Itamaraty revoga visto de assessor do governo Trump que visitaria Bolsonaro na cadeia

Itamaraty revoga visto de assessor do governo Trump que visitaria Bolsonaro na cadeia


Governo revoga visto de assessor de Trump
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) revogou a concessão de visto de Darren Beattie, assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para temas relacionados ao Brasil, que iria visitar o país na próxima semana.
Beattie estava com uma viagem marcada ao Brasil e visitaria Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, onde o ex-presidente está detido. Mas o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) — responsável por aprovar esse tipo de solicitação — negou o pedido da defesa para o encontro (relembre mais abaixo).
Fontes da diplomacia informam que o governo brasileiro está usando o princípio de reciprocidade, adotado internacionalmente, inclusive pelos americanos, de revogação de vistos.
Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que Beattie só entrará no país quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, puder viajar aos Estados Unidos.
“Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, pra visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que estão bloqueados”, afirmou.
Em agosto do ano passado, os Estados Unidos cancelaram o visto da mulher e da filha, de 10 anos, de Alexandre de Padilha. O visto do ministro não foi revogado porque já estava vencido (leia mais aqui).
No entendimento do governo, o secretário do governo Trump mentiu sobre o motivo da viagem ao pedir o visto, de acordo com fontes ligadas à diplomacia ouvidas pela GloboNews.
Darren Beattie, à esquerda, em evento nos EUA em 2022
John Rudoff/Sipa USA via Reuters Connect
Visita ao Brasil
Na terça-feira (10), a defesa do ex-presidente Bolsonaro enviou um pedido a Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo, pedindo que a visita fosse concedida de forma excepcional na segunda (16) ou na terça-feira (17), por motivos de agenda do norte-americano.
Bolsonaro está preso na Papudinha, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. As visitas ao ex-presidente precisam receber o aval de Moraes, relator do processo que levou o político à cadeia.
Moraes permitiu a visita, no entanto, autorizou que ela fosse realizada na quarta-feira (18). As visitas na unidade prisional onde Bolsonaro está detido são, tradicionalmente, às quartas e sábados. No dia seguinte, a defesa pediu que ele reconsiderasse a data, ainda por motivos de agenda.
Questionada pela TV Globo, a embaixada dos Estados Unidos no Brasil não detalhou o motivo da viagem. Informou apenas que “Darren Beattie viajará em breve ao Brasil para promover a agenda de política externa America First”.
🔎A doutrina “America First”, ou América em primeiro lugar, na tradução livre, é um plano do governo Donald Trump que fala sobre reajuste da presença militar norte-americana em um contexto global para enfrentar ameaças urgentes no hemisfério ocidental.
Moraes, então, solicitou informações ao Itamaraty sobre a agenda diplomática do secretário de Trump no Brasil.
Em resposta, o ministério afirmou que a reunião de um assessor de Trump com o ex-presidente Jair Bolsonaro “pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.
Diante disso, Moraes voltou atrás e retirou a autorização para o encontro entre Bolsonaro e Beattie.
Vale lembrar que o ex-presidente foi internado nesta sexta-feira (13) no Hospital DF Star, em Brasília, diagnosticado com um quadro de broncopneumonia. Ele está sendo tratado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
MRE pediu esclarecimentos à embaixada
Ainda na terça, segundo apurou a GloboNews, o Itamaraty convocou o encarregado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, a prestar esclarecimentos sobre a vinda ao Brasil de Darren Beattie.
Ele foi recebido na terça-feira (11) pelo embaixador Roberto Abdalla, secretário de Europa e América do Norte do Itamaraty. Na conversa, explicou que o principal motivo da viagem de Beattie seria a participação em um fórum sobre terras raras.
Mas, fontes ligadas ao governo norte-americano afirmam que, apesar da presença confirmada no evento, Beattie pretendia priorizar a visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), antes de o ministro Alexandre de Moraes rever a decisão e vetar o encontro.
Diplomatas dizem que o Itamaraty soube da viagem do norte-americano pela imprensa, após ser divulgado que a defesa de Bolsonaro pediu para ele receber uma visita de Beattie na prisão.
Como não havia sido informado previamente, o ministério chamou o representante diplomático.
A decisão de Moraes de recuar sobre a visita acabou frustrando os planos do assessor de Trump. Ainda assim, a previsão era que a viagem ao Brasil fosse mantida. Beattie iria se encontrar com o filho de Bolsonaro e pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

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