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Haddad diz que legislação não foi

por Redação
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“Ninguém quer passar por esse aperto outra vez. A legislação não se mostrou suficientemente robusta para evitar uma operação como essa, que colocou muita coisa em risco. Felizmente não foi um risco sistêmico, mas ele ganhou proporções e envolveu mais de uma instituição”, comentou o ministro durante participação no CEO Conference, promovido pelo banco BTG Pactual.

Haddad disse ainda que o Banco Master teve, até 2024, um crescimento acelerado, que foi interrompido assim que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tomou posse.

“O Banco Central tem técnicos que estão conversando com o sistema regulador para encontrar um denominador comum […], porque depois do que aconteceu, ninguém pode querer manter as regras que permitiram esse descalabro [prejuízo]. Temos que fechar as brechas que permitiram essa fraude”, completou o ministro.

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Juros e Banco Central

“Todo mundo tem razão quando fala que a dinâmica preocupa, porque tem coisas no Orçamento que ainda estão fora do espírito do arcabouço. Eu até tentei fazer [essa mudança] no final de 2024 com o Congresso, mas é muito difícil você convencer as pessoas a mexer no que é considerado tabu”, afirmou.

“Entendo que, com um juro real desses, você não consegue contrapor nenhum nível de superávit primário [quando as receitas superam as despesas]. Então você tem que continuar tomando medidas necessárias para equilibrar as contas”, disse Haddad.

O ministro reiterou que, ao criticar os altos juros reais, não pretende manchar a reputação do Banco Central e afirmou ser fundamental “cuidar” da instituição.

Haddad também comentou a sugestão dos nomes de Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, e Tiago Cavalcanti, professor da Universidade de Cambridge, para a diretoria do BC.

“Recebi dessas duas pessoas a sinalização que tinham disposição para colaborar com o Brasil nessa posição. […] Mas quando a gente sugere um nome, é para avaliação. Não existe indicação”, completou.

Gastos sociais

Haddad também defendeu nesta terça-feira uma reformulação dos gastos sociais do governo, especialmente os voltados à assistência social. Segundo Haddad, estudos técnicos estão sendo conduzidos para “repensar” esses gastos de forma “mais moderna”.

“Está sendo discutido se, com o atual nível de investimento em Previdência Social, não seria o caso de repetir o que o Lula fez em 2003, quando havia vários programas e o Bolsa Família nasceu como um grande guarda-chuva [que os unificou]”, afirmou o ministro.

“Talvez estejamos em uma situação que permita [um novo formato] dos gastos sociais”, completou o ministro, reiterando que o novo modelo precisaria ser mais eficiente e moderno, mas sem necessariamente diminuir os gastos, uma vez que o crescimento da economia também permite uma trajetória mais sustentável das despesas públicas.

Haddad acrescentou que a discussão sobre um possível programa de renda básica também segue nessa direção.

“Todo mundo defende a renda básica porque ela parece mais racional, à luz das inúmeras demandas sociais que existem”, disse. “Eu entendo, olhando para o orçamento, que o Brasil talvez esteja maduro para essa nova alternativa”.

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