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Nova subvariante da Covid-19, ‘Cicada’ tem 75 mutações e já circula em 23 países; veja o que se sabe

por Gilberto Cruz
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Uma nova subvariante da Covid-19 já começou a circular fora do Brasil e tem sido monitorada por cientistas. Conhecida como “Cicada”, a BA.3.2 foi identificada em ao menos 23 países e se destaca pelo número elevado de mutações.
Dados iniciais, no entanto, indicam que a linhagem não está associada a aumento de casos graves ou de hospitalizações, mantendo o padrão observado nas subvariantes mais recentes da Ômicron.
A seguir, especialistas explicam o que é a subvariante, quais são os sintomas e o que se sabe sobre a proteção das vacinas e o risco de circulação no Brasil.
Entenda o que é a subvariante ‘Cicada’
A BA.3.2 é mais uma subvariante da Ômicron, e não uma nova variante independente. Isso significa que ela faz parte de um processo contínuo de evolução do vírus, que acumula mutações para se manter em circulação.
Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que essa dinâmica já era esperada.
Desde a chegada da Ômicron, o vírus deixou de apresentar grandes “saltos” entre variantes —como ocorreu entre Alfa, Delta e a própria Ômicron— e passou a evoluir por meio de sublinhagens.
Essas mudanças seguem uma lógica adaptativa: à medida que a população desenvolve imunidade, o vírus sofre mutações que permitem escapar parcialmente dessa proteção e continuar se espalhando.
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O que tem de diferente na linhagem
O principal diferencial da “Cicada” está na proteína Spike, estrutura usada pelo vírus para invadir as células humanas.
Segundo Juarez Cunha, diretor da SBIm, a subvariante apresenta cerca de 75 mutações nessa proteína —número considerado elevado.
Esse tipo de alteração pode impactar a forma como o sistema imunológico reconhece o vírus, favorecendo o chamado “escape de anticorpos”, fenômeno já observado em outras fases da pandemia.
Na prática, isso pode aumentar o risco de infecção mesmo em pessoas vacinadas ou previamente infectadas, sem necessariamente significar quadros mais graves.
Sintomas: há algo diferente?
Até agora, não.
De acordo com os especialistas ouvidos pela reportagem, o perfil clínico permanece semelhante ao das versões recentes da Ômicron, com sintomas como:
febre
dor de garganta
tosse
coriza
cansaço
Não há sinais de manifestações novas ou mais agressivas associadas à subvariante.
Cunha afirma que os relatos atuais não indicam mudança no padrão da doença, que segue predominantemente leve na maioria dos casos.
Vacinas continuam funcionando?
Sim, especialmente contra formas graves.
Mesmo com mutações que permitem algum escape imunológico, as vacinas seguem desempenhando seu papel mais importante: evitar hospitalizações e mortes.
Kfouri destaca que os imunizantes nunca acompanham exatamente a versão mais recente do vírus, mas ainda assim mantêm proteção consistente contra quadros graves, geralmente entre 6 e 12 meses após a dose.
Esse padrão se mantém porque todas as subvariantes atuais descendem da Ômicron, o que preserva parte da resposta imunológica induzida pelas vacinas.
Há aumento de casos graves?
Até o momento, não há evidências de aumento de gravidade ou de internações associadas à “Cicada”.
O que se observa, em alguns países, é um possível aumento proporcional de casos em crianças —hipótese que ainda está sendo investigada e pode estar relacionada ao fato de muitas delas não terem tido contato prévio com o vírus.
A variante já chegou ao Brasil?
Até o último boletim disponível, não havia confirmação oficial da circulação da BA.3.2 no país. Ainda assim, especialistas consideram provável que isso aconteça.
Isso porque a subvariante já demonstrou capacidade de disseminação internacional rápida, o que historicamente leva à sua introdução em diferentes regiões do mundo em pouco tempo.
O que preocupa agora
Mais do que a subvariante em si, o principal ponto de atenção apontado pelos especialistas é a queda na vacinação.
Cunha alerta que a Covid-19 continua causando hospitalizações e mortes, especialmente entre idosos, crianças pequenas e gestantes —justamente os grupos com menor cobertura vacinal recente.
Hoje, a doença tem comportamento semelhante ao de vírus respiratórios sazonais, como a influenza, mas ainda com impacto relevante na saúde pública.

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