Jornal de Minas
06/11/2026

Inadimplência dispara quase 40% em um ano na alta renda | G1

por Redação
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Segundo especialistas ouvidos pelo g1, um dos pontos de atenção também para os mais ricos é o crédito rotativo do cartão, modalidade de crédito emergencial e de acesso imediato, que pode ser utilizada sem a contratação de um novo empréstimo e costuma ter juros elevados.

  • Dados preliminares do BC referentes a setembro, por exemplo, apontam que a taxa média de juros do rotativo do cartão chegou a 451,7% ao ano, o equivalente a 15,29% ao mês.
  • Já os juros do parcelamento da fatura, modalidade em que o cliente divide o saldo devido em parcelas acrescidas de juros, chegaram a 193% ao ano, o equivalente a 9,37% ao mês.

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“O cartão de crédito é uma faca de dois gumes. Ele pode ajudar no orçamento se a pessoa conseguir se organizar. Mas, infelizmente, a maior parte da população ainda enxerga o cartão como uma oportunidade de esticar o orçamento no curto prazo, e o resultado disso é um juro exorbitante”, afirma Fabio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Inadimplência da alta renda cresce mais de 30%. — Foto: Arte/g1

Crédito às famílias também cresce

O cenário de juros elevados ocorre, ainda, em meio à expansão do crédito às famílias. Segundo o BC, o estoque das operações de crédito para pessoas físicas cresceu 9,9% nos 12 meses encerrados em setembro.

No rotativo do cartão, as concessões também avançaram. De acordo com o BC, o volume de crédito concedido nessa modalidade cresceu 12,6% em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado, para R$ 37,3 bilhões.

No parcelamento da fatura, as concessões avançaram 8,4% na mesma comparação, para R$ 17,6 bilhões.

“Além dos juros altos que acabam deixando o consumo e o crédito mais caro, também temos uma mudança comportamental do brasileiro, que hoje tem um acesso muito mais fácil ao consumo por conta da internet”, afirma Alexandre Amorim, planejador financeiro CFP associado à Planejar.

“Antigamente, os planejadores financeiros orientavam os clientes a darem uma volta no shopping antes de comprar algo para ver se aquele produto era algo que ele realmente queria ter. Mas agora, com a internet, a compra por impulso também acaba sendo um problema”, completa.

Inadimplência no cartão avança mais na alta renda na comparação em 12 meses. — Foto: Arte/g1

Outro fator que pode pressionar o orçamento das famílias é a inflação, que segue acima da meta no país.

Segundo Bentes, da CNC, o ritmo de redução da taxa básica de juros (Selic) também influencia o consumo e as condições de crédito no país. Atualmente, a taxa está em 13,75% ao ano.

Nesse sentido, embora os juros básicos tenham começado a cair — estavam em 15% ao ano no início de 2026 —, os efeitos do período prolongado de crédito caro continuam pesando no orçamento das famílias.

“Além disso, o brasileiro tem o hábito de pagar o preço da facilidade. No caso do crédito, esse preço é a taxa de juros elevada do cartão de crédito”, diz o economista.

Maioria das famílias brasileiras continua endividada

A CNC divulgou, nesta quinta-feira (5), os novos dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

Os dados mostraram que 81,6% das famílias declararam ter dívidas em outubro, ante 81,7% em setembro. Apesar de ser o menor patamar desde junho, o percentual ainda ficou 2,1 pontos percentuais acima do registrado em outubro de 2025 (79,5%).

Por outro lado, o percentual de famílias com dívidas em atraso ficou em 29,3% em outubro, queda de 0,3 ponto percentual em relação a setembro e de 1,2 ponto percentual na comparação com outubro do ano passado.

Além disso, 12,2% das famílias afirmaram que não teriam condições de pagar as dívidas em atraso, uma queda de 0,3 ponto percentual em relação a setembro e de 1 ponto percentual na comparação anual.

Na divisão por faixa de renda, a proporção de famílias endividadas caiu entre aquelas que ganham até 3 salários mínimos, de 84,6% para 84,5%, e entre as que recebem mais de 10 salários mínimos, de 71,9% para 71,5%.

Por outro lado, o percentual de famílias endividadas aumentou entre as que ganham de 5 a 10 salários mínimos, de 77,9% para 79,3%, e ficou estável, em 83,3%, entre aquelas com renda de 3 a 5 salários mínimos.

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