O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira (1º) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, é um “vira-lata” que mandou o irmão aos Estados Unidos para falar mal do Brasil.
“Agora, o meu adversário é um vira-lata. Mandou o irmão para lá para falar mal do Brasil”, disse Lula em entrevista a um podcast.
A fala ocorreu após Lula ser questionado sobre a relação com o governo de Donald Trump e o efeito das tarifas comerciais impostas ao Brasil pelo governo norte-americano.
“Agora estamos negociando com Trump, ontem teve reunião. O Trump sabe que tem nós temos coisas estratégicas que ele precisa. Ainda não coloquei em prática a Lei da Reciprocidade, mas ele é importador de Nióbio e 60% do Nióbio dele é aqui do Brasil e ele sabe que na hora que a gente colocar ele na reciprocidade eu vou jogar do mesmo jeito que ele jogou. O que eu não aceitei é mentir a respeito do Brasil”, disse Lula.
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Ao ser questionado sobre quais as motivações do presidente dos Estados Unidos para impor as tarifas ao Brasil, Lula disse que acredita que Trump quer levar benefícios para o país que preside, mas não enxerga os problemas enfrentados pela população, como a falta de moradia.
“De vez em quando o Trump diz até para mim ‘presidente, sabe porque eu tô taxando o mundo? Porque eu tenho o melhor exército do mundo. Eu tenho melhor marinha do mundo. Eu tenho melhor foguete do mundo. Eu falo ‘ô, Trump, não adianta falar para mim. Eu não quero guerra com você. Eu não quero guerra com você. Eu quero derrotar você na narrativa'”, disse o presidente.
Apoio ao tarifaço
Em 9 de julho de 2025, Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Ao apresentar a medida, o presidente americano relacionou a decisão ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Judiciário brasileiro e criticou o julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF).
Jair Bolsonaro respondia no STF a uma ação penal relacionada à tentativa de golpe de Estado de 2022. O processo havia começado em março daquele ano.
O deputado cassado Eduardo Bolsonaro agradeceu ao presidente americano após o anúncio da tarifa e classificou medida como ‘legítima’.
“Obrigado, presidente Donald J. Trump. Espero que as autoridades brasileiras agora tratem esses assuntos com a seriedade que merecem”, disse.
Eduardo também atribuiu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, e ao governo Lula a responsabilidade pela medida americana. Em nota, afirmou que mantinha interlocução com representantes do governo Trump para denunciar o que classificava como violações de direitos no Brasil.
Um ano depois, diante da possibilidade de uma nova tarifa de 25%, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou outra estratégia: pediu ao governo americano que adiasse a cobrança por 180 dias. Entre os argumentos, afirmou que as medidas tarifárias estavam fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ano eleitoral.
Flávio também viajou aos Estados Unidos e, acompanhado do irmão Eduardo, participou de uma audiência pública sobre as novas tarifas. O senador afirmou posteriormente que a viagem foi uma tentativa de “sensibilizar” Trump.
Trump recua em parte das tarifas
Em novembro de 2025, Trump retirou da tarifa adicional de 40% alguns dos principais produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, entre eles carne, café e frutas.
A nova ordem executiva não repetiu as referências ao julgamento de Jair Bolsonaro e às críticas ao STF que haviam aparecido na justificativa original. A retirada, contudo, não representou o fim completo das tarifas adicionais impostas ao Brasil.
Nova tarifa de 25%
Em julho de 2026, os Estados Unidos confirmou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma lista de exceções. A medida resultou da investigação conduzida durante um ano com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.
Segundo o blog do jornalista Valdo Cruz no g1, aliados de Flávio Bolsonaro esperavam um adiamento. A avaliação era que, nesse cenário, o senador poderia dizer que sua interlocução com Trump havia contribuído para evitar a nova taxação.
Com a confirmação da medida, Flávio passou a responsabilizar o governo Lula e sua capacidade de negociação pelo novo tarifaço.
Flávio Bolsonaro (esquerda) e Lula (direita).
Reprodução.
Lula diz que Flávio Bolsonaro é ‘vira-lata’ e mandou irmão aos EUA para falar mal do Brasil
Lula diz que Flávio Bolsonaro é ‘vira-lata’ e mandou irmão aos EUA para falar mal do Brasil