Empréstimo do BRB: Celina Leão e União divergem em reunião no STF | G1

Empréstimo do BRB: Celina Leão e União divergem em reunião no STF | G1

A reunião foi convocada para tentar destravar um empréstimo bilionário para salvar o patrimônio do Banco de Brasília (BRB) – parado desde que uma primeira versão do acordo foi homologada em maio (entenda abaixo).

Nesta quinta, Celina foi a primeira a falar na reunião. E voltou a cobrar os órgãos federais.

“Eu não estou vindo pedir uma decisão judicial, eu tenho uma decisão judicial. Venho pedir o cumprimento das partes. O que a gente tem é uma série de exigências, até sobre Centrad, ministro, que não tem nada a ver com a história do BRB”, declarou Celina.

Em seguida, Dario Durigan assumiu o microfone – e repetiu a posição de que o governo federal não criou o problema e está empenhada em ajudar.

“A União não tem nada a ver com essa história. É um problema gerado pelo governo do DF com o BRB, que tem que ser tratado pelos responsáveis. A União foi trazida para esse debate e, com muita boa vontade, apresentamos soluções para além de ficar criando dificuldade”, rebateu.

“Não cabe a ninguém sugerir, muito menos ao FGC, a qualquer banco, que a solução é o aval da União, porque o aval da União todo mundo quer. Os agricultores querem aval da União para negociar sua dívida. Então, é o aval da União que resolve tudo no país? Essa é a concepção errada. Achar que nós temos que socializar os problemas, socializar a responsabilidade com a sociedade brasileira como um todo, isso não é correto”, seguiu Durigan.

O governo do DF tem pressa em conseguir o dinheiro. Entre outros motivos, porque o BRB não divulga seus balanços periódicos há um ano e vem sendo multado pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários.

O que gerou a crise do BRB?

Após acordo homologado no STF, empréstimo bilionário para tentar salvar BRB não sai do papel

O que prevê o acordo em vigor?

  • O acordo chancelado pelo STF e pela Câmara Legislativa do DF autoriza o governo Celina Leão (PP) a pegar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
  • Pelo acordo, os maiores bancos públicos e privados do país entrariam na operação como avalistas.
  • O governo federal não dá garantia à operação, já que o DF não tem boa nota em Capacidade de Pagamento (Capag) – ou seja, está sem o “selo de bom pagador” necessário.
  • Se houver calote, o “consórcio” de bancos pode receber parte do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) que o governo federal repassaria ao Distrito Federal.
  • O governo do DF se comprometeu, no acordo, a adotar medidas de ajuste fiscal para evitar que o empréstimo deteriorasse ainda mais a capacidade de pagamento de dívidas da capital.

Maio: União e governo do DF fecham acordo pra socorrer BRB

Segundo ele, a proposta na mesa prevê:

  • valor: R$ 6,6 bilhões em parcela única
  • carência: 18 meses (ou seja, primeira parcela da quitação ficaria para 2028)
  • juros: IPCA + 4,5% ao ano
  • quitação: 180 parcelas mensais (15 anos)

“Nessas condições, a primeira prestação seria para pagar a partir de 2028, na faixa de R$ 95,6 milhões por mês”, estimou Nelson Souza no Senado.

Por que o acordo não avançou?

Desde a última reunião da mesa de conciliação, quando o acordo foi anunciado, pouco avançou na concessão dos R$ 6,6 bilhões.

As negociações são mantidas em sigilo, como é praxe no mercado financeiro. O que se sabe, até aqui, é que o grupo de bancos tem resistido à ideia de se colocar como “avalista” de um banco como o BRB – que não divulga seu balanço há mais de um ano.

Há o temor, por exemplo, de que os R$ 6,6 bilhões não sejam suficientes para tirar o banco das condições adversas. Se isso acontecer, o empréstimo seria infrutífero, e o Banco de Brasília e o governo do DF seguiriam com dificuldades para resolver a crise.

Nesse cenário, o BRB não conseguiria sequer ajudar o governo do DF a saldar a dívida, nos próximos anos. Como acionista majoritário, o DF recebe a maior parte da distribuição dos dividendos do banco.

Há ainda um outro “medo”: de que o uso do FPE e do FPM como “contragarantias” para os bancos seja contestado na Justiça. Isso, porque os fundos são usados para custear serviços públicos essenciais no Distrito Federal – e um eventual “confisco” pode prejudicar a assistência à população.

O FGC cobra os balanços de 2025 e 2026 do BRB – justamente, para saber se os R$ 6,6 bilhões seriam capazes de sanear o patrimônio do banco distrital.

GDF deve apresentar novas propostas para tentar destravar empréstimo de R$ 6,6 bi para BRB

Como será a reunião desta quinta?

A reunião será, mais uma vez, mediada pelo ministro do STF Luiz Fux. Jornalistas poderão acompanhar os debates na sala, sem filmar. Foram convocados representantes de:

  • governo do Distrito Federal;
  • BRB;
  • Advocacia-Geral da União (AGU), em nome do governo federal;
  • Ministério da Fazenda;
  • Banco Central;
  • Fundo Garantidor de Crédito;
  • Banco do Brasil, na condição de representante do consórcio de bancos;
  • Ministério Público Federal.

Na conversa, o ministro Luiz Fux deve perguntar aos envolvidos se há, ou não, interesse na manutenção do acordo.

O governo do Distrito Federal, que reclamou da demora, deseja manter o acordo e assinar o empréstimo. As outras pontas da negociação (FGC, bancos e governo federal) devem aproveitar o encontro para detalhar suas ressalvas.

Ao fim da reunião, o grupo de autoridades deve anunciar uma nova etapa do acordo – seja para avançar o empréstimo, alterar os rumos da negociação ou até mesmo rescindir o trato que foi homologado.

Na entrevista à TV Globo nesta terça, o secretário Valdivino de Oliveira afirmou que o governo estuda propor um modelo alternativo para o empréstimo, caso os bancos sigam se opondo à operação.

Nessa nova modelagem, as parcelas do FPM e do FPE seriam oferecidas como garantia diretamente ao FGC. Ou seja: os bancos comerciais deixariam de constar no acordo como um “avalista intermediário”.

O que acontece com o BRB sem o empréstimo?

Até o momento, todas as partes envolvidas no acordo evitam dar uma resposta taxativa sobre o futuro do BRB sem o acordo.

“O balanço não pode ser publicado antes de pegar o empréstimo, senão o banco é liquidado”, disparou Celina.

‘Balanço não pode ser publicado antes do empréstimo’, diz Celina sobre BRB

A frase explicita o que já era dado como certo pelo mercado financeiro: o BRB vem operando abaixo dos limites prudenciais mínimos estabelecidos pelo Banco Central para o sistema bancário brasileiro.

➡️Essas normas, conhecidas no setor como “Acordos de Basileia”, definem que os bancos comerciais devem ter um patrimônio minimamente sólido para funcionar como um “colchão” contra choques econômicos.

➡️Isso significa, por exemplo, que os bancos não podem multiplicar seus empréstimos indefinidamente, colocar todo o capital de acionistas no altíssimo risco ou transformar todo o dinheiro depositado em capital de giro.

➡️Se o BRB admitir nos relatórios que está desrespeitando esses limites, pode ser obrigado a interromper as operações.

➡️A ideia do BRB e do governo do DF é injetar os R$ 6,6 bilhões no banco e, só então, divulgar todos os relatórios. Na prática: dizer que o banco vinha operando fora das regras, mas já terá voltado à normalidade graças ao empréstimo.

DF e União fecham acordo para viabilizar empréstimo de até R$ 6,5 bilhões para salvar BRB — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

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