Na véspera, a moeda americana teve a maior alta diária desde 1999, com avanço de 8,21%, a R$ 5,4027. Já o Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608 pontos, no pior resultado desde março de 2020, durante a pandemia de Covid-19. Veja as maiores quedas do índice.
O resultado das eleições presidenciais no Brasil continua a mexer com os negócios nesta terça-feira, conforme investidores e empresários cobram novos sinais de reajuste fiscal por parte do governo. No exterior, o foco fica com a nova decisão de juros dos Estados Unidos, prevista para amanhã. A eleição em Israel e os preços do petróleo também ficam no radar.
▶️ A vitória de Lula (PT) muda o cenário esperado pelo mercado para juros, câmbio, bolsas e as contas do governo. Em meio a preocupações com a dívida pública, investidores e empresários cobram um reajuste fiscal do governo. O temor é que haja uma piora das condições financeiras, com crédito mais caro e uma possível nova alta da Selic caso o dólar pressione a inflação.
▶️ No exterior, o foco fica com a nova decisão de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), prevista para amanhã. Segundo dados do CME Group, a maior parte do mercado espera uma manutenção das taxas por parte da instituição. Investidores também ficam de olho para eventuais novas falas do presidente do Fed, Kevin Warsh.
▶️ No Oriente Médio, as eleições de Israel ficam no centro das atenções. Essa é a primeira vez que o país vai às urnas depois da guerra em Gaza, em uma disputa que deve decidir o futuro do atual primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que pode deixar a política ou renovar forças para seguir com seu projeto bélico à frente do país. Saiba mais.
▶️ Entre as commodities, os preços do petróleo seguem elevados, em meio a preocupações com os novos ataques houthis contra o território saudita.
- Perto das 9h15, o barril do Brent, referência internacional, tinha queda de 0,80%, cotado a US$ 114,88. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, recuava 0,70% no mesmo horário, a US$ 101,05 o barril.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
- Acumulado da semana: -8,21%;
- Acumulado do mês: -4,41%;
- Acumulado do ano: -1,57%.
📈Ibovespa
- Acumulado da semana: -0,17%
- Acumulado do mês: +10,06%;
- Acumulado do ano: +27,28%.
Vitória de Lula muda projeções do mercado
A vitória do presidente Lula (PT) para um quarto mandato traz uma forte pressão de baixa nos ativos locais. Lula venceu a disputa pelo Planalto com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), considerando quase 100% das urnas apuradas.
Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas.
“O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos”, disse Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
Ainda assim, especialistas destacam que o governo pode tentar ganhar de volta a confiança do mercado.
“Em paralelo, a equipe econômica sinaliza uma PEC com revisão de gastos obrigatórios e busca do centro da meta fiscal”, afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM.
- Risco de disputa na Justiça
Alguns profissionais também acreditam que a vitória do petista não será o único fator para a volatilidade nos mercados financeiro. Isso porque a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação das 17h às 19h, em função de problemas no deslocamento de eleitores em várias cidades, deve gerar questionamentos na Justiça.
Em pronunciamento após a derrota, Flávio não reconheceu o resultado e disse que pedirá anulação do pleito.
“Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, à Reuters.
Bolsas globais
Na Ásia, as ações chinesas perderam os ganhos registrados no início do pregão e fecharam na menor cotação em 14 meses, acompanhando a queda dos papéis do setor de tecnologia.
O SSEC, Índice de Xangai, e o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, recuaram 1,3% na sessão. No Japão, o Nikkei subiu 1,73% e o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 3,09%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve perdas de 0,73%.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Dólar vive disparada nos últimos dias — Foto: Cris Faga/Dragonfly/Estadão Conteúdo

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
