Ao todo, foram registrados 315 pedidos. O número pode ser maior, já que nem todos os produtores se enquadram nas regras para fazer a solicitação.
Conhecida como “Capítulo 12”, a regra vale apenas para agricultores e pescadores familiares. Para pedir a recuperação, é preciso comprovar que a maior parte das dívidas está ligada à atividade rural.
O pedido é visto como um último recurso para que o produtor consiga continuar trabalhando.
Para o AFBF, a alta nos pedidos reflete a pressão financeira enfrentada por agricultores e pecuaristas, sem perspectiva de melhora no curto prazo.
“São esperadas perdas significativas no setor de grãos por mais um ano, e vários segmentos da pecuária também operam com margens mais apertadas”, diz a economista Samantha Ayoub, da associação.

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“Perdas profundas em culturas comuns das regiões do Meio-Oeste e do Sudeste se acumularam após anos de queda nas receitas e alta nos custos”, disse a economista.
As duas regiões são as mais afetadas. Apenas no Meio-Oeste, o crescimento dos pedidos foi de 70%, no Sudeste, de 69%.
De acordo com a associação, os pedidos de falência costumam aumentar em períodos de dificuldades prolongadas. Nessas situações, os produtores recorrem a empréstimos maiores e com prazos mais longos para pagamento.
Somente no quarto trimestre de 2025, foram feitos 40% a mais de empréstimos para este fim do que no mesmo período em 2024.
As dívidas devem continuar crescendo. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima que a dívida total do setor agrícola subirá 5,2%, alcançando o recorde de US$ 624,7 bilhões em 2026.
Segundo a AFBF, esse dinheiro está sendo usado para cobrir custos dos insumos e não para investir no crescimento do negócio.
Por que os agricultores estão endividados?
Os agricultores são afetados por baixos preços de safra, custos mais altos de mão de obra e insumos, como fertilizantes e sementes.
Além disso, as exportações de produtos, como soja, diminuíram no ano passado nos Estados Unidos, devido às disputas comerciais com outros países.
As perdas agrícolas variam de US$35 bilhões a US$44 bilhões para as nove principais commodities, incluindo milho, soja, trigo e amendoim, disse Shawn Arita, diretor associado do Agricultural Risk Policy Center da North Dakota State University, em dezembro.
O rebanho de vacas tem diminuído continuamente desde 2019, à medida que a seca nos Estados do oeste afetou pastagens e aumentou os custos de alimentação, forçando os pecuaristas a enviar mais animais para o abate.
Além disso, o fornecimento ficou ainda mais restrito porque os EUA suspenderam, desde maio, a maioria das importações de gado mexicano em meio a preocupações com a disseminação para o norte da bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga carnívora que infesta o gado.

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