Jaguar apresenta elétrico Type 01 em meio a polêmica de design. | G1

Jaguar apresenta elétrico Type 01 em meio a polêmica de design. | G1

O lançamento marca, segundo a Jaguar, o início de uma nova geração de veículos da marca e de uma nova fase para a fabricante britânica, controlada pela indiana Tata Motors.

O preço elevado representa uma aposta no mercado norte-americano, onde a aceitação de carros elétricos tem sido menor do que na Europa.

Segundo a Reuters, a JLR, grupo ao qual a marca pertence, pretende aumentar o foco nos consumidores dos Estados Unidos enquanto enfrenta dificuldades no mercado europeu.

Agora no g1

Entre os desafios estão a concorrência de carros chineses com preços mais baixos, custos relacionados a tarifas e interrupções provocadas pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.

O desenho do Type 01 busca inspiração nos esportivos Jaguar E-Type dos anos 1960, modelos que se tornaram valorizados entre colecionadores.

O modelo tem uma arquitetura elétrica de 850 volts, o que possibilita despejar mais de 1.000 cv de potência e uma recarga ultrarrápida de 350 kW.

Segundo a Jaguar, com este recurso de recarga é possível recuperar em apenas 13 minutos mais de 320 km de autonomia. A marca declara que o alcance total do Type 01 com as baterias de 118 kW cheias é de mais de 600 km.

Jaguar apresenta o Type 01

1/4

Jaguar apresenta o Type 01 — Foto: Divulgação / Jaguar

Como parte de um plano de recuperação, a empresa anunciou no mês passado que pretende reduzir quase 10% de sua força de trabalho nos próximos dois anos, por meio de desligamentos voluntários.

A companhia também decidiu transformar toda a sua linha em veículos elétricos. A estratégia ocorre apesar de executivos do setor terem demonstrado dúvidas sobre o interesse de consumidores de maior poder aquisitivo por carros elétricos.

Interior do novo Jaguar Type 01.

1/4

Interior do novo Jaguar Type 01. — Foto: Divulgação / Jaguar

Nova identidade polêmica

A nova identidade passou a priorizar o nome Jaguar, escrito em letras minúsculas, com tipografia mais arredondada e espaçamento maior entre as letras.

A empresa afirmou que a mudança fazia parte de um plano para tornar a marca relevante para uma nova geração.

A reformulação também estava ligada ao plano de transformar a Jaguar em uma marca totalmente elétrica.

Nova marca da Jaguar — Foto: divulgação/Jaguar

A reação nas redes sociais, porém, foi negativa. Muitos usuários questionaram a mudança e disseram preferir o retorno aos carros a combustão com motores V8.

Outros criticaram a tentativa de combinar carros elétricos voltados a um público mais jovem com referências à Pop Art dos anos 1950.

O carro chamou atenção pelo desenho. Enquanto algumas curvas remetem aos esportivos da Jaguar, a lateral apresenta linhas retas que lembram a picape Tesla Cybertruck.

Nas redes sociais, a apresentação não conseguiu reverter as críticas à nova fase da marca. Usuários compararam o protótipo a um climatizador e a uma geladeira. Também houve comentários apontando semelhanças com modelos de outras marcas, como Rolls-Royce, BMW e Porsche.

Conceito Jaguar Type 00 foi apresentado para ilustrar o futuro da marca. — Foto: divulgação/Jaguar

Cortes

A empresa pretende economizar 1,7 bilhão de libras, cerca de R$ 12,5 bilhões, e reduzir seu ponto de equilíbrio para aproximadamente 300 mil veículos.

A JLR emprega cerca de 43 mil pessoas em todo o mundo, sendo 34 mil no Reino Unido. A empresa não informou onde os cortes serão realizados.

A medida ocorre em meio à concorrência de fabricantes chineses e aos efeitos das tarifas comerciais. A fabricante também ainda se recuperava de um ataque cibernético ocorrido em 2025, que provocou uma longa paralisação da produção e afetou sua cadeia de fornecedores.

A reportagem do g1 conversou com o CEO da JLR no Brasil, João Oliveira, sobre a situação da fábrica do grupo em Porto Real (RJ).

A planta pode produzir os modelos Evoque e Discovery e tem capacidade de montar mais de 40 mil unidades por ano usando os três turnos.

Desde julho a linha de produção está parada. O Discovery foi descontinuado globalmente e a produção do Evoque até o fim de 2026 já foi feita. Ainda será definido o futuro do modelo no Brasil.

Os colaboradores da fábrica passam desde então por treinamentos de reciclagem. Não houve demissões no Brasil até o momento.

Mesmo com o corte de empregos, a JLR afirmou que pretende lançar cinco novos produtos nos 12 meses seguintes e manter investimentos entre 15 bilhões e 18 bilhões de libras, cerca de R$ 110,5 bilhões a R$ 132,6 bilhões, nos cinco anos seguintes.

Os recursos serão destinados à eletrificação, tecnologias digitais, manufatura avançada e melhorias na experiência do cliente.

O programa de demissão voluntária deverá atingir principalmente os 26 mil funcionários das áreas administrativa e de gestão. A empresa afirmou que precisa reduzir custos e simplificar sua estrutura para tornar o negócio mais resiliente.

* Com informações da agência Reuters.

Postagens relacionadas

Estrangeiros põem recorde de R$ 10 bi na Bolsa após 1º turno | G1

Reforma tributária: porta-voz de Flávio propõe fim do split payment | G1

Leilão da ANP: Petrobras e outras petroleiras arrematam 7 das 13 áreas de exploração no pré-sal | G1