquistas de cientistas acadêmicos frequentemente levavam a novas oportunidades e recompensas futuras. Também conhecido como Efeito Mateus, o termo tem sido usado para descrever como realizações iniciais acarretam a uma sucessão de outras conquistas que são sustentadas ao longo do tempo, enquanto aqueles em desvantagem vão ficando para trás. Em um artigo de 1968, Merton citou o Evangelho de Mateus para transmitir esse desequilíbrio entre os que têm e os que não têm: “Pois a quem tem, mais será dado, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.”
No campo da sociologia, o Efeito Mateus descreve o fenômeno da vantagem cumulativa: quem começa com um trunfo ou privilégio – seja dinheiro, educação, status ou conexões – tende a acumular ainda mais benefícios, enquanto quem não dispõe de algum tipo de diferencial encontra cada vez mais barreiras para crescer. Na área da longevidade, significa que pessoas com redes de apoio consistentes chegam à velhice com “reservas” biológicas e emocionais que as protegem, criando um ciclo virtuoso de envelhecimento saudável.

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