
Lula participa de evento do PT na Bahia
Reprodução/PT
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar a pressão dos Estados Unidos sobre Cuba e defendeu uma solução interna para a situação da Venezuela, que foi alvo de uma intervenção norte-americana no mês passado.
Lula ainda reforçou o discurso da soberania nacional, algo que tem repetido ao longo das agendas públicas desde o ano passado, e se disse orgulhoso da parceria do país com a China.
“O nosso país é um país soberano. A gente quer trabalhar com todo mundo, mas a gente não quer dono, não quer voltar a ser colonizado. O nosso país é solidário ao povo cubano, que é vítima de um massacre de especulação dos Estados Unidos contra eles. E que nós temos que encontrar, enquanto partido, um jeito de ajudar”, afirmou.
“Nós temos que dizer alto e bom som que o problema da Venezuela tem que ser resolvido pelo povo da Venezuela e não pelos Estados Unidos ou pelo [Donald] Trump”, prosseguiu.
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Após a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela em 3 de janeiro deste ano, o presidente venezuelano Nicolás Maduro foi capturado junto com sua esposa, Cilia Flores, e levado para Nova York para ser julgado por tráfico de drogas.
O comando do país passou para Delcy Rodríguez, então vice-presidente. Sob pressão, ela conduz mudanças exigidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao mesmo tempo em que mantém o discurso chavista.
Terras raras
Em seu discurso, Lula ainda citou participar de reuniões que tratam sobre terras raras, alvo de disputa entre EUA e China.
“E, agora, embaixador, toda a conversa, toda a reunião é para evitar que os países vendam terras raras, minerais críticos para a China. É uma briga meio escondida, mas tudo é para a China, contra a China. E eu quero dizer que eu sou muito grato, muito grato à parceria que o Brasil tem com a China”, frisou o presidente.
A declaração foi dada durante o encerramento do evento de comemoração de aniversário dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), em Salvador, na Bahia.
A disputa entre Estados Unidos e China pelo controle das terras raras — minerais essenciais para celulares, carros elétricos, painéis solares, turbinas eólicas e armamentos — voltou a se intensificar neste início de 2026.
Washington tenta articular uma aliança internacional com mais de 50 países, incluindo o Brasil, para reduzir a dependência da cadeia dominada por Pequim, que controla 70% da extração e 90% do processamento global desses elementos.
Os EUA afirmam que a concentração da produção em um único país compromete a segurança geopolítica e econômica, enquanto a China reage acusando Washington de tentar distorcer a ordem comercial internacional.
A ofensiva norte-americana inclui negociações multilaterais e a criação de um estoque estratégico de minerais críticos — movimento que mira diretamente o domínio chinês em um setor considerado tão estratégico quanto o petróleo no século passado.
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