
Lula cita ‘intervenções militares ilegais’ na América Latina em discurso no Panamá
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (28) que há “intervenções militares ilegais” na região da América Latina e do Caribe e criticou a paralisia de organismos internacionais na resposta a essas ações.
Ele também disse que o uso da força não é capaz de combater as “mazelas” dos países e que “falta convicção” às lideranças regionais.
O petista deu as declarações durante discurso na sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina, realizado no Panamá. Lula não especificou a qual intervenção militar estava se referindo ao dar a declaração.
” A única organização que engloba a totalidade dos países da América Latina e Caribe, a Celac, está paralisada, apesar dos esforços do nosso querido presidente Petro. A CELAC não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região”, afirmou.
“A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem esse hemisfério que é de todos nós. A divisão do mundo em zonas de influencias e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos”, completou.
No início do ano, os Estados Unidos invadiram a Venezuela, capturaram e prenderam o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, em um ataque que deixou 100 mortos. A ação tem sido criticada por Lula em pronunciamentos.
Apesar das críticas indiretas, o petista afirmou que os Estados Unidos “souberam ser parceiros” dos países latino-americanos em alguns momentos.
“O presidente Franklin Roosevelt (1933–1945) implementou uma política de boa vizinhança que tinha como objetivo substituir a intervenção militar pela diplomacia em sua política externa para a América Latina e Caribe”, destacou.
Em março, Lula deve embarcar para Washington para se encontrar com Donald Trump. Além de questões econômicas e comerciais, o petista pretende abordar as situações da Venezuela e da Faixa de Gaza.
Trump convidou o brasileiro para integrar um Conselho da Paz que vai debater, entre outros pontos, a questão do território palestino. Lula ainda não confirmou participação no colegiado de países.
Ainda sobre as turbulências internacionais, Lula afirmou que o Brasil escolheu “o mundo da democracia, da paz e da integração regional” e disse que a única guerra que deveria ser travada é a “contra a fome e a desigualdade”.
Lula em Fórum Econômico no Panamá
Ricardo Stuckert/PR
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