Índice
▶️ Investidores continuam a avaliar os possíveis efeitos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Além da taxa de 25% anunciada na quarta-feira, o governo brasileiro reconhece que os EUA ainda devem aplicar uma tarifa adicional de 12,5% por falha em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Além disso, o presidente Lula também convocou ministros, na véspera, para discutir a posição do governo sobre a decisão dos EUA.
▶️Na agenda econômica, o mercado também acompanha a divulgação de novos dados de atividade no Brasil, por meio do IBC-Br, indicador do Banco Central do Brasil. Nos EUA, o destaque fica com a produção industrial do país.
▶️ Já no noticiário geopolítico, as atenções seguem voltadas para o conflito no Oriente Médio. O Irã atacou bases militares americanas em retaliação aos bombardeios recentes feitos pelos EUA. Os embates pelo controle do Estreito de Ormuz e outros temas também ajudam a aumentar a preocupação do mercado com os preços do petróleo no mercado internacional.
- Perto das 10h20, o barril do Brent, referência internacional, subia 2,79%, cotado a US$ 86,58. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, tinha alta de 3,04%, cotado a US$ 81,35 por barril.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
- Acumulado da semana: -0,20%;
- Acumulado do mês: -1,25%;
- Acumulado do ano: -7,11%.
📈Ibovespa
- Acumulado da semana: -1,04%;
- Acumulado do mês: +2,32%;
- Acumulado do ano: +9,24%.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
Tarifaço de Trump
O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) confirmou, na noite de quarta-feira (15), a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho.
A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.
No processo, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria.
Mesmo com as acusações, itens como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficaram fora da nova cobrança. A lista inclui produtos considerados sensíveis para a economia americana, seja pelo potencial impacto sobre preços, seja pela ausência de produção doméstica suficiente.
Segundo o USTR, o governo Trump tentou negociar com o Brasil ao longo do último ano, mas não obteve sucesso em derrubar as práticas que considera injustas.
“As investigações da Seção 301 são procedimentos unilaterais do governo dos Estados Unidos e não há justificativa para adoção de tarifas contra os produtos brasileiros. Desde março de 2025, o governo brasileiro manteve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone nos níveis presidencial, ministerial e técnico com autoridades norte-americanas, afirmou Vieira.
O governo brasileiro também divulgou uma nota contestando os argumentos dos EUA para aplicar o novo tarifaço, destacando que o presidente Lula (PT) iniciará “imediatamente” os trâmites previstos na Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado.
Escalada das tensões no Oriente Médio
O Irã lançou bombardeios contra diversas bases dos EUA no Oriente Médio nesta sexta (17) após acusar Washington de atacar alvos civis. Países da região denunciaram ataques iranianos.
“Na noite passada, o exército dos EUA voltou a agir, utilizando suas bases na Jordânia para realizar, segundo o comunicado, um grande crime de guerra, atacando alvos civis, incluindo várias pontes, áreas residenciais e uma estação de bombeamento de água em Bandar Abbas, no sul do Irã”, afirmou a Guarda Revolucionária iraniana em comunicado.
O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, condenou nesta sexta os ataques dos EUA contra a infraestrutura civil iraniana e voltou a acusar Washington de cometer crimes de guerra.
Mais cedo nesta semana, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que concluiu uma nova rodada de ataques contra alvos no Irã. Além de centros de comando, a ofensiva também mirou posições de defesa aérea, capacidades de mísseis e drones e instalações de vigilância costeira iranianas.
Em comunicado, o Centcom afirmou que os ataques tiveram como objetivo reduzir a capacidade do Irã de ameaçar embarcações comerciais que transitam pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo.
As forças americanas informaram ainda que utilizaram munições de precisão contra alvos em diferentes localidades, incluindo Bandar Abbas.
A escalada das tensões no Oriente Médio nos últimos dias volta a trazer preocupações sobre a oferta mundial de petróleo, principalmente por conta do tráfego limitado no Estreito de Ormuz.
Nesta quinta-feira, o Irã afirmou que o canal é uma “linha vermelha” inviolável e alertou que caso Trump cumpra sua ameaça de atacar a infraestrutura iraniana, o país retaliará contra toda a infraestrutura na região do Golfo.
Com o bloqueio dos EUA no Estreito de Ormuz, dados do setor de transporte marítimo já mostraram que menos navios conseguiram atravessar o estreito. Não foram avistados petroleiros de grande porte nem navios-tanque de gás natural liquefeito (GNL).
Bolsas globais
Na Ásia, as bolsas tiveram uma queda generalizada nesta sexta-feira, com os índices de referência da China registrando a maior perda semanal em mais de dois anos depois que a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da fabricante de chips CXMT gerou temores de problemas de liquidez.
O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 3,60%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, teve queda de 3,05%.
Entre as demais bolsas da região, o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 1,78%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve perdas de 1,78%. O Kospi, da Coreia do Sul ficou fechado.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Dólar — Foto: Karolina Grabowska/Pexels
