Eleições 2026: íntegra do discurso de Romeu Zema na convenção que o lançou candidato à Presidência

Eleições 2026: íntegra do discurso de Romeu Zema na convenção que o lançou candidato à Presidência


Novo oficializa candidatura de Romeu Zema à Presidência da República
O Partido Novo oficializou, em 27 de julho, o nome de Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, como candidato à presidência da República.
O anúncio foi feito em Brasília e contou com a presença do presidente da sigla, Eduardo Ribeiro — após convenção nacional da legenda realizada virtualmente.
Na ocasião, Zema agradeceu aos colegas de partido pelo apoio e afirmou que reúne todas as credenciais para a vaga.
Leia o discurso do candidato na íntegra:
“Bom dia a todos, a todas, primeiro quero agradecer todos do Partido Novo aqui pela presença e também por endossarem unanimemente meu nome agora há pouco, na convenção, como candidato à Presidência da República.
E, como já foi dito aqui, eu me considero com todas as credenciais, modéstia à parte até, mais do que os meus concorrentes.
Meu primeiro desafio foi o setor privado. Tem lá no interior de Minas uma empresa funcionando, gerando mais de 5 mil empregos diretos.
Passei minha vida no trecho. Eu falo que talvez caminhoneiros conheçam mais o estado de Minas do que eu, mas eu rodei 2 milhões de quilômetros. Eu sei o que que é ralar.
Eu sei o que que é enfrentar burocracia do Estado. Eu sei o que que é pagar impostos no Brasil e enfrentar uma máquina que só cria dificuldades para quem quer empreender, para quem quer gerar riqueza.
Nunca fui recebedor de impostos. Fui só pagador. Mesmo como governador, fui voluntário. Tudo o que recebi passei para instituições.
Então, nenhum outro candidato conhece tanto o Brasil real, um Brasil que maltrata quem trabalha, quem investe, quem sustenta o Estado brasileiro, que foi o que eu sempre fiz durante toda a minha vida.
E só fui para o governo de Minas por esse motivo: porque eu vi o PT destruir o meu estado. É só pegar e ler as manchetes de 2017, 2018, o que estava acontecendo em Minas Gerais.
Prefeitos renunciando, adoecendo e até tirando a própria vida, porque administrar uma cidade sem os repasses do ICMS, do IPVA, da educação e da saúde é impossível. 240 mil aposentados e funcionários públicos com nome sujo no SPC e Serasa.
Porque o Pimentel, do PT, o ex-governador, descontou o empréstimo consignado na folha e não pagou os bancos. Ato criminoso. E nada aconteceu.
Romeu Zema fala após ser oficializado como candidato do Novo à Presidência, no dia 27 de julho de 2026
GloboNews/Reprodução
E eu fiz um governo que eu diria que foi péssimo, horrível, em gerar notícias de corrupção, de escândalo, de fraudes. Não teve. Quantos parentes eu levei para trabalhar? Nenhum. Quantos parentes meus se beneficiaram do meu cargo, forneceram para o Estado? Nenhum.
Abri mão de todos os privilégios e mordomias que eram reservados ao imperador de Minas. Que era como eles eram tratados no passado. Só com isso, abrindo mão de palácio, de 32 empregadas, mordomos, chefs de cozinha, etc., voos de helicópteros diários, eu economizei cerca de 4 milhões por ano.
Sete anos e meio não resolveu o problema de Minas, não, mas contribuiu. E, principalmente [dando] bons exemplos, que é uma coisa que o Brasil carece muito. Brasil no setor público, Deltan [Dallagnol], você sabe bem, carece de bons exemplos.
Críticas ao governo e STF
Nós temos aqui o contrário, como essas aberrações que têm acontecido no Supremo Tribunal Federal, e ninguém aguenta mais quatro anos de Lula e de PT, ninguém. No passado foi mensalão, petrolão, mala de dinheiro, Lava Jato, e agora nós estamos aí: Banco Master, desconto dos velhinhos.
Um governo que não tem plano de futuro. Um governo que só pensa em eleição. Nada além disso. Populismo puro, demagogia contínua.
E eu quero que o Brasil acabe com essa farra dos intocáveis. Nenhum outro pré-candidato tem criticado tanto essa farra quanto eu. Inclusive, estou respondendo, com muito orgulho, a um processo do excelentíssimo senhor ministro Gilmar Mendes.
Mas eu quero frisar aqui: quem andou no jatinho do banqueiro bandido foi ele e os colegas dele. Não fui eu. Quem conseguiu um contrato de 129 milhões com uma esposa foi um colega dele. Quem fez uma transação acionária no Tayayá foi outro colega dele.
Eu, que moro em Belo Horizonte há oito anos, pra onde eu me mudei, nunca encontrei com o banqueiro bandido, que nasceu, cresceu, estudou, casou, teve filhos, mora na mesma cidade.
Nenhuma vez. Nem audiência comigo ele pediu. Eu acho que ele sabia que o papo não ia prosperar. Assombração sabe para quem aparecer, e para mim não apareceu. E aqui em Brasília foi recebido de tapete vermelho. Entrava em qualquer gabinete.
Caso Daniel Vorcaro
E lá na mesma cidade, governador do estado, zero. Nenhum encontro, nenhuma reunião, absolutamente nada. E a minha vida já foi vasculhada, muito, principalmente quando eu fui para o segundo turno em 2018. Não encontraram nada. Minha vida foi ralar e pagar impostos. De vez em quando tentam inventar alguma coisa. Até hoje, não colou nada.
E nós precisamos de um presidente que não tenha o rabo preso, porque todos tiveram. Tinha filho envolvido, tinha parente envolvido, tinha gente do partido envolvido e cederam à pressão para poder acobertar os erros, os crimes.
Eu não vou ter esse problema, não. Não tenho parente criminoso para acobertar nada e nem gente do meu partido, que exige ficha limpa. Enquanto tem um presidente que fica suscetível a chantagem, é o pior que pode acontecer para a sociedade, para uma nação, que infelizmente é o que tem acontecido no Brasil.
E coragem não me falta. Se faltasse, eu estaria lá à frente da empresa ou nem teria feito a empresa como eu fiz. Eu falo que eu já fiz duas missões: a primeira no setor privado, criei 5 mil empregos; a segunda, como governador de Minas, criei mais de 1 milhão de empregos, de acordo com o Caged, do Ministério do Trabalho. Não sei se os meus concorrentes têm essas credenciais.
E sem fazer nada errado, sem levar parente. Aliás, inclusive combatendo o errado. Tá lá no meu discurso de posse em 2019, primeiro de Janeiro, na Assembleia Legislativa de Minas. Tomo posse como governador de Minas para combater a corrupção como nenhum outro governador jamais fez.
Fiz o mesmo discurso depois no Tribunal de Justiça, no Tribunal de Contas, na Defensoria Pública e no Ministério Público.
Sete anos e meio como governador, nunca, senador Girão, alguém chegou perto de mim e falou: “Zema, dá um contrato lá com aquele fulano, para aquela empresa, que você vai ter uma vantagem”. Nunca. Que eu deixei claríssimo: eu estou aqui na porta do galinheiro com uma espingarda. Nenhuma raposa sequer aproximou.
E o Brasil parece que precisa de um presidente com esse perfil. Acho que a sociedade está cansada de corrupção, de esquema, de toda essa roubalheira que nós temos visto aqui.
Soberania e segurança pública
Outro ponto: eu quero que o Brasil retome a soberania que nós estamos perdendo. Tem gente falando aí que tá perdendo a soberania porque os Estados Unidos enquadraram as organizações, facções criminosas, como terroristas.
O Brasil é que já deveria ter feito isso há muito tempo. Quem acompanha sabe que 60 milhões de brasileiros, estive no Ceará recentemete, vi lá, vivem em áreas controladas pelo crime organizado. A presença do Estado ali é praticamente zero. É um atentado à soberania nacional. O Estado não manda nada aliás, não tem nem acesso.
Ali, quem vive é extorquido de todas as maneiras. Na conta de água, na conta de energia, na conta de internet. Essa questão de falar que o crime organizado depende de droga, é asneira. Hoje, isso é trocadinho pra eles.
O Estado de Minas era sócio da Light, no Rio de Janeiro, a empresa de energia elétrica que está passando hoje falimentar. Outro dia eu encontrei com o executivo e ele me falou: 52% da energia que a empresa fornece, ela não recebe. Alguém está recebendo, e muito provavelmente, é o crime organizado. E 52% da receita de uma empresa como a Light não é pouca coisa.
Vou enquadrar todas as organizações e facções criminosas como terroristas. Vamos construir um superpresídio, de preferência num lugar remoto, no meio da Amazônia, para onde todos esses líderes vão ser encaminhados e vão mofar por, pelo menos, 25 anos.
Fui conhecer, no ano passado, a experiência da história mais bem-sucedida em redução de homicídios. Nenhum outro país do mundo conseguiu, num espaço tão curto de tempo, reduzir os homicídios em 99%. Vou repetir, para ninguém achar que eu errei, 99%.
Romeu Zema (Novo) em convenção que confirmou a candidatura dele à Presidência
Divulgação
Fui com o meu secretário de Segurança Pública ver o que foi feito, e foi isso: é enquadrar como terroristas e prisão em massa.
Em Minas Gerais, o ano passado, o comandante da Polícia Militar um dia me mostrou lá um prontuário de um rapaz que tinha 88 ocorrências de furto e roubo de celulares. 88 vezes ele foi preso, detido e, infelizmente, liberado nas audiências de custódia.
Um país que trata assim um criminoso é um país que está tendo um custo alto do crime ou está incentivando o crime? Tirem as suas conclusões, mas, comigo isso acaba.
Nós vamos mudar a legislação penal também. No segundo ou terceiro delito, está detido e aguarde o julgamento. Não dá para continuar mantendo gente do mal na rua. Eu já fui assaltado três vezes. Penso que muitos aqui já foram.
É o brasileiro que está começando a pagar a prestação do celular, gente de bem, e que vai ficar mais endividado ainda do que já está. Então, nós vamos dar um choque na segurança pública. O brasileiro está farto.
E El Salvador, que era o país mais violento das Américas, hoje, ao lado do Canadá, é o mais seguro.
Dá pra fazer muita diferença. Nós temos aqui uma carnificina: mais de 40 mil assassinatos por ano, todos os dias. Presidente Eduardo Ribeiro, cai um avião da TAM grande no Brasil e nós passamos a normalizar isso.
Geralmente homens jovens, 40 mil famílias destroçadas, um custo humano gigantesco, sem considerar o custo econômico.
Pessoas que ficam inválidas, pessoas que vão sobrecarregar o sistema de saúde, esfaqueadas, baleadas, e também o sistema de Previdência, viúvas, filhos pequenos, pessoas sem condição de continuar produzindo, trabalhando. A violência, a criminalidade, tem um custo muito maior do que nós imaginamos para a nossa sociedade.
Atrair investimentos para o país
E vamos também virar, virar muito bem, como eu fiz em Minas Gerais, a chave da prosperidade.
Sete anos e meio como governador, levamos para Minas mais de 530 bilhões de reais de investimentos privados. Isso dá mais de 100 bilhões de dólares. É mais do que muitos países do mundo atraem. Uma montanha de dinheiro.
Isso fez com que 1 milhão de empregos fossem criados. Como eu disse, formais, sem considerar os informais. E Minas ganhou participação no PIB do Brasil, um estado que vinha só perdendo. Lá nós temos a reviravolta.
Um detalhe importantíssimo, que é uma das coisas que mais me dá orgulho: mineiro, a vida toda, sempre indo pra São Paulo, para o Rio, aqui para o Centro-Oeste, para o Nordeste. Durante o meu governo, o IBGE apontou uma inversão. Olha que coisa.
Em vez de mineiros indo para Brasil afora, brasileiros indo para Minas Gerais. Está lá os dados do IBGE. Como Santa Catarina, que atrai. E as pessoas vão para onde? Para onde tem segurança, para onde tem oportunidade.
Voltando a El Salvador, estive lá: 300 mil salvadorenhos que moravam fora do país voltaram para lá. E eu quero que boa parte dos 5 milhões de brasileiros que moram fora voltem para o Brasil.
Nós vamos transformar aqui numa terra de oportunidades, numa terra onde ninguém vai ter medo de conversar com o celular na rua.
E nós, em Minas Gerais, como foi dito aqui, mudamos lá a política para sempre. Derrotei o PT duas vezes e reconstruí aquilo que o PT destruiu.
O Lula, nos últimos meses, ficou procurando um boi de piranha para ser candidato do PT lá em Minas. Rodrigo Pacheco tirou o corpo fora. Depois foi a prefeita de Contagem, e ele lançou à força agora o Patrus [Ananias], para poder ser candidato, pelo menos para falar que está disputando.
Todo mundo fugindo de carregar esse ônus. A diferença do governo do PT, que foi uma tragédia, para o meu governo é tão grande que eu recomendaria a eles nem disputar a eleição, porque vão dar vexame lá.
E, como o Eduardo disse, o Novo avançou como nunca na eleição municipal de 2022, aliás, 24, principalmente em Minas Gerais, onde nós quase multiplicamos por 10 a presença de vereadores e de prefeitos.
O Novo, eu sempre tenho dito, nunca vai ser um partidão, aquele partido que tem aqui 80 deputados, mas, um partido de nicho, aquele partido cirúrgico, que faz a diferença, aquele tem partido que tem marca, que tem identidade.
Estou muito confiante que vamos eleger como nunca um número recorde de deputados estaduais, federais e também senadores. Até porque temos esse ano uma nominata como nunca tivemos e com nomes de peso. Isso faz toda a diferença.
Críticas ao PT
E eu quero concluir aqui lembrando que o Brasil tem tudo para dar certo. Tudo. Eu já vi esse país ter inflação de 80% ao ano, mas acabamos com a hiperinflação. Quem que foi contra? O PT. O PT foi contra o Plano Real. Vamos lembrar.
O Brasil, eu como empresário, vi muitas vezes a dívida que eu tinha em dólar […]. E hoje, principalmente devido ao agro, nós temos aí 380 bilhões de reservas cambiais.
Podemos ter oscilação. Nunca uma desvalorização como acontecia no passado, que a gente fez esse milagre que hoje dá estabilidade à nossa economia, é o agro. E, mais uma vez, quem que é contra o agro? O PT.
Tudo o que está certo nesse país parece que o PT não gosta, e a minha bandeira é estar contra o PT. Porque eu vi o PT destruir o Brasil. Não comentei aqui, mas o fator que me levou para a política foi não só a tragédia em Minas Gerais, mas a recessão de 2015, 16.
Eu empresário, naqueles dois anos, para a empresa não fechar, não desaparecer, eu tive de reduzir o quadro em quase 2.500 funcionários. E o único país do mundo que teve recessão em 2015 foi o Brasil.
Não foi uma recessão mundial, não. Foi uma recessão criada pela nossa classe política, com muita corrupção, escândalos, impeachment, etc.
O mesmo que nós temos assistido recentemente. Ali é que eu comecei a ver que não adianta você estudar muito, você ser um bom profissional, criar um bom negócio, se você tá num país que está afundando, porque mal administrado, porque dominado pela corrupção.
O Brasil tem tudo para dar certo, como eu disse, Aqui nós não temos terremoto, não temos furacão, temos a maior área para agricultura do mundo, infinitas oportunidades de geração de energia renovável, um povo que quer dar certo, quer prosperar.
O problema é que não é que falta recurso. O problema aqui é que sobra ladrão. E nós vamos acabar com isso.
Muito obrigado, presidente Eduardo Ribeiro. Temos essa grande missão pela frente. Já deu certo em Minas, vai dar certo no Brasil”.

Postagens relacionadas

Eleições 2026: íntegra do discurso de Ronaldo Caiado na convenção que o lançou candidato à Presidência

‘Eu sou a raiz, não sou sabor agro’, diz Caiado ao rivalizar com Flávio Bolsonaro por voto do agronegócio

STJ vai decidir se pune Marco Buzzi por assédio nesta semana; ministro da Corte pode ser demitido