É aproveitando as primeiras horas do dia, quando o calor do sol ainda é mais ameno, que os seringueiros começam a fazer a sangria nos seringais. Em plena safra, a expectativa é de aumento na produção em comparação a 2025.
Em uma fazenda no oeste paulista, em Indiana (SP), o produtor Paulo Renato Cardoso espera produzir, neste ano, cerca de 30 mil quilos de látex em quase 10 hectares.
Segundo ele, o crescimento é resultado do aumento no número de árvores em produção e do avanço natural da cultura, que tende a produzir mais a partir da quarta safra.
Apesar de o momento parecer positivo, a instabilidade das chuvas tem prejudicado a coleta, principalmente quando chove logo após a sangria.
As canecas onde o látex é armazenado acabam acumulando água, o que compromete o produto. Em alguns casos, não há tempo suficiente para realizar a coagulação e evitar perdas.
Excesso de chuva no oeste paulista tem impactado a produção de látex e provocado perdas nos seringais — Foto: Reprodução/TV TEM
Em Rancharia (SP), o produtor Paulo Mellotti também sentiu o impacto do excesso de chuva. Ele tem 36 hectares de seringueiras em produção.
Somente nos primeiros 45 dias do ano, o volume de chuva ficou 40% acima do previsto na região de Presidente Prudente (SP), segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
De acordo com a pesquisadora Elaine Tucci Gonçalves, além das perdas do látex já coletado, a própria sangria pode ficar comprometida, já que o corte não é recomendado com a árvore molhada.
Mudanças no manejo, como o uso de protetores nas árvores e ajustes no cronograma de extração, podem ajudar a reduzir os prejuízos.
No ano passado, o cultivo da borracha natural avançou quase 9% em todo o estado. Segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA), o valor da produção agropecuária da borracha ultrapassou R$ 1,5 bilhão.
Mesmo assim, os produtores enfrentam oscilações no preço pago pelo quilo do látex e aumento nos custos de insumos, como fertilizantes, defensivos e diesel.
Veja a reportagem exibida no programa em 08/03/2026:
Excesso de chuva atrapalha produção de látex no Oeste Paulista