Governo Trump aplica tarifaço a Brasil e mais 59 países; veja lista | G1

Governo Trump aplica tarifaço a Brasil e mais 59 países; veja lista | G1

Nesta fase, os EUA estabeleceram duas alíquotas. Países que, na avaliação do governo americano, adotaram medidas para proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado pagarão 10%. Já aqueles considerados insuficientes nesse combate, caso do Brasil, estarão sujeitos à taxa de 12,5%.

  • 🔎 O argumento é parecido ao utilizado pelos EUA para justificar a tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na última quarta-feira (22). Com a nova medida, parte dos produtos do Brasil podem passar a enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%.

Confira abaixo a lista completa dos países que serão atingidos pelas novas tarifas:

Tarifaço de Trump: EUA confirmam nova tarifa de até 12,5% sobre trabalho forçado para Brasil e outros parceiros comerciaisTarifaço de Trump: EUA confirmam nova tarifa de até 12,5% sobre trabalho forçado para Brasil e outros parceiros comerciaisTarifa de 12,5% (54 economias)

  1. Argélia — 12,5%
  2. Angola — 12,5%
  3. Argentina — 12,5%
  4. Austrália — 12,5%
  5. Bahamas — 12,5%
  6. Bahrein — 12,5%
  7. Bangladesh — 12,5%
  8. Brasil — 12,5%
  9. Camboja — 12,5%
  10. Chile — 12,5%
  11. China — 12,5%
  12. Colômbia — 12,5%
  13. Costa Rica — 12,5%
  14. República Dominicana — 12,5%
  15. Egito — 12,5%
  16. El Salvador — 12,5%
  17. Guatemala — 12,5%
  18. Guiana — 12,5%
  19. Honduras — 12,5%
  20. Hong Kong — 12,5%
  21. Índia — 12,5%
  22. Iraque — 12,5%
  23. Israel — 12,5%
  24. Japão — 12,5%
  25. Jordânia — 12,5%
  26. Cazaquistão — 12,5%
  27. Kuwait — 12,5%
  28. Líbia — 12,5%
  29. Malásia — 12,5%
  30. Marrocos — 12,5%
  31. Nova Zelândia — 12,5%
  32. Nicarágua — 12,5%
  33. Nigéria — 12,5%
  34. Noruega — 12,5%
  35. Omã — 12,5%
  36. Peru — 12,5%
  37. Filipinas — 12,5%
  38. Catar — 12,5%
  39. Rússia — 12,5%
  40. Arábia Saudita — 12,5%
  41. Singapura — 12,5%
  42. África do Sul — 12,5%
  43. Coreia do Sul — 12,5%
  44. Sri Lanka — 12,5%
  45. Suíça — 12,5%
  46. Taiwan — 12,5%
  47. Tailândia — 12,5%
  48. Trinidad e Tobago — 12,5%
  49. Turquia — 12,5%
  50. Emirados Árabes Unidos — 12,5%
  51. Reino Unido — 12,5%
  52. Uruguai — 12,5%
  53. Venezuela — 12,5%
  54. Vietnã — 12,5%

Tarifa de 10% (6 economias)

  1. Canadá — 10%
  2. Equador — 10%
  3. União Europeia — 10%
  4. Indonésia — 10%
  5. México — 10%
  6. Paquistão — 10%

As tarifas aplicadas sobre o Brasil

No documento divulgado nesta quinta-feira, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) afirmou que o Brasil está entre os países que “falharam em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado”.

O órgão acrescentou que a decisão levou em conta as conclusões da investigação, as contribuições recebidas durante a consulta pública e as orientações do presidente Donald Trump.

Conforme o documento, tanto a cobrança quanto as exceções previstas são “apropriadas para obter a eliminação dos atos, políticas e práticas” identificados ao longo da apuração.

Na prática, isso significa que alguns produtos permanecerão isentos da tarifa. Segundo o governo americano, ficarão de fora da cobrança itens considerados estratégicos para a economia dos EUA ou cuja tributação poderia comprometer os objetivos da própria investigação.

  • matérias-primas cuja taxação possa provocar escassez no mercado americano;
  • produtos que possam causar impactos econômicos amplos caso sejam tributados;
  • itens que não possam ser produzidos ou cultivados em quantidade suficiente nos EUA nem obtidos de outros fornecedores;
  • produtos cuja isenção possa incentivar outros países a adotar medidas para proibir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado; e
  • produtos para os quais a tarifa adicional não contribuiria de forma significativa para combater as práticas investigadas pelos Estados Unidos.

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Prática “irracional”

“A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável”, afirmou o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, na época. “Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais.”

A investigação concluiu que a entrada desses produtos nos mercados globais não apenas prejudica a lucratividade de empresas éticas, mas também incentiva a manutenção do trabalho escravo moderno ao permitir a circulação de mercadorias produzidas a custos artificialmente baixos.

Em relação ao Brasil, o relatório afirma que, embora o país assuma compromissos de combate ao trabalho escravo em acordos de comércio e investimentos, ainda não possui uma proibição considerada efetiva pelos EUA para impedir a entrada de mercadorias produzidas nessas condições no mercado interno.

O documento menciona a existência da Lista Suja do Trabalho Escravo, atualizada semestralmente pelo governo federal, mas ressalta que o foco da investigação americana foi a ausência de mecanismos para impedir a importação de bens produzidos com trabalho forçado em outros países.

Novas taxas substituem tarifaço anterior

Na prática, as novas tarifas substituem a taxa global de 10% anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, em fevereiro deste ano, logo após a Suprema Corte dos EUA derrubar as “tarifas recíprocas” impostas pelo republicano no ano passado.

A medida havia sido adotada com base na Seção 122 da legislação comercial americana, que permite ao presidente impor tarifas temporárias por até 150 dias. Esse prazo se encerra nesta sexta-feira (24).

Na ocasião, o presidente americano havia adiantado que recorreria à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais.

O que acontece agora?

O governo brasileiro já esperava a aplicação da nova tarifa de 12,5% e agora mantém conversas com representantes dos setores afetados para definir uma resposta à medida.

A principal iniciativa do governo para apoiar empresas afetadas pelas tarifas é o Plano Brasil Soberano. Lançado em 2025, o programa prevê linhas de financiamento, ampliação das garantias para exportadores e ações de promoção comercial para ajudar empresas brasileiras a conquistar novos mercados.

Na última quarta-feira (22), o governo anunciou a terceira etapa do plano, que liberou R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas comerciais dos EUA. A medida atende companhias de setores industriais estratégicos, como os segmentos farmacêutico, de fertilizantes e têxtil, além de empresas que tiveram as exportações para o Golfo Pérsico afetadas.

Nesse último caso, o objetivo do governo é ampliar o apoio a empresas afetadas pela guerra no Oriente Médio. O conflito, que envolve os EUA, o Irã, Israel e outros países da região, provocou o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais do mundo, por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa em um comício para dar início à Great American State Fair (Grande Feira Estadual Americana) em celebração ao 250º aniversário da independência dos EUA, no National Mall, em Washington, D.C., EUA, 24 de junho de 2026. — Foto: Reuters/Evan Vucci

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