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Ibovespa bate novo recorde, aos 165 mil pontos; dólar cai a R$ 5,36 | G1

por Redação
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O dólar, por sua vez, fechou a sessão em queda de 0,62%, cotado a R$ 5,3680. Os investidores reagiram a uma combinação de fatores no Brasil e no exterior. No cenário doméstico, investigações envolvendo o sistema financeiro mexeram com os mercados, enquanto, fora do país, indicadores econômicos voltaram ao radar dos investidores.

▶️ No Brasil, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, novo nome social da Reag Trust, administradora de fundos do Grupo Reag.

  • A empresa esteve no centro da segunda fase da Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira (14). O fundador e ex-executivo da Reag, João Carlos Mansur, foi alvo de mandados de busca e apreensão.

▶️ Nos Estados Unidos, o foco ficou com os novos dados de pedidos de auxílio-desemprego, que recuaram de forma inesperada na última semana. Segundo informações do Departamento de Trabalho americano, as solicitações caíram a 198 mil no período, ante projeção de 215 mil.

  • O resultado reforçou a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) mantenha os juros inalterados no curto prazo.

▶️ Ainda na América do Norte, investidores também avaliaram a imposição de uma tarifa de 25% sobre determinados semicondutores por parte do presidente americano, Donald Trump. A decisão, assinada e divulgada na véspera, foi anunciada com base em uma nova ordem de segurança nacional por parte da Casa Branca e tem como alvo semicondutores de alto desempenho.

▶️ Por fim, os desdobramentos geopolíticos envolvendo o Irã e a Groenlândia, e as críticas recorrentes de Trump sobre a condução da política de juros pelo Fed também ficaram no radar.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: +0,05%;
  • Acumulado do mês: -2,20%;
  • Acumulado do ano: -2,20%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +1,35%;
  • Acumulado do mês: +2,76%;
  • Acumulado do ano: +2,76%.

Todos de olho em Trump

As medidas e afirmações do presidente americano continuam a mexer com os mercados globais. Entenda abaixo os principais pontos de atenção:

Entre as ações mais recentes do republicano, por exemplo, está a imposição de uma tarifa de 25% sobre alguns chips de Inteligência Artificial.

A iniciativa, que é parte de um esforço mais amplo do governo americano para incentivar fabricantes de chips a ampliar a produção de semicondutores nos EUA e reduzir a dependência de fornecedores asiáticos, tem como alvo semicondutores de alto desempenho que atendem a critérios técnicos específicos, além de dispositivos que os incorporam, para fins de aplicação de tarifas de importação.

“Os EUA atualmente fabricam apenas cerca de 10% dos chips de que necessitam, o que os torna fortemente dependentes de cadeias de suprimento estrangeiras”, diz a decisão, acrescentando que essa dependência representa um “risco econômico e de segurança nacional significativo”.

Em nota, a Casa Branca informou que as tarifas terão escopo restrito e não se aplicarão a chips e dispositivos derivados importados para data centers nos EUA — grandes consumidores de chips de IA —, nem a produtos destinados a startups, aplicações de consumo fora desses centros, usos industriais civis fora de data centers e ao setor público americano.

De acordo com o anúncio, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, terá ampla margem para conceder novas isenções.

Além disso, tensões geopolíticas envolvendo os EUA também seguem sob os holofotes. Segundo a porta-voz do governo Trump, Karoline Leavitt, 800 execuções foram suspensas no Irã, após o presidente americano afirmar que Washington adotaria “medidas muito duras” caso o país do Oriente Médio começasse a enforcar manifestantes.

“O presidente Trump e sua equipe disseram ao Irã que, se as mortes continuarem, haverá graves consequências”, declarou Leavitt nesta quinta-feira, reforçando que “o presidente e sua equipe estão monitorando a situação de perto e todas as opções estão sendo consideradas”.

O cenário, segundo o analista de investimentos da Daycoval Corretora Gabriel Mollo, segue no radar dos investidores e pode trazer novos impulsos ao mercado acionário brasileiro.

“Se tiver uma maior pressão dos EUA contra o Irã, acreditamos que o mercado pode subir por conta [de papéis que podem se beneficiar] da alta do petróleo e das commodities como um todo”, afirma.

Por fim, as recentes ameaças de Trump sobre a possível anexação da Groenlândia aos Estados Unidos também continuam a trazer cautela nos mercados internacionais.

Trump afirmou que a Groenlândia deveria pertencer aos Estados Unidos e não descartou o uso da força para tomar o território. As declarações geraram reação na Europa, sendo contestadas pela Dinamarca e pelo governo local da ilha.

Nesta semana, Alemanha, França, Suécia e Noruega enviaram soldados à ilha. De acordo com o governo alemão, a missão foi solicitada pela Dinamarca — que atualmente tem a custódia da Groelândia — para avaliar possíveis contribuições militares e reforçar a segurança na região.

Em resposta, Leavitt afirmou que o envio de tropas europeias para a região não muda a posição de Trump. “Não acho que tropas europeias influenciem o processo de decisão do presidente, nem o objetivo de adquirir a Groenlândia”, disse.

Agenda econômica

  • Pedidos de auxílio-desemprego dos EUA

O número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego caiu 9 mil na semana passada, para 198 mil solicitações. As informações são do Departamento do Trabalho americano. Economistas consultados pela Reuters previam 215.000 pedidos para a última semana.

Os dados indicam que houve pouca mudança na dinâmica do mercado de trabalho, com as demissões em permanecendo baixas e as contratações lentas. Segundo economistas, as políticas agressivas de comércio e imigração de Trump reduziram tanto a demanda quanto a oferta de trabalhadores.

As empresas também não têm certeza de suas necessidades de pessoal, pois investem pesadamente em inteligência artificial, reduzindo as contratações.

As vendas no varejo do Brasil cresceram 1% em novembro, informou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou bem acima da expectativa dos economistas, de alta de 0,3%, segundo a Reuters.

Na comparação com o mesmo mês de 2024, as vendas apresentaram alta de 1,3% contra expectativa de uma taxa de 0,2%.

O número reflete o bom desempenho das vendas da Black Friday e foi puxado pela força do mercado de trabalho e a renda mais alta, que têm ajudado a compensar o difícil acesso ao crédito e juros elevados.

Entre as oito atividades pesquisadas na pesquisa do IBGE sobre o varejo, sete apresentaram expansão das vendas, com destaque para Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (4,1%) e Móveis e eletrodomésticos (2,3%).

Bolsas globais

Nos EUA, os três principais índices de Wall Street fecharam em alta nesta quinta-feira, impulsionados por papéis do setor financeiro, que subiram após a divulgação de balanços corporativos. Ações de semicondutores também registraram avanço.

O maior avanço ficou com o Dow Jones, que subiu 0,60%, para 49.446,23 pontos. O S&P 500 avançou 0,26%, aos 6.944,57 pontos e o Nasdaq Composite teve alta de 0,25%, aos 23.530,02 pontos.

Já a maioria dos mercados europeus fechou em alta, conforme investidores avaliavam resultados trimestrais e diante dos sinais de resiliência da economia alemã. As discussões em relação às tentativas de Trump de adquirir a Groenlândia também ficaram no radar.

No fechamento, o STOXX 600 avançou 0,49% e atingiu um novo recorde, enquanto o FTSE, de Londres, subiu 0,54%. O DAX, de Frankfurt, teve alta de 0,26%, e o CAC 40, de Paris, perdeu 0,21%.

Já as bolsas asiáticas fecharam mistas. Hong Kong avançou, enquanto os índices chineses recuaram após reguladores aumentarem exigências de margem para conter excesso especulativo, mesmo com volume recorde de negociações.

O dia também foi marcado por otimismo com inteligência artificial, impulsionando ações japonesas e levando o índice MSCI Ásia-Pacífico fora do Japão a um novo pico.

No fechamento, os índices registraram: Nikkei +1,48% (54.341 pontos), Hang Seng +0,56% (26.999 pontos), Xangai SSEC -0,31% (4.126 pontos), CSI300 -0,40% (4.741 pontos), Kospi +0,65% (4.723 pontos), Taiex +0,76% (30.941 pontos) e Straits Times +0,11% (4.812 pontos).

Notas de dólar. — Foto: Rick Wilking/Reuters

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