O tema da relação entre os Estados Unidos e a soberania brasileira havia perdido espaço na campanha presidencial, mas voltou ao centro do debate político após a divulgação das condições apresentadas pelo governo do presidente americano, Donald Trump, para rever o tarifaço imposto ao Brasil no ano passado e da nova ofensiva do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) junto à Casa Branca.
A avaliação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é que o assunto voltou a favorecer o petista e deverá ser explorado nas próximas semanas, especialmente às vésperas da viagem de Lula a Nova York para participar da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), cuja sessão de abertura será realizada na próxima semana, em 22 de setembro.
O tema também deve aparecer no discurso que o presidente fará na abertura dos trabalhos do encontro, tradição reservada ao chefe de Estado brasileiro.
A estratégia da campanha petista será reforçar a narrativa de que as condições apresentadas pelos Estados Unidos para rever as tarifas impostas a produtos brasileiros representariam, na visão de aliados de Lula, uma interferência em assuntos internos do país e uma submissão a interesses americanos em detrimento dos interesses brasileiros (leia mais abaixo).
Lula avalia se reunir com prefeito de Nova York
Integrantes da campanha afirmam que pretendem associar o episódio ao discurso de defesa da soberania nacional e sustentar que uma eventual vitória de um candidato alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro poderia ampliar a influência de Donald Trump sobre decisões do governo brasileiro.
Entre as 21 condições apresentadas pelos Estados Unidos durante as negociações para a suspensão do tarifaço estavam propostas que, segundo integrantes do governo Lula, envolviam a compra de aeronaves da fabricante americana Boeing por companhias aéreas brasileiras, a ampliação da participação de empresas americanas na exploração de minerais estratégicos no Brasil e medidas relacionadas ao cenário político e judicial brasileiro.
Donald Trump e Lula
Jornal Nacional/ Reprodução
Articulações de Eduardo
O Palácio do Planalto também acompanha de perto as articulações de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O ex-deputado esteve novamente nesta semana em Washington em busca de apoio do governo Trump para a adoção de novas sanções contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes.
Caso isso ocorra, auxiliares de Lula afirmam que o episódio será usado na campanha como exemplo do que consideram uma tentativa de interferência americana na disputa presidencial brasileira.
O governo avalia que uma eventual retomada de sanções contra Alexandre de Moraes, relator da ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, reforçaria esse discurso.
Moraes já foi alvo de medidas adotadas pelos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky, legislação americana utilizada para impor sanções a pessoas acusadas de violações de direitos humanos ou corrupção.
EUA e soberania voltam a ser tema de campanha de Lula; Eduardo Bolsonaro trabalha por novas sanções contra Moraes
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