EUA priorizam carne americana após ampliar cota de importação | G1

EUA priorizam carne americana após ampliar cota de importação | G1

A estratégia inclui crédito para pequenos frigoríficos, ampliação de áreas disponíveis para pastagem e medidas para aumentar a presença da carne produzida nos EUA em compras do governo.

O pacote, batizado de Ranchers First Initiative, foi anunciado pela secretária de Agricultura, Brooke Rollins. A iniciativa ocorre em meio à alta dos preços da carne bovina no país e à pressão do governo Donald Trump para reduzir o custo do alimento para os consumidores.

Menos gado, carne mais cara

🐂 O rebanho bovino americano encolheu nos últimos anos, principalmente em razão de períodos de seca e da redução das áreas disponíveis para criação.

Com menos animais para o abate, a oferta de carne diminuiu e os preços subiram. O governo americano tenta agora estimular os pecuaristas a aumentar os rebanhos.

Uma das medidas anunciadas é a ampliação do acesso a crédito para pequenos frigoríficos. A ideia é aumentar a capacidade de processamento e reduzir a concentração existente no setor.

Governo quer dar preferência à carne americana

O pacote também prevê medidas para ampliar a utilização de carne produzida nos Estados Unidos em instituições públicas, como escolas, hospitais e presídios.

A estratégia faz parte do esforço do governo Trump para fortalecer os produtores americanos e aumentar a demanda pela produção doméstica.

Preço da carne bovina em um supermercado dos EUA. — Foto: AP Photo/Nam Y. Huh

O governo também pretende facilitar o acesso de pecuaristas a determinadas áreas de conservação afetadas por desastres naturais e incêndios, que poderão ser utilizadas para pastagem.

Medidas acontecem enquanto Trump amplia importações

Trump anunciou recentemente medidas para facilitar a entrada de carne bovina estrangeira no mercado americano.

A lógica é aumentar a oferta no curto prazo para ajudar a conter os preços. O problema é que uma maior concorrência com carne importada pode reduzir a remuneração dos pecuaristas americanos justamente quando o governo tenta convencê-los a aumentar seus rebanhos.

Brasil está no meio dessa disputa

O Brasil é um dos principais fornecedores de carne bovina para os Estados Unidos e, por isso, as mudanças na política americana podem afetar diretamente os exportadores brasileiros.

De um lado, a necessidade de abastecer o mercado americano favorece a compra de carne estrangeira. De outro, o plano de reconstrução do rebanho mostra que o governo Trump quer aumentar a produção doméstica e reduzir, no futuro, a dependência das importações.

Além disso, o governo americano vem pressionando grandes frigoríficos e defendendo maior concorrência no processamento de carne. Entre as maiores empresas que atuam no mercado americano estão as brasileiras JBS e MBRF.

O desafio de Trump

O governo americano tenta, portanto, enfrentar dois problemas diferentes: reduzir o preço da carne para o consumidor no curto prazo e aumentar a produção doméstica nos próximos anos.

Para baixar os preços agora, a estratégia é ampliar a oferta de carne no mercado, inclusive por meio de importações.

Já o aumento da produção americana depende de medidas de mais longo prazo, como incentivar os pecuaristas a ampliar os rebanhos e aumentar a capacidade de processamento de carne nos Estados Unidos.

O pacote anunciado nesta segunda-feira faz parte justamente dessa segunda frente: a tentativa de aumentar a produção de carne dentro do país.

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