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GR Yaris custa R$ 354.990: por que esse hatch só faz sentido poucos | G1

por Gilberto Cruz
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Ainda assim, a Toyota decidiu desafiar essa lógica de mercado e lançar o GR Yaris: um hatch de duas portas, voltado a um público específico, com unidades inicialmente limitadas e preço inicial de R$ 354.990.

A marca aposta em um nicho claro: os motoristas que gostam de levar o carro para a pista de terra ou para o asfalto e que têm uma preferência pelos modelos de alto desempenho.

O GR Yaris é o menor e mais leve carro da Gazoo Racing, divisão da Toyota dedicada exclusivamente a modelos esportivos.

Toyota GR Yaris — Foto: divulgação/Toyota

O novo GR Yaris também conta com um motor 1.6 turbo de três cilindros, o mais potente do mundo para um conjunto feito em série — sem modificações extras, comuns em veículos particulares de competição.

São cerca de 100 cv por cilindro, o que resulta em expressivos 304 cv de potência e 40,8 kgfm de torque, sempre com gasolina — o que deixa o hatch bem próximo à potência do motor 2.0 turbo da Ford Ranger.

Esse número representa a força do veículo. Na picape, ela é usada para mover as cerca de duas toneladas da Ranger e ainda suportar o peso da carga na caçamba. Já no GR Yaris, que pesa aproximadamente 700 quilos a menos, essa força é direcionada à velocidade — e à diversão de quem gosta de dirigir na pista.

O g1 colocou toda essa força à prova em um autódromo de Mogi Guaçu (SP), homologado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA, responsável pela Fórmula 1) e pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA).

Com o capacete colocado e as instruções de pista dadas, ficou claro que este é um dos hatches mais divertidos de dirigir em um autódromo, entre os carros vendidos prontos em concessionárias. Entenda o motivo nos próximos parágrafos.

É possível pular diretamente para a descrição do carro clicando aqui. Antes, porém, vale explicar como este esportivo se comporta em seu ambiente mais favorável: o asfalto de um autódromo.

GR Yaris — Foto: divulgação/Toyota

A primeira impressão ao assumir o volante é a de estar em um hatch comum, mas tudo muda ao acelerar com mais força. Nesse momento, duas sensações surgem imediatamente e tomam conta da cabine:

  • O isolamento acústico é mínimo, e o motor parece estar praticamente exposto à cabine;
  • O calor do motor também passa para a cabine.

Engatada a primeira marcha, a experiência varia conforme o câmbio escolhido na compra. No manual, as trocas durante o teste foram curtas e fáceis de engatar. O carro frequentemente sugeria subir a marcha, mesmo em situações em que o teste exigia mais força do motor — algo que normalmente pede uma marcha mais baixa.

No automático, as trocas são feitas pelo próprio carro, mas há também abas atrás do volante, semelhantes às usadas na Fórmula 1. O teste foi realizado das duas maneiras: com trocas manuais pelas abas e deixando o sistema decidir sozinho.

O ponto principal é que, mesmo com oito marchas, o câmbio mantinha o motor sempre em cheio nas trocas. Isso garantia força constante na tração integral e preservava o ronco característico do motor, sem priorizar a economia de combustível.

Em relação à tração, o sistema nas quatro rodas permite ajustar a distribuição de força entre os eixos. Na pista, a configuração usada foi de 60% na dianteira e 40% na traseira, mas é possível alterar esses valores para:

  • 53% na dianteira e 47% na traseira;
  • Valor variável entre 30% e 70% para a traseira.

Em ambas as opções de câmbio, a sensação foi de trocas rápidas, ainda que mais longas quando se pensa em um carro “de rua”. São oito marchas, e a última não passa a impressão de ser fraca ou sem força.

Somando a tração integral e o torque sempre disponível, o resultado é um carro que lembra um kart: baixo, firme e estável.

Mesmo forçando bastante durante o teste no autódromo, não foi possível fazer o GR Yaris cantar pneus em curvas. É claro que, com atitudes extremas, qualquer carro pode perder o controle, mas, ao buscar um bom tempo de volta, o GR Yaris se mantém seguro e previsível.

Para isso, o carro conta com freios de alto desempenho, todos a disco, além de uma bitola traseira mais larga — que é a distância entre os centros das rodas em um eixo. Esse conjunto garante maior controle tanto nas frenagens fortes quanto nas retomadas.

Os freios suportaram com tranquilidade a condução intensa exigida de um esportivo em pista. Mesmo após duas voltas rápidas e o retorno aos boxes, as pinças não apresentavam aquecimento excessivo — e isso em um dia com temperatura próxima dos 35 °C.

GR Yaris — Foto: divulgação/Toyota

Após quatro voltas rápidas — duas com câmbio automático e duas com o manual — é possível afirmar com segurança que a versão automática do GR Yaris não deixa nada a desejar em relação à manual.

É claro que sentir a resistência do câmbio manual, que orienta as trocas de marcha pela própria resposta da alavanca, é mais envolvente. Ainda assim, manter as duas mãos no volante enquanto as trocas são feitas pelas abas, à moda da Fórmula 1, também agrada.

Em nenhum momento foi possível perceber o GR Yaris automático como menos ágil ou agressivo.

Mas ao pensar o GR Yaris como um carro voltado principalmente à diversão — e considerando que o uso diário ficará a cargo de outro veículo — o câmbio manual surge como a melhor escolha. Já em situações de trânsito pesado, o automático se mostra mais confortável, especialmente em longos períodos de condução em baixa velocidade.

Como é o GR Yaris

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GR Yaris — Foto: divulgação/Toyota

Por fora, o GR Yaris é exótico. Na dianteira, ele tem aparência de um hatch mais agressivo, com faróis que lembram olhos furiosos e uma grande entrada de ar no radiador. O conjunto é chamativo e deixa claro que não se trata de um compacto comum.

De perfil, as pinças de freio pintadas de vermelho adicionam um toque extra de esportividade.

Já na traseira, as sensações são mistas. O para-choque grande demais e as lanternas que parecem ter sido pensadas para um carro maior passam uma impressão desproporcional, como quando uma criança calça os sapatos dos pais.

GR Yaris — Foto: divulgação/Toyota

Por outro lado, chamam atenção as duas ponteiras cromadas das saídas de escapamento. Elas são reais, funcionais e contribuem para o ronco característico de um carro esportivo.

Por dentro, o conforto não é o ponto forte. Não por causa dos bancos em formato de concha, que seguram muito bem motorista e passageiro, mas pelo acabamento simples e pelo espaço reduzido na fileira traseira, que, com muita sorte, acomoda apenas uma criança pequena.

Outro ponto que causa estranhamento visual é o painel, que lembra o de um ônibus. Trata-se de uma grande peça de plástico, reta na vertical e levemente curvada na horizontal. Nela estão o painel digital de instrumentos e a central multimídia de oito polegadas, surpreendentemente moderna para um interior tão simples e de aparência mais antiga.

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GR Yaris — Foto: divulgação/Toyota

Tudo isso seria um grande problema em um hatch comum que custa mais de R$ 350 mil, mas faz mais sentido quando se considera o público específico que a Toyota pretende atingir com este carro.

“É um cliente que gosta muito de motorsport, performance, apaixonado por automobilismo. São clientes que já conheciam a GR, até clientes novos com garagens recheadas de outros carros esportivos”, disse Nancy Serapião, responsável pelas marcas Gazoo Racing e Lexus no Brasil, ao g1.

“É um cliente para o track day [dia de competição em autódromo] e que também consegue usar no dia a dia. Que vai trazer mais o carro para o asfalto, do que o mato”, disse Nancy.

Andar fora de estrada faz parte do DNA do GR Yaris, desenvolvido para que a Toyota pudesse competir no Campeonato Mundial de Rali (WRC, na sigla em inglês). Ainda assim, o modelo também se sai muito bem no asfalto.

GR Yaris é limitado, por enquanto

Para o lançamento e ao longo de todo o ano de 2026, a Toyota importou apenas 198 unidades do GR Yaris. Destas, 99 têm câmbio manual e outras 99 são automáticas. Mas, assim como acontece com o GR Corolla, o hatch seguirá disponível em 2027.

“Pra 2027 a gente continua trazendo esse carro, de acordo com a demanda. Porque a gente quer manter um portfólio de carros esportivos no Brasil. Então não é um único tiro, ele [o GR Yaris] vem para marcar um início”, disse Nancy.

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