Dólar opera em alta com tarifas de Trump no radar e novas projeções do Focus; Ibovespa recua | G1

Dólar opera em alta com tarifas de Trump no radar e novas projeções do Focus; Ibovespa recua | G1

▶️ Nos Estados Unidos, a Suprema Corte derrubou na sexta-feira (20) as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, o que manteve o tema comercial no centro do radar dos investidores. Em reação, o republicano afirmou que dispõe de “métodos ainda mais fortes” para impor novas tarifas e disse que outras alternativas estão em estudo.

▶️ A política tarifária ganhou novos contornos no sábado (21), quando Trump anunciou que a alíquota subiria de 10% para 15%, reforçando o tom mais agressivo na estratégia comercial.

▶️ Na sexta-feira, após a decisão da Corte, o Ibovespa subiu 1,06% e fechou a 190.534 pontos, acima dos 190 mil pela primeira vez. No câmbio, o dólar caiu 0,98%, a R$ 5,1758, menor nível desde maio de 2024.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -1,02%;
  • Acumulado do mês: -1,37%;
  • Acumulado do ano: -5,70%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +2,18%;
  • Acumulado do mês: +5,06%;
  • Acumulado do ano: +18,25%.

Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço

Por 6 votos a 3, a maioria dos juízes concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não permite ao presidente criar tarifas por conta própria. Trump argumentava que a lei de 1977 autoriza o presidente a adotar esse tipo de medida em situações excepcionais.

O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator da decisão e liderou a maioria. Os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh foram os votos vencidos.

Roberts afirmou que Trump precisa de uma “autorização clara do Congresso” para justificar o tarifaço, citando precedente da própria Suprema Corte.

A decisão atinge principalmente as chamadas tarifas recíprocas, que representam o núcleo da estratégia tarifária do governo. Outras tarifas em vigor, como as aplicadas sobre aço, alumínio e fentanil, continuam valendo.

Resposta de Trump

As novas taxas, previstas para entrar em vigor às 00h01 (horário de Washington) da terça-feira (24), atingem todos os países que mantêm relações comerciais com os EUA.

Há, no entanto, exceções para determinados produtos, como minerais críticos, produtos agrícolas e componentes eletrônicos.

O especialista em comércio exterior Jackson Campos explica que, após a decisão do tribunal e o novo anúncio de Trump no sábado, o resultado final é uma sobretaxa de 15% sobre produtos brasileiros.

“Para a maioria dos produtos, permanece a tarifa normal do item [ou seja, as taxas já em vigor antes do tarifaço de 2025], acrescida do novo adicional temporário global de 15%”, afirma.

Campos lembra ainda que a entrada de aço e alumínio brasileiros nos EUA continua com alíquotas de 50%, que se somam aos 15% recém-anunciados, mantendo o custo desses insumos elevado.

Agenda econômica

O boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (23) pelo Banco Central, mostra que os economistas reduziram a previsão de inflação para 2026 de 3,95% para 3,91%.

Esse foi o sétimo corte seguido na estimativa. Se o cenário se confirmar, a inflação medida pelo IPCA ficará abaixo do resultado de 2025, quando atingiu 4,26%.

Para 2027, a projeção de inflação foi mantida em 3,80%.

O mercado também continua esperando queda dos juros: a estimativa para a taxa básica ao fim de 2026 caiu de 12,25% para 12,13% ao ano, enquanto a previsão para 2027 permaneceu em 10,50%.

Em relação à atividade econômica, os analistas elevaram levemente a expectativa de crescimento do PIB em 2026, de 1,80% para 1,82%.

Já para o dólar, a projeção é de recuo em 2026, mesmo em ano eleitoral, passando de R$ 5,50 para R$ 5,45. Para 2027, a estimativa seguiu estável em R$ 5,50.

Mercados globais

Em Wall Street, a semana começa sob um ambiente de incerteza após novas mudanças na política tarifária anunciadas pelo presidente Donald Trump.

A Suprema Corte derrubou a maior parte das tarifas anteriores, o que levou o governo a anunciar rapidamente novas taxas, primeiro de 10% e depois de 15%, com vigência prevista por alguns meses.

Esse movimento gerou dúvidas entre empresas e investidores, especialmente sobre custos e cadeias de fornecimento, o que dificulta o planejamento dos negócios.

Antes da abertura dos mercados, os índices futuros operavam em queda: o Dow Jones recuava 0,3%, o S&P 500 também caía 0,3% e o Nasdaq registrava baixa de 0,5%.

Na Europa, o tom foi de leve pressão sobre os mercados. Sem grandes notícias internas, o humor dos investidores refletia principalmente as preocupações vindas do exterior, em especial dos EUA.

O índice STOXX 600 recuava 0,3% pela manhã. O DAX, da Alemanha, caía 0,5%, aos 25.137,69 pontos, enquanto o CAC 40, em Paris, ficava estável em 8.515,65 pontos. O FTSE 100, no Reino Unido, também operava praticamente estável, em 10.685,10 pontos.

Na Ásia, parte das principais bolsas, como Japão e China continental, permaneceu fechada por feriados, reduzindo o volume de negociações na região.

O Hang Seng, em Hong Kong, subiu 2,5%, aos 27.081,91 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 0,7%, para 5.846,09 pontos. Em Taiwan, o Taiex teve alta de 0,5%, enquanto o Sensex, na Índia, subiu 0,6%. Já o SET, da Tailândia, encerrou o dia praticamente estável.

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