O ano de 2026 chega com mudanças sensíveis no Direito Previdenciário brasileiro. Regras de aposentadoria mais exigentes, reajustes desiguais nos benefícios, debates sobre a proteção dos aposentados e o protagonismo feminino na seguridade social estão entre os destaques.
Mais do que atualizações normativas, essas mudanças refletem transformações profundas na forma como a sociedade brasileira lida com o tempo de contribuição, o envelhecimento e a proteção social. A seguir, uma análise dos principais pontos em destaque no cenário previdenciário deste ano.
Aposentadoria:
Regras de Transição Mais Rígidas
Com a continuidade das regras da Reforma da Previdência (EC 103/2019), 2026 impõe exigências mais altas para quem busca a aposentadoria por tempo de contribuição e por pontos. As novas faixas de idade mínima e pontuação impactam diretamente os trabalhadores que ainda não preencheram os requisitos até o fim de 2023.
Para mulheres, a pontuação sobe para 91; para homens, para 101 pontos. Além disso, a idade mínima também sofre elevação gradual.
Reflexão:
É necessário questionar se essas regras estão sendo aplicadas com justiça a realidades distintas, como a de quem começou a trabalhar muito jovem ou atua em condições desfavoráveis.
Reajustes de Benefícios e Salário-Mínimo:
A Nova Distorção
Neste ano, o salário-mínimo teve um reajuste de quase 7%, enquanto o teto dos benefícios do INSS subiu menos de 4%. Essa diferença causa uma distorção no reajuste dos benefícios, favorecendo proporcionalmente os que recebem menos.
Descontos em Benefícios: Fim dos Descontos Automáticos
Está em discussão no Congresso Nacional o fim definitivo dos descontos automáticos de associações, sindicatos e entidades em benefícios pagos pelo INSS. A proposta visa ampliar a proteção dos aposentados contra cobranças indevidas.
Se aprovada, a mudança deve desburocratizar a relação entre segurados e o sistema, mas também exige atenção: a falta de informação pode enfraquecer a atuação de entidades legítimas de defesa do segurado.
Mulheres no Centro da Previdência
Segundo dados recentes, as mulheres ultrapassaram os homens em número de aposentadorias concedidas pelo INSS. Elas também representam a maioria dos beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Esse fenômeno é reflexo do aumento da participação feminina no mercado de trabalho e da busca por segurança previdenciária, mas também impõe desafios: o sistema precisa reconhecer com justiça o acúmulo de funções profissionais, domésticas e familiares que ainda recaem, majoritariamente, sobre as mulheres.
Conclusão
O Direito Previdenciário em 2026 pede mais do que conhecimento técnico. Exige sensibilidade social, atenção às desigualdades e compromisso com a justiça.
As normas mudam, mas o que está em jogo permanece o mesmo: a dignidade de quem trabalhou e sonha com um futuro mais seguro.
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Fonte: Dra. Ingrid Dialhane
Advogada Previdenciária