Nova tarifa de Trump para importações dos EUA entra em vigor; veja o que dizem analistas | G1

Nova tarifa de Trump para importações dos EUA entra em vigor; veja o que dizem analistas | G1

Entidades ligadas ao setor produtivo e analistas avaliam que, apesar da manutenção da incerteza no ambiente internacional, com mudanças frequentes de regras, os dois fatos combinados foram positivos para as exportações brasilerias.

Para a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), a imposição de uma tarifa global de 15% amplia a instabilidade, afetando o planejamento, os contratos e os investimentos das empresas.

Ao mesmo tempo, a FIEMG considera que, por se aplicar a todos os países, a medida preserva a competitividade relativa do Brasil.

“O setor produtivo precisa de previsibilidade. Mudanças sucessivas nas regras comerciais geram insegurança e comprometem o ambiente de negócios. Ainda assim, é importante destacar que a aplicação global da tarifa mantém condições isonômicas de concorrência, o que reduz distorções competitivas”, afirmou Flávio Roscoe, presidente da FIEMG.

Decisão da justiça dos EUA

Welber Barral, sócio da BMJ e ex-secretário de Comércio Exterior, acredita que a determinação da Justiça dos Estados Unidos, anterior ao novo anúncio de Trump, foi muito positiva para os exportadores que ainda estavam sobretaxados.

“Melhora muito até porque, teoricamente, iguala com os outros países. Então aí você tem uma possibilidade de aumento de competitividade desses setores. Como o Brasil estava com uma tarifa muito alta de 40%, nesses produtos eles aumentam a competitividade”, disse Welber Barral, da BMJ.

O presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasi (Amcham Brasil), Abrão Neto, considera que a decisão da Suprema Corte abriu caminho para uma redução considerável das tarifas e melhorou o acesso ao mercado dos Estados Unidos.

“Havia uma sobretaxa bastante expressiva, exclusiva ao Brasil. A partir da decisão da suprema corte, e uma tarifa global de 15%, houve uma redução para esses produtos brasileiros no tamanho da tarifa, de 50% a 40%, para 15%. E agora esses produtos têm a mesma tarifa dos seus competidores mundial”, declarou Abrão Neto, da Amcham Brasil.

A estimativa da Amcham Brasil é que produtos que representam cerca de US$ 13 bilhões em vendas anuais aos EUA serão beneficiados, o equivalente a um terço das vendas brasileiras aos norte-americanos.

“Mas não se pode ter uma avaliação tão convicta desses efeitos, porque a gente não sabe como vai ser a situação nas próximas semanas e meses. O governo americano disse que vai continuar abrindo novas investigações”, explicou o executivo.

Impacto Brasil

Segundo a Global Trade Alert, organização independente que monitora políticas de comércio internacional, Brasil e China são os países mais beneficiados pelas mudanças nas tarifas norte-americanas nos últimos dias, incluindo a decisão da justiça dos EUA.

Relatório da entidade aponta que o Brasil terá a maior redução nas tarifas médias — incluindo as já vigentes —, com queda de 13,6 pontos percentuais. Em seguida vêm China, com recuo de 7,1 pontos, e Índia, com diminuição de 5,6 pontos.

Com a reconfiguração das tarifas, aliados importantes dos EUA, como Reino Unido (+2,1 pontos), União Europeia (+0,8 ponto) e Japão (+0,4 ponto), passarão a enfrentar encargos mais altos com a nova alíquota, segundo a Global Trade Alert.

Brasil e China são os mais beneficiados com derrubada de tarifaço pela Suprema Corte e nova alíquota global de Trump, diz estudo. — Foto: Arte/g1

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