Índice
▶️ No Brasil, a taxa de desemprego ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo a Pnad Contínua divulgada pelo IBGE. O resultado ficou estável em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro de 2025, e caiu 1,1 ponto percentual frente ao mesmo período do ano passado, quando estava em 6,5%.
▶️ Também nesta quinta-feira, o governo brasileiro publica o resultado da balança comercial de fevereiro, que entra no radar dos investidores ao lado dos dados do mercado de trabalho.
▶️ Nos Estados Unidos, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego ficaram em 213 mil na semana encerrada em 28 de fevereiro, em dado com ajuste sazonal divulgado pelo Departamento do Trabalho. O número veio ligeiramente abaixo da expectativa de economistas, que previam cerca de 215 mil solicitações.
▶️ No mercado de commodities, o petróleo voltou a subir. O movimento ocorre mesmo após o presidente dos EUA, Donald Trump, prometer garantir o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz e diante de notícias de que o Irã buscaria um acordo para encerrar o conflito.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
- Acumulado da semana: +1,63%;
- Acumulado do mês: +1,63%;
- Acumulado do ano: -4,94%.
📈Ibovespa
- Acumulado da semana: -1,81%;
- Acumulado do mês: -1,81%;
- Acumulado do ano: +15,04%.
Oriente Médio e petróleo
O petróleo voltou a subir nesta quinta-feira (5), refletindo a preocupação dos investidores com o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte de petróleo no mundo.
Por volta das 8h30, o barril do Brent, referência internacional, subia 2,33%, a US$ 83,30. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 2,97%, para US$ 76,88.
Os ataques a navios que transportam petróleo continuaram nesta quinta-feira, segundo informações da agência Reuters. O petroleiro Sonangol Namibe, que navega com bandeira das Bahamas, informou que sofreu danos no casco após uma explosão perto do porto de Khor al Zubair, no Iraque.
Ao mesmo tempo, o tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz praticamente parou desde o início da guerra. Segundo dados de empresas que monitoram navios, cerca de 300 petroleiros estão parados na região, aguardando condições mais seguras para seguir viagem.
O conflito também se intensificou em terra. Na madrugada de quinta-feira, o Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel, levando milhões de pessoas a buscar abrigo.
A ofensiva ocorreu poucas horas depois de tentativas em Washington para interromper os ataques americanos terem fracassado.
Na quarta, um submarino dos Estados Unidos afundou um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, em um episódio que deixou ao menos 80 mortos. No mesmo dia, sistemas de defesa aérea da Otan interceptaram um míssil iraniano que havia sido lançado em direção à Turquia.
Analistas do banco J.P. Morgan alertam que o fechamento do Estreito de Ormuz pode começar a afetar o fornecimento global de petróleo em poucos dias. Caso o bloqueio continue, cerca de 3,3 milhões de barris por dia podem deixar de chegar ao mercado.
O Iraque, segundo maior produtor da Opep, já reduziu sua produção em quase 1,5 milhão de barris por dia, por falta de espaço para armazenar o petróleo e dificuldades para exportá-lo.
Já o Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações — uma medida usada quando eventos fora do controle impedem o cumprimento de contratos. Fontes do setor dizem que pode levar pelo menos um mês para que a produção volte ao normal.
Agenda econômica
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado ficou estável em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro de 2025, também de 5,4%, e representa uma queda de 1,1 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a taxa era de 6,5%.
Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, a taxa representa o menor nível da série para trimestres encerrados em janeiro e indica estabilidade em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro.
A especialista explica que, apesar da estabilidade estatística, há uma tendência de queda no indicador. Ela lembra que, na virada do ano, é comum que a taxa de desocupação suba ao longo do primeiro trimestre, movimento que ainda pode aparecer nos próximos resultados.
“Em geral, na virada do ano é comum haver aumento da desocupação, que costuma aparecer ao longo do primeiro trimestre. Mas esse resultado ainda reflete o efeito de novembro e dezembro, que costumam ter indicadores mais favoráveis no mercado de trabalho”, explicou.
Veja os destaques da pesquisa:
- Taxa de desocupação: 5,4%
- Taxa de subutilização: 13,8%
- População desocupada: 5,9 milhões
- População ocupada: 102,7 milhões
- População fora da força de trabalho: 66,3 milhões
- População desalentada: 2,7 milhões
- Empregados com carteira assinada: 39,4 milhões
- Empregados sem carteira assinada: 13,4 milhões
- Trabalhadores por conta própria: 26,2 milhões
- Trabalhadores informais: 38,5 milhões
Ela também destacou que, na comparação anual, houve melhora mais clara no indicador. “Quando olhamos para o mesmo trimestre do ano passado, há uma queda significativa da taxa de desocupação”, acrescentou.
- Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA
Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego ficaram em 213 mil na semana encerrada em 28 de fevereiro, em dado com ajuste sazonal, segundo o Departamento do Trabalho dos EUA. Economistas consultados pela Reuters esperavam um número ligeiramente maior, de 215 mil solicitações.
O mercado de trabalho norte-americano ainda se recupera de um período de incerteza vivido no ano passado.
- Na época, economistas apontaram que as tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump — com base em uma lei voltada a situações de emergência nacional — geraram insegurança econômica e afetaram as contratações.
Posteriormente, essas tarifas foram derrubadas pela Suprema Corte dos EUA. Em resposta, Trump anunciou uma nova tarifa global de 10% sobre importações e afirmou que a alíquota deverá subir para 15%.
Apesar disso, economistas avaliam que o mercado de trabalho pode ganhar fôlego ao longo deste ano, impulsionado por cortes de impostos que tendem a estimular a atividade econômica e a demanda.
Outro levantamento divulgado nesta quinta-feira pela empresa de recolocação Challenger, Gray & Christmas mostrou que empregadores sediados nos EUA anunciaram 48.307 cortes de vagas em fevereiro.
O número representa uma queda de 55% em relação a janeiro e de 72% na comparação com fevereiro do ano passado.
Os planos de contratação, por sua vez, aumentaram 140% frente a janeiro, mas ainda ficaram 63% abaixo do nível registrado no mesmo mês de 2025.
Mercados globais
Os mercados americanos começaram o dia pressionados após novos ataques de retaliação conduzidos pelo Irã, o que aumentou a preocupação dos investidores.
O episódio elevou os preços de energia e até o valor pago nos postos durante a noite. A tensão cresceu depois que o Irã lançou mísseis contra Israel e após senadores republicanos bloquearem uma tentativa de interromper os ataques aéreos dos EUA.
Antes da abertura, os índices futuros em Wall Street recuavam: o Dow Jones caía 0,3%; o S&P 500, 0,1%; e o Nasdaq também tinha queda de 0,1%.
As bolsas europeias mostravam avanço, mesmo com o cenário internacional ainda marcado pelas tensões no Oriente Médio. Os mercados seguiam em movimento positivo, com diferentes países apresentando ganhos moderados.
Por volta das 10h30 (horário de Brasília), o STOXX 600 subia 0,43%. Entre os principais índices nacionais, o DAX da Alemanha avançava 0,51%; o FTSE 100 do Reino Unido ganhava 0,32%; e o CAC 40 da França tinha alta de 0,45%.
Já os mercados asiáticos operaram em alta, acompanhando uma recuperação regional.
A pressão vinda da guerra no Oriente Médio foi compensada pelo entusiasmo dos investidores com ações de tecnologia chinesas, após Pequim anunciar planos para aumentar investimentos em inovação. Esse otimismo ajudou a impulsionar os principais índices da China e de Hong Kong.
No fechamento, o índice de Xangai avançou 0,6%, enquanto o CSI300 subiu 1%. O Hang Seng, de Hong Kong, registrou alta de 0,3%.
Outros mercados asiáticos também tiveram fortes ganhos: o Nikkei, em Tóquio, subiu 1,9%, chegando a 55.278 pontos; o KOSPI, em Seul, avançou 9,63%, para 5.583 pontos; e o TAIEX, em Taiwan, teve alta de 2,57%, alcançando 33.672 pontos.
Notas de dólar. — Foto: Luisa Gonzalez/ Reuters