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Liquidado pelo BC, Will Bank cresceu com foco em baixa renda; conheça | G1

por Redação
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Criado com foco em inclusão financeira, o Will Bank era um banco digital voltado principalmente a pessoas com pouco acesso ao sistema financeiro tradicional, especialmente clientes de renda média e baixa.

A instituição construiu uma base concentrada no Nordeste, região que abriga cerca de 60% de seus usuários, muitos deles residentes de cidades de pequeno porte. A empresa afirmava, em seu material promocional, ter alcançado a marca de 12 milhões de clientes.

Segundo apurou o blog do Valdo Cruz, o Will Bank estava sob regime de administração temporária do Banco Central e ainda não havia sido liquidado para permitir a venda a um novo investidor de origem árabe, que demonstrava interesse na compra. O negócio, porém, não foi fechado.

Na última segunda-feira (19), a Mastercard informou que a Will Financeira não honrou os pagamentos devidos. No dia seguinte, a empresa anunciou a suspensão da aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank em razão das dívidas.

O BC, então, constatou que não restaram alternativas viáveis para a reestruturação, tornando inevitável a liquidação do Will Bank.

História do Will Bank

A fintech surgiu em 2017, no Espírito Santo, a partir do pag!, emissor de cartões de crédito fundado por Felipe Felix — atual CEO — ao lado dos irmãos Giovanni e Walter Piana.

Em 2020, a empresa passou por uma reformulação e adotou a marca Will Bank, ampliando sua atuação para além do cartão de crédito e se consolidando como banco digital.

Ao longo dos anos, a fintech expandiu seu portfólio de produtos, incluindo conta digital remunerada, pagamentos via PIX e boletos, empréstimo pessoal, antecipação do saque-aniversário do FGTS e um marketplace com sistema de cashback.

A comunicação da marca sempre destacou uma linguagem simples e acessível, reforçando o discurso de democratização do crédito.

Em 2021, a instituição recebeu um aporte de R$ 250 milhões do fundo de private equity da XP e da Atmos Capital, que passaram a deter uma participação minoritária de 24,9%.

No ano seguinte, o banco incorporou a equipe e as parcerias da startup de cashback Getmore, acelerando a estratégia de vendas online e de marketplace.

Em 2024, o grupo passou por uma reestruturação societária relevante. Após aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central, o controle da Will Instituição de Pagamentos foi transferido ao Grupo Reag, enquanto a Will Financeira passou para o controle do Grupo Master.

Como parte do processo, ativos e passivos ligados ao arranjo de pagamentos começaram a ser transferidos da instituição de pagamentos para a financeira.

O Will Bank havia registrado melhora em seus resultados recentes. No primeiro semestre de 2024, a companhia reverteu prejuízos acumulados e apurou lucro líquido de R$ 47,4 milhões, segundo dados divulgados pela própria instituição.

Aposta em celebridades

O Will Bank apostou em campanhas publicitárias com famosos e influenciadores para ampliar sua visibilidade e reforçar o posicionamento voltado à inclusão financeira.

A estratégia do banco incluiu campanhas nas redes sociais com a participação de nomes conhecidos do grande público, como Whindersson Nunes, Maísa, Pabllo Vittar, Simone, Thelminha e o jogador de futebol Vinícius Jr., com ações voltadas principalmente ao público jovem no TikTok.

O banco também realizou ações de marketing com influenciadores digitais e clientes, usando humor e linguagem acessível para ampliar o alcance da marca nas redes sociais.

Uma das iniciativas mais comentadas foi uma campanha com Whindersson no Dia do Nordestino, em sintonia com o fato de que boa parte dos clientes do banco vive na região.

Também houve ações com foco em diversidade, como a campanha estrelada pela cantora Danny Bond.

Situação financeira comprometida

  • 🔎 A liquidação extrajudicial significa o encerramento das atividades de uma instituição que não tem mais condições de continuar funcionando, realizado sem processo judicial e que prevê o pagamento organizado dos credores.

Na intervenção no Will Bank, o BC ressaltou que a insolvência do banco digital estava ligada ao vínculo com o Banco Master S.A., controlador do conglomerado financeiro.

Após a liquidação do Master, em novembro, o Will Bank passou a operar sob gestão do BC, que assumiu temporariamente o controle da instituição para evitar o agravamento da situação e prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro.

Como a venda a um novo investidor não se concretizou e diante do acúmulo de dívidas, o funcionamento da instituição financeira tornou-se inviável, o que levou à decisão pela liquidação extrajudicial.

Veja a nota do Banco Central sobre a liquidação na íntegra:

“​O Banco Central decretou hoje, 21 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, controlada pelo Banco Master Múltiplo S/A, o qual vem operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) no contexto da liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, decretada em 18 de novembro de 2025.

O Conglomerado Master era classificado como de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Master S/A.

O conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Na ocasião da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do RAET ao Master Múltiplo S/A, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira. Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo.

Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial.

O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição objeto da liquidação decretada.”

Aplicativo e cartão do Will Bank — Foto: Will Bank/Divulgação

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