Lula e presidente eleito do Chile discutem estabilidade na região e combate ao crime organizado

Lula e presidente eleito do Chile discutem estabilidade na região e combate ao crime organizado


Kast, o presidente eleito do Chile, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em reunião no Panamá
Divulgação/ PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu nesta terça-feira (27) com José Antonio Kast, presidente de direita recém-eleito do Chile.
Segundo nota divulgada pelo governo brasileiro, os dois líderes discutiram a necessidade de promover a estabilidade regional, reforçar a segurança pública e intensificar ações conjuntas de combate ao crime organizado.
Lula e Kast reiteraram a importância de manter e aprofundar as relações bilaterais entre Brasil e Chile, destacando a disposição de ampliar a cooperação em áreas como infraestrutura, energia renovável, comércio e turismo.
Durante a conversa, o presidente brasileiro afirmou que o programa Rotas de Integração Sul-americana “está estruturando dois corredores bioceânicos que utilizarão portos chilenos para facilitar a integração entre Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Chile, fortalecendo a conectividade regional”
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Ainda de acordo com o Planalto, os ministros das Relações Exteriores dos dois países devem se reunir nos próximos meses com objetivo de explorar novas áreas de cooperação e aprofundar as relações bilaterais.
No encontro, o presidente chileno estava acompanhado de futuros ministros do seu gabinete. Do lado brasileiro, além do presidente Lula, participaram do encontro a ministra Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) e os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), e Gustavo Feliciano (Turismo).
Primeiro encontro
A reunião bilateral, de cerca de uma hora, ocorreu no hotel em que Lula está hospedado na Cidade do Panamá, capital panamenha.
Foi o primeiro encontro entre Lula e Kast. Eleito em dezembro do ano passado, o novo presidente chileno tem um histórico de declarações críticas ao presidente Lula e favoráveis ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Kast tomará posse em março.
Leia também: Presidente eleito do Chile, Kast já chamou Lula de corrupto e elogiou Bolsonaro
Antes de se encontrar com Kast, Lula afirmou ter conversado com o atual presidente do Chile, Gabriel Boric, nesta terça-feira (27).
O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, acena após uma reunião privada com o presidente da Argentina, Javier Milei
REUTERS/Pedro Lazaro Fernandez
O político de direita foi o mais votado nas últimas eleições chilenas. Após a vitória, Lula parabenizou o presidente eleito.
Ele afirmou que o Brasil seguiria “trabalhando com o novo governo chileno em favor do fortalecimento das excelentes relações bilaterais, dos sólidos laços econômico-comerciais que unem Brasil e Chile, pela integração regional e a manutenção da América do Sul como zona de paz”.
Lula e Kast estão no Panamá para participar do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, na quarta-feira (28).
Durante a viagem, o presidente brasileiro vai assinar um acordo de cooperação e facilitação de investimentos, que estabelece regras de proteção de investimentos panamenhos no Brasil, e de brasileiros no Panamá. Esta é a primeira visita do presidente ao país no atual mandato.
Também devem participar do evento os chefes de Estado:
Rodrigo Paz, presidente da Bolívia;
Daniel Noboa, presidente do Equador;
Mia Mottley, primeira-ministra de Barbados; e
Andrew Holness, primeiro-ministro da Jamaica.
Encontro com presidente panamenho
Ainda em viagem ao Panamá, o presidente Lula voltou a tratar do tema da segurança pública ao falar com jornalistas ao lado do presidente panamenho, José Mulino. Segundo Lula, apenas com cooperação internacional será possível enfrentar o crime organizado.
“Precisamos superar diferença ideológica, para enfrentar os desafios comuns como o combate ao crime organizado que só pode ser enfrentado com cooperação internacional; por isso, é essencial fortalecer os fóruns latinos e caribenhos”, declarou o presidente brasileiro ao lado de Mulino.
A declaração ocorre em um momento de aumento da preocupação regional com o avanço do crime organizado transnacional, que atua no tráfico de drogas, armas e pessoas e se aproveita de rotas estratégicas na América Latina e no Caribe.
A fala ocorre em meio a uma agenda internacional em que Lula tem defendido o fortalecimento da cooperação entre países para enfrentar o crime organizado transnacional.
O tema também foi abordado pelo presidente brasileiro em conversas recentes com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula defendeu cooperação, urgência no combate ao crime organizado internacional em conjunto com os Estados Unidos.
O tema da segurança pública tem sido recorrente nos discursos do presidente. Lula tem defendido que o enfrentamento dessas organizações exige articulação entre governos nacionais e internacionais.
Além da cooperação policial e integração de políticas de segurança, especialmente em regiões estratégicas para o tráfico de drogas e armas, como a América Latina e o Caribe.

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