Boxeador Prichard Colón.
Reprodução/Redes Sociais
Um hematoma subdural foi o que levou o ex-boxeador porto-riquenho, Prichard Colón, a um estado vegetativo de 11 anos e o que causou sua morte, confirmada na última quinta-feira (13).
➡️O hematoma subdural acontece quando há um acúmulo de sangue entre o cérebro e o crânio. Geralmente, esse problema ocorre depois de um traumatismo craniano e pode ser fatal. (entenda mais abaixo)
Liz Rebouças, médica neurologista da UPA Santa Catarina, gerida pelo Einstein Hospital Israelita, explica que as membranas que revestem o cérebro são cheias de vasos sanguíneos e uma pancada mais intensa pode fazer com que eles se rompam.
“O hematoma subdural é causado pela ruptura de veias que cruzam esse espaço, e pode causar lesão do tecido cerebral que está próximo”, explica.
No caso de Prichard, ele levou diversos golpe na nuca durante uma luta, em 2015. As pancadas causaram um hematoma subdural, deixando o atleta em coma por cerca de sete meses. Ele precisou passar por uma cirurgia para aliviar a pressão na região, mas os danos neurológicos não foram revertidos.
Boxeador Prichard Colón.
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Agora no g1
Como um hematoma subdural acontece?
Esse tipo de sangramento acontece dentro da cabeça quando há acúmulo de sangue entre a dura-máter – uma das membranas que revestem e protegem o cérebro – e a superfície do cérebro.
Segundo especialistas, a gravidade do problema depende, entre outros fatores, da quantidade de sangue acumulada, da velocidade com que o hematoma se forma e da pressão exercida sobre o cérebro. Há risco de complicações e até de morte, como foi o caso do ex-boxeador.
Na maioria dos casos, o hematoma está relacionado a algum tipo de traumatismo craniano.
👉De acordo com a Sociedade Brasileira de AVC e com a Cleveland Clinic, as situações mais comuns que podem levar a esse quadro são:
Cair e bater com a cabeça.
Levar uma pancada na cabeça em um acidente de carro ou de bicicleta.
Bater a cabeça enquanto pratica esportes.
Sofrer um traumatismo craniano resultante de agressão ou abuso físico.
Rebouças ainda acrescenta que, mais raramente, o problema pode ter causas não traumáticas como malformações vasculares, coagulopatias e neoplasias.
Principais sintomas
Os sinais variam conforme o tipo e a evolução do hematoma. Entre os sintomas mais comuns estão:
Dor de cabeça persistente
Náuseas e vômitos
Fala enrolada ou alterações da fala
Alterações na visão
Tontura
Dificuldade para manter o equilíbrio ou caminhar
Fraqueza em um dos lados do corpo
Nos hematomas crônicos, os sintomas podem aparecer de maneira gradual. Também podem ocorrer perda de memória, desorientação, mudanças de personalidade, apatia, sonolência e confusão mental.
Em casos mais graves, o paciente pode apresentar convulsões, paralisia, perda de consciência, coma e problemas respiratórios.
Um hematoma crônico pequeno pode não provocar sintomas. Quando há manifestações, elas podem surgir semanas depois da queda ou pancada porque o sangue se acumula gradualmente.
Tipos de hematoma subdural
De forma geral, os hematomas subdurais são classificados principalmente de acordo com a velocidade com que o sangramento se desenvolve e os sintomas aparecem.
➡️Há três principais tipos:
Agudo
É o tipo mais grave. Geralmente está associado a traumas mais importantes, como acidentes automobilísticos ou quedas de grandes alturas.
Os sintomas podem aparecer imediatamente ou em minutos ou horas após a lesão. Como o sangue se acumula rapidamente e aumenta a pressão sobre o cérebro, é uma emergência médica.
Subagudo
Nesse tipo, os sintomas podem surgir horas, dias ou até semanas depois do traumatismo craniano.
Um hematoma dessa categoria pode acontecer como consequência de pancadas menos intensas na cabeça, como em casos de concussão .
Crônico
Nesses casos, o sangramento acontece lentamente e os sintomas podem demorar semanas ou meses para aparecer.
É mais comum em pessoas com mais de 65 anos e pode ocorrer mesmo depois de uma pancada considerada leve.
Em alguns casos, a pessoa sequer se lembra do trauma que provocou o hematoma.
Tratamento
A escolha do tratamento depende da gravidade e das características do hematoma. Casos pequenos, que provocam poucos ou nenhum sintoma, podem ser acompanhados sem cirurgia, com repouso, medicamentos e exames de imagem periódicos para observar a evolução.
“Nos casos mais simples, o tratamento pode ser conservador, apenas com seguimento do paciente e reavaliação com exames de imagem seriados. Nos sangramentos mais extensos ou sintomáticos, é indicada a drenagem cirúrgica desse sangue para evitar maiores lesões ao tecido cerebral adjacente”, detalha Rebouças.
Quando o hematoma é grande ou grave, pode ser necessária uma cirurgia. Nos hematomas agudos, uma das principais abordagens é a craniotomia, procedimento em que uma parte do crânio é temporariamente retirada para que o cirurgião consiga acessar e remover o hematoma.
Nos hematomas crônicos, uma técnica utilizada é a trepanação, na qual são feitos pequenos orifícios no crânio para permitir a drenagem do sangue. Um dreno pode permanecer no local por alguns dias.
Segundo a Sociedade Brasileira de AVC, essa é uma abordagem clássica e efetiva quando realizada a tempo.
A sociedade também cita a embolização da artéria meníngea média, realizada por cateterismo, como uma opção de tratamento para hematomas crônicos sintomáticos. O procedimento busca reduzir o risco de novo sangramento no espaço subdural.
Hematoma subdural: entenda problema causado por socos que levou à morte de boxeador após 11 anos em coma
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