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Lula mira em fim da escala 6×1 por diálogo com evangélicos, e Flávio busca voto católico

por Gilberto Cruz
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As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) já começaram a estruturar estratégias para ampliar apoio entre diferentes segmentos religiosos de olho na eleição presidencial de 2026.
Enquanto aliados de Lula apostam em pautas trabalhistas e sociais para tentar reduzir a resistência entre evangélicos, interlocutores de Flávio buscam ampliar a presença do senador entre católicos.
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Na última pesquisa Quaest, Lula aparece à frente entre os eleitores católicos, com 43% das intenções de voto em um dos cenários de primeiro turno, contra 28% de Flávio Bolsonaro. Entre os evangélicos, o cenário se inverte: Flávio tem 43%, enquanto Lula registra 23%.
Neste fim de semana, Flávio Bolsonaro participou de um culto no Rio de Janeiro ao lado do ex-governador Cláudio Castro (PL) e do pré-candidato ao governo estadual Douglas Ruas (PL). O encontro foi conduzido pelo pastor Silas Malafaia, uma das principais lideranças evangélicas alinhadas ao bolsonarismo.
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Segundo integrantes do grupo que participa da organização da pré-campanha, a agenda teve como objetivo consolidar a aliança de Flávio com lideranças evangélicas no Rio e ampliar a visibilidade de Douglas Ruas. Interlocutores afirmam ainda que a participação de Flávio em eventos religiosos deve continuar, inclusive pelo fato de o senador ter sido batizado recentemente.
Aliados do senador avaliam, no entanto, que o principal desafio neste momento é ampliar a presença entre os católicos. Integrantes do entorno de Flávio começaram a discutir agendas voltadas a esse público.
Outra estratégia em debate é definir a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) como vice na chapa presidencial. Pesa a favor da parlamentar a proximidade com o Frei Gilson, uma das lideranças católicas mais populares do Brasil, e com bispos do Nordeste, o que poderia ajudar na interlocução com setores desse eleitorado.
Do lado do governo, aliados de Lula afirmam que o presidente resiste a fazer acenos religiosos mais diretos ao eleitorado evangélico. A avaliação no entorno do petista é que o diálogo deve ocorrer por meio de pautas ligadas ao cotidiano da população, como a regulamentação do trabalho por aplicativos e propostas trabalhistas.
Uma das apostas é a defesa do fim da escala 6×1. Há pouco mais de uma semana, o ministro da Secretaria Geral, Guilherme Boulos, responsável pela interlocução com movimentos sociais e setores da sociedade civil, afirmou que a mudança poderia liberar mais tempo para atividades religiosas e convivência familiar, por exemplo.
A estratégia passava, também pela indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), como forma de ampliar a identificação do governo com segmentos evangélicos. Messias foi rejeitado pelo Senado e interlocutores admitem que o discurso precisará ser recalibrado.
Nos últimos meses, Lula também tentou ampliar a interlocução direta com lideranças evangélicas. O presidente promoveu encontros com pastores no Palácio do Planalto ao lado de Jorge Messias e do deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ).
Em conversa com a coluna, Otoni de Paula afirmou que deixou de atuar como interlocutor entre o governo e lideranças evangélicas. Segundo o parlamentar, parte dos grupos religiosos com os quais mantinha diálogo segue resistente a pautas associadas à esquerda. O deputado passou a apoiar a pré-candidatura presidencial de Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás.

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