O principal destaque da sessão fica por conta do julgamento histórico no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Investidores também monitoram os preços do petróleo e seguem à espera das decisões de juros.
▶️ O foco do mercado segue com a crise no STF, após um relatório da Polícia Federal indicar uma troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro. Em sua primeira manifestação pública após o caso vir à tona, o ministro do STF afirmou que nunca favoreceu nem julgou processos envolvendo o Banco Master ou o ex-banqueiro. Entenda o que aconteceu e como vai ser o julgamento.
- A expectativa é que o Tribunal proponha uma apuração sobre o envolvimento de Moraes, mas a decisão de apurar ou não a conduta do ministro deve ser adiada.
▶️ Ainda no cenário político, o quadro eleitoral também fica no radar. Na véspera, uma nova rodada de pesquisa Quaest mostrou a Lula (PT) com 36% das intenções de voto no 1º turno da eleição presidencial, contra 31% de Flávio Bolsonaro (PL). Além disso, a pesquisa também mostrou uma redução na distância entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no eleitorado feminino.
▶️ Na agenda econômica, o foco fica com as novas decisões de juros do Brasil e dos EUA, previstas para amanhã. Por aqui, a previsão é que o Comitê de Política Monetária (Copom) promova mais um corte da Selic. Já em relação ao Federal Reserve (Fed, o banco central americano), a estimativa é que a instituição eleve as taxas básicas do país pela primeira vez em mais de três anos.
▶️ No exterior, as preocupações com o suprimento de energia continuam a pressionar os preços do petróleo. Ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita na segunda-feira deixaram o oleoduto local Leste-Oeste fora de operação, aumentando os temores de que os danos à infraestrutura energética e às rotas de transporte possam demorar mais tempo para serem reparados.
- Com isso, os preços do petróleo enfrentavam mais um dia de alta. Perto das 15h20, o barril do Brent, referência internacional, subia 3,16%, cotado a US$ 109,02. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançava 4,55%, a US$ 106,00 o barril.
▶️ Os investidores também acompanharam as discussões sobre o futuro da IA, após executivos defenderem uma desaceleração no avanço da tecnologia para tornar os desenvolvimentos mais seguros. As ações das principais empresas de tecnologia fecharam sem direção única.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
- Acumulado da semana: +0,43%;
- Acumulado do mês: -0,63%;
- Acumulado do ano: -6,22%.
📈Ibovespa
- Acumulado da semana: -0,91%;
- Acumulado do mês: +4,56%;
- Acumulado do ano: +15,13%.
Julgamento histórico no STF
O destaque da sessão fica com o julgamento previsto para esta terça-feira no STF, que deve analisar o relatório da Polícia Federal que revelou troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes.
Nas mensagens, Vorcaro pede orientação jurídica, marca encontros com Moraes e ajuda para se proteger de investigações.
Há, no entanto, diversas questões em aberto sobre como o julgamento vai funcionar, incluindo o que será efetivamente analisado, quem participará e votará na sessão e até a possível nulidade do documento.
A sessão começará regularmente, com a leitura da ata da sessão anterior e saudações aos ministros. Depois disso, os eventos acontecerão da seguinte maneira:
- Como relator da matéria, caberá a Fachin abrir os trabalhos apresentando um resumo dos fatos e delimitado o objeto do julgamento.
- Depois, a Procuradoria-Geral da República (PGR) poderá se manifestar, seguida de eventuais sustentações orais.
- Após estar manifestações, o relator apresentará seu voto.
- Em seguida, os ministros votarão na ordem prevista no regimento.
- Por fim, o presidente proclamará o resultado.
O cenário que se desenha é de dificuldades para Alexandre de Moraes, mas a decisão sobre apurar ou não conduta do ministro poderá ser adiada.
Em seu primeiro posicionamento público desde o início da crise, Moraes afirmou que nunca favoreceu o Banco Master ou Vorcaro e disse que jamais julgou processos envolvendo o banqueiro ou a instituição financeira.
O ministro também classificou as acusações como uma tentativa de responsabilizá-lo por anotações produzidas por terceiros e afirmou que a ofensiva tem motivação “político-eleitoral”.
De olho nos juros
As decisões de juros do BC e do Fed — ambas previstas para quarta-feira desta semana — são o principal destaque da sessão.
No Brasil, a expectativa é que o Copom faça mais um corte da taxa básica (Selic), de 0,25 ponto percentual (p.p.), levando os juros para o patamar de 13,75% ao ano, no menor nível desde janeiro do ano passado.
O movimento acompanha a desaceleração nos preços de inflação. Nesta semana, por exemplo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,32% em agosto, na maior queda de preços desde 2022.
Já nos EUA, a maioria do mercado estima que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) interrompa a manutenção e decida por uma nova alta de juros nesta semana, em meio às novas altas da inflação americana.
No final do mês passado, o presidente do Fed, Kevin Warsh, já havia sugerido que o BC poderia ter que aumentar os juros nos próximos meses para conter o avanço dos preços. Isso porque, segundo ele, mesmo com a melhora dos indicadores, ainda há a necessidade de cautela.
“Precisamos ter certeza de que a inflação subjacente está se movendo em direção ao nosso objetivo, de forma clara e em velocidade suficiente”, disse Warsh, durante conferência anual do Fed em agosto. “Caso contrário, temos trabalho a fazer”.
➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio.
Bolsas globais
Em Wall Street, os três principais índices acionários americanos operavam em queda nesta terça-feira, conforme investidores monitoravam a alta do petróleo e os elevados rendimentos dos títulos públicos americanos, além de seguirem em compasso de espera pela decisão do Fed.
Perto das 15h20, o Dow Jones caía 0,75%, o S&P 500 perdia 0,44% e o Nasdaq Composite recuava 0,74%.
Na Europa, as ações caíram para o mínimo em três meses nesta terça-feira, também de olho nos preços do petróleo e dos rendimentos dos títulos públicos. O índice pan-europeu STOXX 600 registrou queda de 0,3% para 634,18 pontos.
Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, teve queda de 0,15%, enquanto o CAC-40, da França, perdeu 0,34% e o FTSE 100, do Reino Unido, recuou 0,37%.
Na Ásia, as bolsas chinesas caíram nesta terça-feira, já que uma leve alta nas ações do setor de hardware de IA não conseguiu compensar as perdas em outros setores, com dados mistos de agosto indicando uma demanda interna persistentemente fraca.
O SSEC, índice de Xangai, caiu 0,5%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, teve perdas de 0,7%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1%.
Entre os demais mercados da região, o índice Nikkei, do Japão, caiu 0,01% e o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 0,85%.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025. — Foto: Tatan Syuflana/ AP