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Guerra EUA-Irã: governo comemora cessar-fogo, pede menos ‘retórica’ e defende extensão para o Líbano

por Gilberto Cruz
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Bombardeio israelense destrói área residencial em Beirute
O Ministério das Relações Exteriores divulgou um comunicado nesta quarta-feira (8) no qual comemorou o cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, pediu que os países evitem se engajar em ações “retóricas” e ainda defendeu a inclusão do Líbano no acordo.
O posicionamento do governo brasileiro foi emitido um dia após o governo de Donald Trump e o regime dos aiatolás chegarem a um consenso, de duas semanas, sobre o Estreito de Ormuz, região controlada pelo Irã por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo.
Nesta quarta (7), antes do acordo, Trump havia dito em uma rede social que uma civilização inteira iria “morrer”.
“Expressa satisfação com a perspectiva de negociações para estabelecimento de acordo de paz abrangente”, diz a nota do governo.
“A fim de resguardar ambiente que conduza à redução de tensões e evite nova escalada, o Brasil conclama as partes a não se engajarem em ações de natureza militar ou retórica”, acrescentou.
O anúncio do governo faz parte de uma onda de manifestações da comunidade internacional ao anúncio de cessar-fogo na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
No entanto, cresceram os apelos para que a trégua também inclua o Líbano, algo que no momento está sendo contestado pelo governo israelense.
Ainda na nota, o governo também pede a inclusão do Líbano no acordo. O país tem sido alvo de ataques do governo de Israel em razão da guerra entre o governo de Benjamin Netanyahu e o grupo terrorista Hezbollah.
Nesta quarta, Israel atacou o Líbano alegando ter atingido somente alvos ligados ao grupo terrorista. Diversos feridos no ataque foram levados a hospitais em Beirute.
“Em decorrência dos intensos ataques israelenses, [o Líbano] vive grave crise humanitária, assolado por centenas de mortes, incluindo de civis, assim como por deslocamento forçado de parte significativa de sua população”, acrescentou o governo brasileiro.
➡️ Contexto: o conflito entre Israel e Hezbollah foi retomado no início de março, após o grupo terrorista (que é apoiado por Teerã) lançar ataques aéreos contra o território israelense, em retaliação a bombardeios de Israel a alvos no Irã. As ações mergulharam o Líbano em uma crise humanitária.
Da esquerda para a direita: embaixador Maurício Carvalho Lyrio, sherpa do Brasil no Brics; ministro Mauro Vieira; e embaixador Ricardo de Souza Monteiro
Itamaraty/Divulgação
Ofensivas continuam
O Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz nesta quarta-feira (8) e ameaçou romper o cessar-fogo anunciado na terça (7), caso o Exército israelense não interrompa os ataques ao Líbano, segundo agências estatais iranianas.
Além disso, o Irã prometeu “punir” Israel pelos “ataques ao Hezbollah que violaram a trégua”, e as Forças Armadas iranianas já estão “identificando alvos para responder aos ataques desta quarta”, segundo fontes ouvidas pelas agências estatais Tasnim e PressTV.
Por que o Líbano faz parte da guerra?
O país tem sido alvo de constantes ataques israelenses desde os primeiros dias da guerra, iniciada em 28 de fevereiro. Israel afirma ter como alvos o grupo extremista Hezbollah, aliado do Irã que atua no país que lançou ataques contra o território israelense.
Alegando a proteção de seu território, Israel invadiu o sul do Líbano, tomando o controle militar de todo o território do país vizinho até o rio Litani. Ataques aéreos também foram realizados contra a capital, Beirute, e o Vale do Beqaa, no leste do país.
Segundo o governo libanês, mais de 1.500 pessoas morreram em ataques israelenses no país desde o início do conflito, e outras 4.800 ficaram feridas.
– Esta reportagem está em atualização.

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