René Redzepi anunciou sua saída nas redes sociais, dizendo: “Após mais de duas décadas construindo e liderando este restaurante, decidi me afastar e permitir que nossos extraordinários líderes agora guiem o restaurante para seu próximo capítulo.”
Ex-funcionários acusaram o chef de criar um ambiente de trabalho tóxico, praticando abuso verbal e físico, de acordo com relatos da imprensa.
O restaurante de alta gastronomia, com sede na Dinamarca, estava se preparando para inaugurar uma sede temporária em Los Angeles. Mas após as alegações de abuso e a realização de protestos em frente ao local onde o restaurante estava instalado, os patrocinadores da nova unidade desistiram.
“Um pedido de desculpas não é suficiente; assumo a responsabilidade pelas minhas ações”, disse Redzepi em um comunicado publicado no Instagram.
“Para quem estiver se perguntando o que isso significa para o restaurante, deixe-me ser claro: a equipe do Noma hoje é a mais forte e inspiradora que já foi”, acrescentou.
“Estamos abertos há 23 anos e tenho muito orgulho da nossa equipe, da nossa criatividade e da direção que o Noma está tomando.”
Ele disse que a equipe continuaria trabalhando na unidade de Los Angeles sem ele.
Redzepi também renunciou ao conselho da MAD, uma organização sem fins lucrativos que ele fundou em 2011 e que afirma em seu site que se concentra em ajudar aqueles que são novos no setor de restaurantes.

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Uma reportagem recente do New York Times afirmou que dezenas de ex-funcionários acusaram o chef de criar uma cultura abusiva na cozinha e um ambiente de trabalho tóxico, que incluía ameaças verbais e maus-tratos físicos no restaurante que ele fundou em 2003.
“Para ser honesto, acho que as repercussões de ficar em silêncio são piores do que eu manifestar e me solidarizar com meus colegas contra a violência”, disse Jason Ignacio White, ex-funcionário do Noma.
White disse ter testemunhado abusos generalizados durante os anos em que trabalhou para o famoso chef.
Dias depois das acusações serem trazidas à tona, Redzepi respondeu às alegações nas redes sociais, dizendo: “Àqueles que sofreram sob minha liderança, meu mau julgamento ou minha raiva, peço profundas desculpas e tenho trabalhado para mudar”.
Ele disse que “gritou e empurrou pessoas, agindo de maneiras inaceitáveis” e compartilhou que fez terapia e encontrou maneiras melhores de controlar sua raiva.
Mas protestos ocorreram em frente à unidade temporário do Noma, no bairro de Silver Lake, em Los Angeles. Grupos de defesa dos direitos trabalhistas pediram a renúncia de Redzepi.
“Quem quer comer em um ambiente de abuso?”, disse Saru Jayaraman, membro da organização One Fair Wage (Um Salário Justo, em português), à CBS News, parceira da BBC nos EUA. “Quem quer comer comida que vem das lágrimas e do suor de pessoas que estão sofrendo?”
Vários patrocinadores do restaurante, incluindo a American Express, se retiraram do projeto que levaria o restaurante a Los Angeles por 16 semanas.
As reservas para o evento pop-up nos EUA custavam US$ 1.500 (R$ 7.800) por pessoa e esgotaram em poucos minutos.