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O dilema de Milei: como negociar com a China sem desagradar a Trump? | G1

por Redação
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  • 🔎 A China é o segundo maior parceiro comercial da Argentina, depois do Brasil, e investe milhões em energia, lítio e infraestrutura no país.
  • 📈 O comércio com Pequim está em ascensão e representou 23,7% das importações argentinas e 11,3% das exportações no ano passado, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).

Trump recebe Milei pela primeira vez na Casa Branca — Foto: Jonathan Ernst/Reuters

Essa mudança se consolidou com a renovação, em 2024 e 2025, da parte ativa do acordo de swap cambial com a China, no valor equivalente a US$ 5 bilhões (R$ 26 bilhões). O swap é uma troca temporária de moedas entre países, usada para reforçar as reservas internacionais, um dos objetivos fundamentais do governo de Milei.

A parceria é tamanha que Milei tem reiterado os planos de visitar a China. Até agora, nem a Presidência da Argentina nem a embaixada chinesa em Buenos Aires responderam aos questionamentos da AFP sobre a viagem.

Acontece que, ao mesmo tempo, o autoproclamado anarcocapitalista mantém um alinhamento firme com os Estados Unidos sob a administração Trump, que busca reduzir a presença da China na região.

“Esse alinhamento total com os Estados Unidos e Israel, que é uma posição praticamente única no mundo, entra em conflito com a tentativa de estreitar relações com a China”, disse à AFP Patricio Giusto, diretor do Observatório Sino-Argentino.

Doutrina Donroe

Os Estados Unidos pretendem reafirmar sua hegemonia regional por meio de uma releitura da Doutrina Monroe, defendida por Trump e apelidada de “Doutrina Donroe”, segundo a qual Washington pode intervir na América Latina se considerar que seus interesses estão ameaçados.

“A Argentina é um país-chave no hemisfério, e não apenas no continente, nessa busca por legitimidade de liderança que Donald Trump está conduzindo”, disse à AFP Florencia Rubiolo, diretora do Insight 21, centro de análises da Universidade Siglo 21.

Nas últimas semanas, Milei elogiou ações militares dos Estados Unidos na Venezuela que levaram à captura de Nicolás Maduro e disse estar honrado em assinar o Conselho da Paz idealizado por Trump.

Milei dança Y.M.C.A em evento nos EUA — Foto: Governo da Argentina

Durante o mandato de Milei, dois comandantes do Comando Sul dos Estados Unidos visitaram uma base argentina em construção em Ushuaia, a cidade mais ao sul do país. Na semana passada, parlamentares americanos também visitaram Ushuaia, em um momento em que a China amplia sua presença no Polo Sul.

Eles também visitaram o campo de xisto de Vaca Muerta, em Neuquén, a segunda maior reserva mundial de gás não convencional e a quarta maior de petróleo de xisto, acompanhados por representantes da petroleira estatal YPF.

“Milei tenta separar a relação econômica, especialmente os laços comerciais com a China, de seu alinhamento geopolítico com os EUA. O dilema é saber se essa separação pode se sustentar ao longo do tempo, principalmente se Trump passar a impor condições também ao comércio”, disse Giusto.

“Impraticável”

Milei afirmou em Davos, em janeiro, que “a China é uma grande parceira comercial”, que oferece “muitas oportunidades para expandir mercados”, e que isso “não entra em conflito” com seu alinhamento com os Estados Unidos.

“Governo para 47,5 milhões de argentinos e tomo as decisões que melhor beneficiam os argentinos”, disse ele na ocasião. “Quero uma economia aberta”, enfatizou.

Para Giusto, a relação com a China avança por causa da “forte complementaridade econômica” entre os dois países.

Segundo o Indec, 70% das exportações argentinas para a China em 2025 foram de soja, carne bovina e lítio. A abertura econômica do governo Milei facilitou a entrada de produtos de consumo chineses.

Em 2025, as importações “door to door” (porta a porta), lideradas por Temu e Shein, cresceram 274,2%, segundo dados oficiais. Outro exemplo foi a chegada, em janeiro, de cerca de 5 mil carros elétricos da marca chinesa BYD.

“Para a Argentina, romper laços com a China é absolutamente impraticável, porque a China é uma parceira insubstituível”, observou Rubiolo.

Javier Milei, presidente da Argentina, e Xi Jinping, presidente da China — Foto: AFP PHOTO / ARGENTINIAN PRESIDENCY

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