Índice
▶️ O quadro de juros no Brasil e nos Estados Unidos segue na mira dos investidores. Na véspera, o Comitê de Política Monetária (Copom) apontou uma piora do cenário para a inflação na ata de sua última reunião e indicou que pode manter os juros inalterados em seu próximo encontro, em agosto. Já no Hemisfério Norte, a perspectiva de alta de juros nos EUA ainda pesa nos mercados.
▶️ No Oriente Médio, o destaque fica com a volta do tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz. Na véspera, o canal registrou o fluxo mais intenso de navios desde o início do conflito, aumentando esperanças de que a situação volte a se normalizar no mercado internacional de petróleo.
- Com isso, a commodity passou a operar abaixo dos US$ 75 nesta quarta-feira. Perto das 9h, o barril do Brent, referência internacional, tinha queda de 2,98%, a US$ 74,78. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caía 2,99%, para US$ 71,02.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
- Acumulado da semana: +0,41%;
- Acumulado do mês: +2,86%;
- Acumulado do ano: -5,50%.
📈Ibovespa
- Acumulado da semana: +1,73%;
- Acumulado do mês: –1,46%;
- Acumulado do ano: +6,28%.
Próximos passos nos juros
A divulgação da ata da última reunião do Copom, na véspera, continua no radar dos investidores. No documento, o Banco Central (BC) indicou que houve uma piora das expectativas de inflação à frente, apontando uma aceleração da atividade econômica prevista para o segundo semestre.
Na reunião da semana passada, o colegiado decidiu diminuir os juros básicos (Selic) em 0,25 ponto percentual (p.p.), para 14,25% ao ano, no terceiro corte seguido da taxa.
- 🔎A taxa básica da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre.
O BC ainda reiterou que preferiu ser mais flexível em relação à Selic, ou seja, manter uma trajetória com diferentes momentos de pausa e retomada dos cortes para evitar uma maior volatilidade dos ativos financeiros.
Já nos Estados Unidos, dados econômicos divulgados na véspera reforçaram a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o BC americano) deve manter os juros elevados por mais tempo.
O Índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto — que considera dados da indústria e de serviços — subiu para 52,2 em junho, no maior nível desde janeiro. O crescimento da produção na indústria foi o maior em seis anos.
Os dados reforçam o cenário de uma atividade econômica ainda resiliente, o que indica que os preços podem continuar subindo no país.
Volta do tráfego em Ormuz e o alívio no petróleo
A volta do tráfego pelo Estreito de Ormuz traz um cenário mais otimista para o petróleo no mercado internacional.
Nesta quarta-feira, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que o Irã garantiu aos EUA que não haverá cobrança de pedágio ou qualquer tipo de taxa para passagem de navios comerciais pelo canal — o que também ajuda a diminuir as cotações da commodity. Acompanhe todos os desdobramentos.
Teerã e Washington concluíram as conversas técnicas sobre o acordo de cessar-fogo, mas ainda devem tratar sobre temas sensíveis, como o programa nuclear iraniano.
Na véspera, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse que, sem mísseis, seu país teria acabado “como a Faixa de Gaza”, e ressaltou que seu programa balístico não é negociável.
“Se os mísseis que temos para a nossa defesa não existissem, Israel e Estados Unidos teriam arrasado o Irã, como fizeram com a Faixa de Gaza, sem mostrar piedade nem dos idosos nem dos jovens”, afirmou Pezeshkian no Paquistão.
“Nunca negociaremos com ninguém, sob nenhuma circunstância, sobre nossa capacidade de defesa”, ressaltou.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, confirmou que o acordo preliminar assinado pelos Estados Unidos e pelo Irã não menciona os mísseis balísticos. “Não pode haver dois pesos e duas medidas. Que alguns países possam ter mísseis balísticos e que o Irã não deva tê-los”, disse.
Além disso, na véspera, o presidente Donald Trump concedeu uma licença de 60 dias para que o Irã volte a vender petróleo no mercado internacional.
A guerra no Oriente Médio provocou impactos significativos na economia global. A interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz elevou o preço da commodity, pressionou os custos dos combustíveis e aumentou as preocupações com a inflação em diversos países.
Como consequência, consumidores enfrentaram preços mais altos, enquanto os mercados financeiros registraram perdas e o dólar ganhou força diante da maior aversão ao risco.
Com o fim do conflito, economistas agora acompanham quando a atividade econômica e os mercados começarão a dar sinais de normalização. O g1 reuniu os principais efeitos da guerra e as perspectivas para a recuperação.
Veja na reportagem abaixo:
Mercados globais
Na Ásia, os mercados acionários fecharam mistos nesta quarta-feira (24), beneficiados, em parte, pera recuperação do setor de tecnologia.
O CSI 300, que reúne as maiores companhias em Xangai e Shenzen avançou, 0,48%. Já o índice de Xangai, o SSEC, ganhou 0,11%.
Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 0,33%, enquanto o Nikkei, do Japão, perdeu 0,88% e o Kospi, da Coréia do Sul, teve uma valorização de 3,26%.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025. — Foto: Tatan Syuflana/ AP